sábado, 14 de abril de 2018

DIÁLOGO CIRO-LULA É NECESSÁRIO PARA EVITAR DISPUTA ALCKMIN X BOLSONARO

Já pensaram numa disputa de segundo turno entre a direita de Geraldo Alckmin e a extrema-direita de Jair Bolsonaro?
Pois isso é perfeitamente possível para 188 grandes investidores institucionais _ ou seja, o endeusado mercado _ consultados pela XP Investimentos sobre o provável cenário sem Lula na disputa nas eleições de 2018.
Para 48% desses senhores da grana preta, quem deve ganhar no final é Alckmin, mas Bolsonaro mostrou um crescimento de 17% para 29%, em relação à consulta de novembro do ano passado.
Segundo os analistas da XP, o ex-capitão do Exército herdou boa parte dos votos do apresentador Luciano Huck, que tinha 19% na mesma pesquisa.
Fica difícil neste tipo de consulta distinguir o que é intenção de voto, o que é torcida e o que é só palpite, mas o fato é que estes dois pré-candidatos são os prediletos do mercado financeiro, enquanto Henrique Meirelles aparece com apenas 2%.
Diante desse cenário assustador para quem ainda acredita que a democracia é o melhor sistema de governo para uma sociedade civilizada, é mais do que urgente abrir o diálogo entre os que se opõem a este quadro de direita X extrema direita, que repete o da última eleição na França, sem entrar no mérito dos candidatos.
Por isso, achei que o movimento político mais importante da última semana foi a iniciativa de Ciro Gomes, do PDT, que pretende conversar com Lula em Curitiba, se for autorizado, é claro, pela república de Sérgio Moro.
Já vi muita gente dita de esquerda atacando este encontro nas redes sociais, com críticas ao comportamento errático de Ciro, o que dá bem uma ideia da mentalidade tacanha de setores que hoje fazem oposição aos que estão no poder e nele pretendem se manter por mais alguns séculos.
Se a esquerda não procurar suas convergências e um programa mínimo comum de governo, corre o sério risco de simplesmente ficar de fora do segundo turno.
Os mesmos jogadores que apostam na vitória de Alckmin já estão até fazendo as contas de quanto a Bolsa deve subir com uma vitória do tucano, passando dos 100 mil pontos no benchmark.
Calculam que o ex-governador paulista em breve deve começar a subir nas pesquisas, com o apoio do próprio mercado, da grande mídia e de uma aliança de partidos muito mais robusta do que a de Bolsonaro, que por enquanto corre sozinho na pista, com tendência de baixa nos índices de intenção de votos.
Enquanto isso, o lado oposto fica discutindo picuinhas passadas sem se lembrar que, em 1993, Ciro Gomes, ao lado de Tasso Jereissati, discutiu com Lula, em São Paulo, uma possível chapa PT-PSDB para a eleição do ano seguinte.
Também não lembram que Ciro sempre apoiou Lula, quando não era ele próprio candidato, e foi leal ministro do seu primeiro governo, com forte atuação no gabinete de crise pós-mensalão.
Mais adiante, certamente o candidato do PDT também deve conversar com Guilherme Boulos, do PSOL, e Manuela D´Ávila do PCdoB, as duas jovens lideranças que despontaram nesta campanha.
Conversar não tira pedaço de ninguém, ainda mais quando os interlocutores estão do mesmo lado da disputa e existe um inimigo comum.
Política não se faz com o fígado quando estão em jogo, não a hegemonia no campo da esquerda, mas o futuro da democracia e o destino de 210 milhões de brasileiros.
Bom final de semana a todos.

Um comentário:

José Oeiras disse...

E aqui em Ananindeua os novos pedetistas vão apoiar Ciro ou Alckmin?