PAULO GAMA
SÃO PAULO
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O estatuto provisório do novo partido que a ex-senadora Marina Silva
decidiu criar veta o recebimento de doações de fabricantes de bebidas
alcoólicas, cigarros, armas e agrotóxicos. A norma barraria até
contribuições que a própria Marina recebeu em 2010, quando foi candidata
à Presidência pelo PV.
Naquela campanha, ela teve entre seus financiadores a Ambev, que fez
doações que somaram R$ 400 mil. No total, ela recebeu R$ 25 milhões.
Os setores banidos estão entre os grandes doadores eleitorais. Sozinhos,
os quatro maiores doadores da indústria de bebidas repassaram R$ 100
milhões a candidatos desde 2002.
Marina foi procurada, via assessoria, para comentar as doações recebidas
em 2010, mas não se pronunciou.
O manifesto político proposto para o novo partido defende o
financiamento público de campanha e ataca a relação entre os "doadores e
as leis feitas pelos eleitos".
Esse manifesto e a minuta do estatuto --que se refere ao novo partido
apenas pelo nome de Rede --serão discutidos e votados em assembleia
neste sábado, em Brasília.
A aprovação dos documentos é o primeiro passo para a ex-senadora tirar
do papel o novo partido, com o qual pretende disputar novamente a
Presidência, em 2014.
Depois disso, o partido, cujo nome ainda não está definido, terá de
recolher cerca de 500 mil assinaturas para obter o registro. Para que
possa disputar as eleições de 2014, o processo tem de estar finalizado
até um ano antes da eleição, ou seja, até o próximo dia 4 de outubro.
Segundo o deputado Walter Feldman (PSDB-SP), que atua na criação do
partido, a escolha do veto às doações foi "consensual". Ele diz que "é
muito provável" que as restrições sejam ainda maiores "Nada impede que
se amplie para empresas que fazem negócio com o poder público."
FICHA LIMPA
Além da proibição das doações, o estatuto prévio prega também o veto à
filiação de pessoas enquadradas na Lei da Ficha Limpa e determina aos
parlamentares da legenda um "combate rigoroso" a "privilégio ou regalia
em termos de vencimentos normais e extraordinários".
De 2008 a 2011, Marina exerceu mandato no Senado, que paga 15 salários
por ano e até R$ 38 mil de verba para o exercício do mandato.
Favorável à candidatura de pessoas sem filiação partidária, a Rede
permitirá, segundo seu estatuto, que até 30% de seus candidatos sejam
representantes movimentos sociais "que não pretendam exercer vínculos
orgânicos" com nenhuma legenda.
A Lei Eleitoral, no entanto, exige que um candidato tenha filiação
partidária, o que obrigaria mesmo essas pessoas a ter registro no
partido.
Apesar de serem tratadas como independentes, o partido exige que elas
não atuem "frontalmente" contra o estatuto, o programa e o manifesto da
legenda.
Em vídeo divulgado ontem, Marina disse que o partido será "uma
ferramenta nova" para "integrar o esforço em busca da sustentabilidade
no espaço da política institucional".
A Rede, como é chamada por enquanto, aposta na mobilização via internet
para conseguir as cerca de 500 mil assinaturas necessárias no prazo
legal. O partido quer disponibilizar em seu site as fichas para que os
apoiadores imprimam e assinem.

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