Via Info Revolução por Douglas Diniz – Repórter Sem Fronteiras (RSF)Belém, PA - AEm Belém: tomógrafo parado há meses prejudica atendimento de centenas de pessoas no Pronto-Socorro do Guamá falta de um tomógrafo funcional no pronto-socorro do Guamá, em Belém, desde fevereiro, tem causado graves prejuízos no atendimento de centenas de pacientes que dependem do equipamento para diagnósticos precisos. A inoperância do aparelho, essencial para a rede municipal e até para pacientes de cidades vizinhas como Marituba e Santa Isabel, expõe a fragilidade da gestão da saúde no município e onera os cofres públicos com a regulação para a rede privada.
O tomógrafo parou de funcionar na noite de 18 de fevereiro, após um vazamento de óleo. Somente cerca de um mês depois, a equipe de engenharia da prefeitura de Belém concluiu que o problema era na ampola, sem apresentar, contudo, um prazo para o conserto do equipamento.
Desde a ativação do tomógrafo em 2020, o próprio setor de radiologia do pronto-socorro do Guamá já havia solicitado a celebração de um contrato de manutenção preventiva, dada a complexidade e o alto custo desse tipo de equipamento. No entanto, a gestão municipal nunca formalizou qualquer contrato, seja para a tomografia, seja para os demais aparelhos de radiologia da unidade. Tampouco existia um contrato de manutenção corretiva para situações emergenciais como a atual. “Antes da pane total, o tomógrafo já havia apresentado sinais de falha em 2024, ficando parado por aproximadamente 90 dias. A situação era do conhecimento da administração municipal, com servidores chegando a entregar documentos em mesa de negociação específica, através do Fórum das entidades, solicitando manutenção para todo o maquinário da prefeitura. Esse ponto foi inclusive tema da última reunião da mesa com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) em agosto de 2024, mas desde então, a secretaria não retomou as negociações para melhorias nas condições de trabalho e garantia de equipamentos e insumos para a população”, Afirmou uma servidora da unidade de saúde que não quis se identificar por temer represálias da administração do hospital.
A demanda por tomografias no pronto-socorro do Guamá é alta, atendendo cerca de 2.500 exames por mês, incluindo pacientes do próprio hospital, da rede municipal e de outros municípios. Com a paralisação do tomógrafo, o raio-X fixo de apenas uma sala tem realizado uma média de 150 exames por dia, um número muito inferior à necessidade da população e com limitações diagnósticas.
A ausência de um equipamento de diagnóstico por imagem essencial em um pronto-socorro é considerada uma falha grave na gestão da saúde. Há temor entre servidores municipais, ouvidos pelo Portal, de que “a inércia da gestão em solucionar o problema do tomógrafo seja uma estratégia para justificar a terceirização desses serviços na prefeitura, resultando em um desperdício ainda maior do erário público com o encaminhamento de pacientes para a rede privada”.
Enquanto isso, a população continua sendo regulada para hospitais e clínicas particulares, arcando o município com os custos, em vez de investir na manutenção e no bom funcionamento de seus próprios equipamentos.
O Portal não conseguiu estabelecer comunicação com a Sesma e a direção do Pronto Socorro do Guamá, apesar de buscar contato pelos canais oficiais.