terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Migrar para sobreviver: até quando Pará?


O Pará, historicamente marcado por desigualdades regionais, ciclos econômicos, instáveis e concentração de renda, passou a “exportar” mão de obra para outras regiões do país. O Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) tornou-se um dos destinos preferenciais. Principais causas da migração

1. Econômicas

Falta de empregos formais e salários baixos no Pará

Crises após ciclos como mineração, madeira e grandes obras

Busca por melhores oportunidades de trabalho no Sul

2. Sociais

Acesso precário à educação técnica e superior

Serviços públicos insuficientes em muitas cidades paraenses

Desejo de ascensão social e estabilidade familiar

3. Estruturais e históricas

Políticas de desenvolvimento concentradas no Sul/Sudeste

Migração em “cadeia”: quem vai chama parentes e amigos

Redes de apoio já formadas por paraenses no Sul

 Perfil dos migrantes paraenses

Jovens e adultos em idade produtiva

Trabalhadores da construção civil, indústria, frigoríficos e serviços

Mais recentemente, estudantes e profissionais qualificados

 Impactos da migração

No Pará

Perda de mão de obra jovem

“Esvaziamento” de talentos locais

Dependência de remessas enviadas por quem migrou

No Sul

Suprimento de mão de obra para setores que faltam trabalhadores

Enriquecimento cultural (culinária, música, sotaques)

Também surgem desafios: preconceito e adaptação cultural

 Situação atual

 Em síntese

A migração de paraenses para o Sul não é apenas uma escolha individual, mas reflexo de um modelo desigual de desenvolvimento regional no Brasil. Enquanto o Pará não oferecer oportunidades equivalentes, o fluxo migratório continuará sendo uma alternativa de sobrevivência e esperança.

A migração de paraenses para o Sul do Brasil não pode ser analisada apenas como um fenômeno social ou econômico. Ela está diretamente ligada à realidade política do Pará, marcada por concentração de poder, modelo econômico extrativista e ausência de um projeto consistente de desenvolvimento humano.

 Política concentradora e desenvolvimento desigual

O Pará, apesar de ser um dos estados mais ricos em recursos naturais, permanece com:

baixos índices de industrialização local;

dependência de commodities (mineração, madeira, agronegócio primário);

pouca agregação de valor à produção.

Esse modelo é politicamente sustentado por governos que priorizam:

grandes projetos voltados à exportação;

incentivos a grupos econômicos externos;

arrecadação concentrada, sem retorno proporcional às regiões produtoras.

O resultado é simples e cruel: o emprego não fica, a riqueza não circula e o povo vai embora.

Migração como consequência da ausência do Estado

Em grande parte do interior paraense, o Estado chega de forma frágil ou tardia:

escolas técnicas insuficientes;

universidades concentradas;

saúde pública precária;

poucas políticas de emprego e renda.

Diante disso, migrar não é escolha — é estratégia de sobrevivência. O Sul passa a representar aquilo que o Pará não conseguiu garantir: estabilidade, trabalho e perspectiva de futuro. O papel das elites políticas

A migração também expõe a responsabilidade das elites políticas locais, que historicamente:

se perpetuam no poder por meio de estruturas familiares e alianças oligárquicas;

utilizam políticas assistencialistas em vez de estruturantes;

tratam o êxodo como “natural”, quando ele é produzido politicamente.

Enquanto isso, jovens paraenses:

constroem estradas, indústrias e frigoríficos no Sul;

geram riqueza fora do seu estado de origem;

muitas vezes enfrentam preconceito e invisibilidade.

 O paradoxo paraense

O Pará vive um paradoxo político:

é rico em território, minérios e energia,

mas pobre em oportunidades para sua própria população.

A migração para o Sul revela:

o fracasso do discurso do “desenvolvimento” oficial;

a ausência de um projeto que fixe o jovem no território;

a incapacidade (ou falta de vontade política) de romper com o modelo colonial interno.

Caminhos possíveis (se houver vontade política)

Reduzir o êxodo exige decisões políticas claras:

investir em industrialização regionalizada;

fortalecer educação técnica e universidades no interior;

apoiar pequenas e médias cadeias produtivas locais;

romper com a lógica de governo voltado apenas a grandes grupos econômicos.

Conclusão

A migração de paraenses para o Sul é, na prática, um voto com os pés.

É o retrato de uma população que não encontra, em sua terra, o futuro que lhe é prometido em campanhas eleitorais. Artigo com informações de revistas especializadas e matérias jornalísticas 

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