segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Câmara de Ananindeua concede títulos de “Honra ao Mérito” e “Cidadão de Ananindeua”

A Câmara Municipal de Ananindeua realizará nessa quarta-feira (12)   solenidade para entrega dos títulos de “Honra ao Mérito” e “Cidadão de Ananindeua”. Esse ano, o evento será realizado no auditório Guará  do Seminário Pio X.
As honrarias são outorgadas a personalidades ou entidades com reconhecidas contribuições ao município. O título de “Honra ao Mérito” é dado a pessoas ou instituições com relevantes atividades para a sociedade ananindeuense. Já o título de “Cidadão de Ananindeua” é dedicado àqueles que, apesar de não terem nascido em Ananindeua, contribuíram e contribuem para o município. 
Dentre os agraciados desse ano, estão lideranças comunitárias, lideres religiosos, funcionários públicos, trabalhadores da saúde e da educação, empresários e voluntários em projetos sociais.
 A solenidade marca a última sessão da mesa diretora eleita para o biênio 2017-2018.



Serviço:
Sessão solene: Entrega dos títulos “Honra ao Mérito” e “Cidadão de Ananindeua”
Dia: 12 de dezembro de 2018
Hora: 18h
Local: Centro de Formação e Cultura Cristã – Seminário Pio X (BR 316 km 6)

domingo, 9 de dezembro de 2018

Personalidades destaque 2018

Dr. Daniel Santos,  se consolidou como político estadual, não só por sua eleição para Assembleia do Pará (ALEPA), como também pela sua gestão à frente da Câmara de Ananindeua. 
                     Daniela Barbalho, teve papel fundamental na eleição de Helder Barbalho para o governo. Tem luz própria, deve se consolidar como liderança política no estado.  
 Fátima Afonso, coordenadora do Centro Cultural e Biblioteca Rosa de Luxemburgo em Ananindeua. Vem realizando eventos de incentivo a leitura e a cultura em todo estado, sem apoio dos órgãos  públicos.

Alexandre Gomes, Secretário de Justiça e Direitos Humanos do estado do Pará, foi o primeiro vereador de Ananindeaua a assumir uma secretaria de estado.  Vem realizando um bom trabalho na SEJUDH. 

Deputado Miro Sanova,  um dos deputados mais atuantes do Pará, tem apresentado emendas e Projetos de Lei em benefício da população.
Fábio Figueiras, esteve à frente da secretaria de cultura do município de Ananindeua, realizou vários eventos culturais no município, foi o melhor Secretário da gestão Pioneiro. Vereador e deputado eleito. 
 Neto Vicente, foi o vereador mais atuante de Ananindeua no ano 2018.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Helder anunciou o secretário de Meio Ambiente

Helder anunciou Mauro O’ de Almeida (foto) para Secretaria de Meio Ambiente. Ele é mestre em Direito pela UFPA, Advogado da União e já chefiou a AGU no Pará. Até agora os indicados são de livre escolha do governador, sem indicações políticas.

Favorito para presidir OAB já travou embates com Bolsonaro e o chamou de fascista


Via site JOTA - Bolsonaro já disse que pai de Santa Cruz, desaparecido na ditadura, “deve ter morrido bêbado em algum acidente”

MATHEUS TEIXEIRA 
BRASÍLIA

Santa Cruz ao lado de Lamachia. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil
Historicamente, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já travou diversos embates com o Executivo e foi responsável por pedir o impeachment de três presidentes da República. Com a iminente troca de comando interno da entidade, a relação conflituosa com o Palácio do Planalto pode se acentuar.

Franco favorito para assumir a presidência nacional da entidade no próximo biênio, o presidente licenciado da OAB do Rio de Janeiro, Felipe Santa Cruz, tem como uma de suas principais bandeiras a defesa dos direitos humanos e já trocou farpas públicas com o presidente eleito Jair Bolsonaro. A troca de críticas entre os dois começou em 2011, quando o capitão reformado, então deputado federal, disse, em uma palestra na Universidade Federal Fluminense (UFF), que o pai de Santa Cruz, desaparecido no regime militar, “deve ter morrido bêbado em algum acidente de carnaval”.

O pai do advogado morreu em 1974, quando era militante do grupo “Ação Popular”. Foi preso pelo governo e nunca mais foi visto. Em 2012, no livro “Memórias de uma guerra suja”, o ex-delegado do Dops Cláudio Guerra revelou que o corpo de Fernando foi incinerado no forno de uma usina de açúcar em Campos.

O potencial presidente do Conselho Federal da OAB, por sua vez, já chamou Bolsonaro de “fascista” e, em 2016, chegou a pedir a cassação do deputado depois que ele homenageou o general Brilhante Ustra. O general chefiou o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão onde foram registrados ao menos 45 mortes e desaparecimentos.

O presidente eleito, inclusive, entrou em rota de colisão com a OAB antes mesmo de assumir o cargo, ao criticar o Exame de Ordem. A entidade emitiu uma nota para defender a realização da prova.

Em 2014, a troca de acusações entre os dois teve um dos pontos altos, quando o favorito para assumir o comando da OAB, ao fazer uma pergunta para o atual prefeito do Rio de Janeiro Marcello Crivella (PRB), em um debate para as eleições de governador do estado, criticou mais uma vez Bolsonaro.

“Preocupa muito que o senhor tenha citado um candidato que para nós expressa a frustração da população em geral e um sentimento de ódio que tomou parte dessa população”, disse. “O deputado Jair Bolsonaro, para mim um fascista, manifestou no último domingo uma pauta homofóbica, além de defender a redução da maioridade penal e a pena de morte, e teve meio milhão de votos. Quais são os limites do senhor em relação a esses temas?”.

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), que, neste ano, foi alvo de busca e apreensão por supostamente ter materiais contrários ao então candidato Bolsonaro, inclusive, leva o nome do pai do advogado: Fernando Santa Cruz.

Histórico
Santa Cruz foi presidente da OAB do Rio de Janeiro de 2013 até este ano, quando se licenciou do cargo para preservar a igualdade na disputa à sucessão, já que ele foi candidato a conselheiro federal na chapa vencedora, encabeçada por Luciano Bandeira.

Ele concorreu para o Conselho Federal porque, o presidente da OAB deve ser escolhido entre quem faça parte do colegiado. Na nota em que justificou a licença, ele anunciou a pré-candidatura e afirmou já ter o apoio de 26 seccionais.

Como as eleições estaduais estão em curso, pode haver troca de comando em alguns estados, mas integrantes do conselho dizem que é improvável que haja uma reviravolta a ponto de ameaçar a vitória de Santa Cruz.

Isso porque o pleito para presidir a OAB é diferente das disputas estaduais e municipais, em que todos filiados da Ordem podem votar. Na disputa federal, votam apenas os presidentes estaduais e os três conselheiros eleitos por cada unidade da federação.

Um eventual desgaste entre Santa Cruz e Bolsonaro deve dificultar um apoio do Executivo em relação ao avanço do Tribunal de Contas da União (TCU) para fiscalizar as contas da Ordem, um dos principais temas em debate na entidade.

Ronaldo Cramer, que assumiu a presidência da OAB fluminense com a licença de Santa Cruz, acredita que a entidade poderá ser uma frente de resistência a eventuais ações exageradas de Bolsonaro. “Não tenho dúvida de que ele será contrário a eventuais medidas autoritárias e arbitrárias que sacrifiquem garantias individuais. Fará da ordem uma trincheira da cidadania”, afirma.

Depois do segundo turno, sem citar Bolsonaro nominalmente, Santa Cruz publicou um artigo no jornal O Globo em que defende ser “hora da reconciliação”. “É preciso governar para todos, respeitar minorias, acalmar medos e dar esperança”, escreveu. “Para isso, será necessário esforço de todos, de quem ganhou e de quem perdeu”.

Por enquanto, defendeu Santa Cruz, “é hora de exercer o diálogo, pacificar relações de afeto, de reconstruir pontes, esperar o melhor dos homem e mulheres eleitos. Torcer de coração pelo sucesso de todos, mesmo daqueles que, por alguma razão, não foram nossos escolhidos”.

Relações
Apesar das desavenças com o futuro chefe do Executivo, o advogado tem boa relação com diversos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente com o conterrâneo Luiz Fux.

Atual desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Marianna Fux, filha do magistrado, foi indicada para a vaga do quinto constitucional na magistratura na lista sêxtupla da OAB-RJ, em 2016.

Advogados chegaram a impugnar a indicação dela, mas a OAB-RJ julgou o pedido improcedente por ter sido apresentado fora do prazo. Depois de compor a lista da OAB, ela teve 125 dos 180 votos de desembargadores do TJRJ. Assim, ficou em primeiro e compôs a lista tríplice encaminhada pela Corte ao então governador Luiz Fernando Pezão, que a nomeou para ser desembargadora.

Quem convive com Santa Cruz aponta como uma de suas principais qualidades o diálogo, além de sua capacidade de articulação. Isto foi visto quando, praticamente um ano antes do pleito, foi anunciado pelo atual presidente Claudio Lamachia como seu sucessor.

Formado em Direito pela PUC-Rio, ele é mestre em Direito e Sociologia pela Universidade Federal Fluminense e especializado em Direito do Trabalho e em Direito Administrativo.

Santa Cruz se envolve com movimentos políticos desde a faculdade, quando foi presidente do Centro Acadêmico de Direito e, depois, comandou o Diretório Acadêmico da universidade.

Entrou oficialmente para a política institucional da OAB em 2007, quando a chapa do atual deputado Wadih Damous (PT) derrotou Otávio Gomes, do grupo ligado aos irmãos Zveiter, que comandava a Ordem há mais de uma década. Na ocasião, Santa Cruz tinha 35 anos e ajudou a captar votos de advogados jovens para o petista.

Com isso, ganhou o cargo de diretor de Apoio às Subseções, que tem a função de auxiliar as entidades em âmbito municipal. Na ocasião, seus opositores afirmam que ele implementou um projeto de modernização das sedes das subseções.

No segundo mandato de Wadih, ascendeu ao comando da Caixa de Assistência da OAB-RJ, quando ajudou a resolver o passivo que o órgão tinha em relação ao seu antigo plano de saúde.

À frente da entidade, Santa Cruz também travou alguns embates com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Em um dos casos, teve mandado de segurança negado contra inquérito civil instaurado pelo MPT que investigava se um escritório de advocacia contratava advogados como sócios ou associados para mascarar o real vínculo empregatício e assinar a carteira de trabalho.

Em outro, conseguiu impedir que as 30 empresas do RJ listadas como maiores litigantes tivessem que apresentar contratos com escritórios de advocacia ao MPT.

A 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro concedeu liminar e anulou requisição do MPT por entender que a quebra do sigilo dos contratos só poderia ocorrer por decisão judicial e o Tribunal Regional Federal da 2ª Região confirmou a decisão.

Exame da Ordem
Um tema que suscitou debate entre Bolsonaro e a OAB antes mesmo de ele assumir o Executivo e pode voltar à tona durante o próximo mandato é o Exame de Ordem. Como deputado, ele chegou a apresentar um projeto de lei para extinguir a exigência de se fazer a prova da entidade.

Após ser eleito presidente, Bolonaro voltou a criticar o Exame. Ao comentar a possibilidade de aplicar o Revalida – prova de avaliação e qualificação exigida para médicos formados fora do Brasil – a estudantes formados no Brasil, ele associou a ideia ao teste da OAB.

“Eu sou contra o Revalida para os médicos brasileiros, senão vai desaguar na mesma situação que acontece na OAB. Não podemos formar jovens e depois submetê-los a ser boys de luxo em escritórios de advocacia”, afirmou o presidente eleito.

O atual presidente da Ordem, Claudio Lamachia, por sua vez, emitiu uma nota para rebater a afirmação de Bolsonaro.

“Seria importante o comprometimento do futuro governo contra o uso político do Ministério da Educação que tem patrocinado ao longo dos últimos anos um verdadeiro estelionato educacional ao autorizar o funcionamento de faculdades de direito sem qualificação, contrariando pareceres da OAB e os interesses de toda a sociedade”, disse.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O general, o deputado e o motorista

                  Os Bolsinhos

Muito se falou nessa semana sobre a derrota de Onyx Lorenzoni – o futuro chefe da Casa Civil colocado sob a mira do general Santos Cruz por Bolsonaro. Seu papel como articulador no Congresso foi atropelado pelo general, que adentrou o Planalto anunciandoque vai acabar com o “toma lá, dá cá” entre governo e parlamento. “Se você for raciocinar, para fazer o trabalho certo não tem dificuldade nenhuma, só ser norteado por bons princípios”, disse o general.

A frase soa ingênua para quem tem acompanhado os movimentos do Congresso brasileiro nas últimas décadas. Mas pode não ser. A aparente candura do general contrabalança a presença de Onyx (contra quem na terça-feira o STF abriu investigação por caixa 2 em doações eleitorais) em um governo eleito com a bandeira anticorrupção. Ontem, o repórter Fausto Macedo noticiou que um cheque de 24 mil reais compensado em favor de Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama, foi encontrado em uma conta com movimentação considerada suspeita pelo Coaf.

O titular da conta é um ex-assessor de Flávio Bolsonaro, o policial militar Fabrício José Carlos Queiroz – segurança e motorista do então deputado, filho do presidente eleito. Queiroz movimentou 1,2 milhão de reais na conta entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Segundo o Coaf, “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor, que recebia pouco mais de 8,5 mil reais como funcionário da Alerj. Ele foi exonerado em 15 de outubro passado por Flávio, pouco depois de ele se eleger para o Senado.

Vale a pena acompanhar essas histórias – a do deputado com a cabeça na bandeja, a do general que diz que vai enquadrar o Congresso, e a do cheque de Michelle flagrado pelo Coaf na conta do ex-motorista. Afinal, quem pretende comandar também o Coafé outro símbolo anticorrupção do governo, o superministro Sérgio Moro.

A conduta do ex-juiz – inclusive em relação às informações que serão ou não repassadas à imprensa – pode ser a prova de fogo para sua reputação, chamuscada durante sua rápida transição do Judiciário para a política – logo depois de, às vésperas das eleições, tornar pública a delação de Palocci, o ex-ministro do PT, partido que disputava as urnas com o PSL do capitão reformado eleito.
Marina Amaral, codiretora da Agência Pública

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

"O momento é de juntar e partir para a luta", diz sucessor de Dorothy Stang


José Amaro Lopes de Souza, o padre Amaro, sucessor da missionária americana Dorothy Stang, assassinada no Pará em 2005
Imagem: Repórter Brasil  

Repórter BrasilJosé Amaro Lopes de Souza, o padre Amaro, sucessor da missionária americana Dorothy Stang, assassinada no Pará em 2005Imagem: Repórter Brasil

Daniel Camargos
Da Repórter Brasil, em Altamira (PA)
Sucessor de Dorothy Stang, o padre Amaro Lopes, da CPT (Comissão Pastoral da Terra), concede entrevista pela primeira vez desde que foi preso, em março deste ano. Amaro ajuda a organizar os trabalhadores rurais no Sudoeste do Pará e é acusado de cinco crimes pelo Ministério Público. As denúncias são encampadas pelo presidente do Sindicato Rural de Anapu
Padre Amaro Lopes de Souza, de 51 anos, ficou 92 dias preso entre março e junho deste ano. Principal escudeiro da missionária norte-americana Dorothy Stang – assassinada em 2005 quando tinha 73 anos –, sucedeu a religiosa como referência para os trabalhadores rurais sem terra que tentam a posse de áreas públicas em Anapu, às margens da rodovia Transamazônica, no Pará.

Acusado de associação criminosa, ameaça, extorsão, invasão de propriedade e lavagem de dinheiro, o padre teve habeas corpus concedido no final de junho e aguarda a decisão em liberdade condicional. Não pode celebrar missas nem se reunir com mais de cinco pessoas. O processo contra Amaro tem à frente Silvério Fernandes, madeireiro e presidente do Sindicato Rural de Anapu. O irmão de Silvério, Laudelino Délio Fernandes, confessou ter ajudado na fuga de um dos mandantes da morte de Dorothy, mas não foi condenado.
“Eles (a família Fernandes) se dizem donos dessas terras”, afirma o padre.
O processo, segundo Amaro, se deve aos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), uma bandeira de Dorothy que Amaro seguiu defendendo. O modelo consiste em assentar pequenos agricultores em lotes de terra destinando 20% para a produção e 80% para o manejo florestal comunitário, o que contraria os interesses de madeireiros. Nos últimos três anos, foram 15 assassinatos de camponeses em Anapu, segundo a Comissão Pastoral da Terra.
Nascido no Maranhão, o padre conheceu Anapu em 1989, quando era seminarista, e estagiou na cidade convidado pela irmã Dorothy. “Quando ela falou desse novo modelo de sociedade que estava se construindo no Anapu e contou das associações e das comunidades, eu me apaixonei por aquilo”, recorda, com a mesma voz mansa da religiosa.
A decisão de ser padre, contudo, veio bem antes, em 1986, quando escutou a notícia da morte do padre Josimo Tavares, coordenador da CPT assassinado a mando de fazendeiros em Imperatriz, no Maranhão. “Aquilo me incomodou muito. Ele subindo a escadaria, os caras chegaram e meteram bala nele. Eu disse que ia entrar para o seminário, ia ser padre e ia trabalhar nessa mesma entidade que ele trabalhava. Eu nem sabia o que era CPT”.
O padre Amaro tem trejeito de quem pensa mais rápido do que fala. Não deixa pergunta sem resposta e estampa no peito sua luta. Da primeira vez que foi entrevistado pela Repórter Brasil, em novembro deste ano, em Anapu, usava uma camisa de Dom Romero, o arcebispo de San Salvador assassinado há 38 anos por defender trabalhadores rurais de El Salvador e canonizado em outubro. Na segunda, no dia de audiência no Fórum de Anapu, quem estampava a camiseta era a foto da  irmã Dorothy. Na terceira, quando a entrevista foi realizada na sede da Prelazia do Xingu, em Altamira, a camiseta era de Nelson Mandela. “Levo um ensinamento que aprendi lendo a biografia dele. Transformar toda a raiva em luta”, disse o padre.
Repórter Brasil - Por que há tantos conflitos entre os trabalhadores acampados e assentados contra os grileiros, madeireiros e posseiros em Anapu?
Padre Amaro - Anapu foi projetado para ser um grande pólo agropecuário. Não foi projetado para ser um local de desenvolvimento sustentável. Por que eles mataram a Dorothy? Mataram porque ela batalhou pelos Projetos de Desenvolvimento Sustentáveis (PDS).
O seu principal acusador é o Silvério Fernandes, presidente do Sindicato Rural de Anapu. Ele acusa o senhor, entre outras denúncias, de liderar uma organização criminosa para invadir as terras na cidade.
A família Fernandes fez parte do consórcio que matou a Dorothy (Laudelino Délio Fernandes foi apontado como facilitador da fuga de Vitalmiro Matos de Moura, o Bida, um dos mandantes). Eles (os Fernandes) se dizem donos dessas terras. Qual a raiva que se tem? É  que o PDS foi criado dentro da área que o Délio tinha vendido para o Taradão (Regivaldo Pereira Galvão, que foi condenado como o outro mandante da morte de Dorothy). O Taradão vendeu para o Bida e eles mandaram matar a Dorothy. Esse consórcio matou a a Dorothy.
(“Não teve nada disso”, afirmou Silvério sobre as acusações do padre - leia mais no final da entrevista.)
O que o senhor tem a dizer sobre a acusação de liderar uma organização criminosa?
Achei interessante quando o Francisco (uma das testemunhas de defesa no processo do padre) estava dando depoimento. Ele é um professor e me conhece há 30 anos e disse: “Eu não conheço o Amaro que vocês estão pintando”.
Se eu fiz alguma coisa de errado foi encaminhar o povo para buscar seus direitos no Ministério Público, na Defensoria Pública e em outros órgãos, pois muitas das vezes as pessoas eram ameaçadas, eram mortas e ficava por isso mesmo
A delegacia de polícia de Anapu nunca gostou de trabalhador. Tem um peso e duas medidas. isso a gente denunciava. Por que aconteceu isso com a Dorothy? Por que aconteceu comigo? Por que tem a retaliação em cima da CPT e das irmãs? É porque nós não conseguimos nos calar diante das injustiças. Se eu fiz algo de errado foi ajudar a colocar a terra na mão do trabalhador e da trabalhadora. 
O senhor teme ser assassinado, como aconteceu com a Dorothy?
Eu desconfio que eles armaram para me matar dentro da cadeia. Fiquei 92 dias preso. Quando eu cheguei lá, o Taradão estava lá dentro. Foi ele que me deu Feliz Páscoa primeiro. Eu não disse nada nem estendi a mão. Ele disse: “Você é inocente. Eu sou inocente. Foi uma coisa que armaram para nós”. Nas quatro vezes que a gente se cruzou ele falou isso para mim. Quando saiu o habeas corpus dele, ele disse: “Padre, clareou para mim e vai clarear para você também”. Quando ele saiu, passou na frente da minha cela e se despediu. Naquele período que eu estava ali houve rebelião em Belém, Itaituba, Marabá e não houve aqui em Altamira. Só teve depois que eu saí. Eu desconfio que eles me matariam durante a rebelião.
Além da denúncia de liderar as invasões, o senhor também foi acusado pela Polícia Civil de assédio sexual. Chegaram a espalhar um vídeo íntimo do senhor. Foi uma tentativa de assassinato moral?
Eu, com 51 anos, se quisesse fazer alguma coisa não ia fazer isso filmando. Foi difícil, mas quem me conhece, como os próprios bispos, entenderam e disseram que não queriam ouvir falar nisso. A promotora, inclusive, tirou isso da acusação feita pelo delegado do processo. Eles pensaram que o pessoal da cidade ia ficar revoltado comigo. Você viu como é o povo comigo lá em Anapu? (No dia da segunda audiência, quando chegou na porta do Fórum, o padre foi abraçado por várias pessoas da cidade). Eu tenho ciência dos meus atos. Quando terminar esse negócio eu quero entrar com pedido de danos morais.Enquanto o senhor estava preso, o irmão de Silvério, o Luciano Fernandes, foi assassinado em Anapu. A família chegou a atribuir a morte ao senhor, apesar da investigação de a polícia descartar essa hipótese.
Em momento algum eu chorei quando fui preso. Aquele monte de carro que levaram para me prender como se eu fosse um bandido. Colocaram o nome na operação de “Crime do Padre Amaro” para dar aquela visibilidade. Doído foi ficar sentado no balde, desses de margarina, que é baixo e deixa o joelho dolorido, e ainda escutar o Silvério dizer que tinha certeza que eu que tinha mandado matar o irmão dele.
Silvério gravou um vídeo no dia da morte do irmão (20 de maio) pedindo ajuda ao então candidato à presidência Jair Bolsonaro e relacionando a morte com conflitos com a disputa por terra.
Ele queria nos prejudicar de uma forma ou de outra. Primeiro, ele jogou a questão moral, a promotora tirou e não colou. Depois ele jogou essa.
A acusação do MP diz que o senhor recebeu depósitos na sua conta. Há quem diga que o senhor teria chantageado adversários. Isso aconteceu?
Quando fui preso, eu tinha R$ 330 na minha conta. No início, aqui em Anapu, eu ganhava quatro salários [mínimos], com plano de saúde. Pelas contas que o advogado fez, era para eu ter mais patrimônio. Depois caiu para dois salários e tivemos que pagar pelo plano de saúde. Nunca recebi dinheiro da mão desse homem, do Silvério Fernandes. A questão deles é para dizer que era uma organização criminosa.
E a acusação de invasão de propriedade?
Nesses anos que estou no Anapu o pessoal ocupou terra, sim. Mas se alguém disser que eu liderei é mentira. A Comissão Pastoral da Terra é uma entidade ligada à Igreja Católica. O papel nosso é dar assessoria aos trabalhadores e trabalhadoras rurais em qualquer tipo de situação em que eles estejam. O trabalho da CPT é dar assessoria e mostrar que o pessoal que ocupa uma terra pública, da União, é porque tem direito a um pedaço de terra para trabalhar. O papel da CPT é esse, dar formação. O papel não é fazer por eles, mas ajudá-los a andar com seus próprios pés.
Qual o papel do senhor nesse movimento?
Vou te dar um exemplo. Você conheceu a Mata Preta [projeto de assentamento em Anapu]. Lá eram quatro glebas de terra na mão de um senhor apenas. Agora são 260 famílias. Até eles conseguirem ficar lá as casas foram queimadas várias vezes.
É duro chegar, ver um pai de família dentro do capim com seus filhos, a casa queimada, ainda fumaçando, e ao olhar para a sede ver que lá dentro está cheio de guachebas (pistoleiros)
Eu fui lá tentar mediar. Naquele momento, eu sabia que podia ter pegado uma bala, mas naquela hora de descaso e tristeza, superei tudo e fui conversar com os guachebas, que ficaram de deboche. Eu disse para eles: “Mas se está na Justiça, por que vocês fazem uma covardia dessas?”. Eles responderam que a terra não era deles. Eu disse: “Está na Justiça! Se a Justiça disser que é do patrão de vocês, tudo bem”.
Qual a estratégia para lidar com o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro? Ele quer a aprovação da lei para criminalizar os movimentos sociais que lutam por reforma agrária.
Vamos sentar, a CPT e todas as entidades, e ter paciência, resistência e união. Temos que dar as mãos independente da sigla de cada unidade. O girassol, quando nasce, durante o dia, procura o sol. No momento de frio, quando o sol não aparece, o que ele faz? Ele vira um para o outro, se aquece e não morre. Será que não estamos olhando cada um para um lado e defendendo a própria bandeira ou entidade? O momento é de juntar e partir para a luta. Acreditar na vida mesmo quando todos desacreditam. Resistir onde quer que você esteja. Acreditar no pequeno, pois eles têm suas estratégias de luta e resistência. Muita coisa que vem de cima, nos pacotes, não tem sustentabilidade nem se segura. Quem segura é quem está na base.
A irmã Dorothy assassinada, o senhor preso, 16 assassinatos de trabalhadores que lutam pela terra em três anos. Vale a pena essa luta toda?
Vale. Você nem imagina. Quando começou a construção dessa barragem [Belo Monte], veio muita gente, muitos ficaram na rua, pedindo comida. De repente, essas pessoas acharam um pedaço de terra. Se for para morrer defendendo esse povo, eu acho que estou pronto.
Outro lado“Não teve nada disso”, afirma Silvério sobre as acusações do padre. O madeireiro disse que o nome dele e do irmão “foram ventilados” na época da investigação, mas que nada foi comprovado. 
 

Explodiram um caixa eletrônico do Banco do Brasil da Arterial 18

Na madrugada desta quinta-feira (06) um dos caixas eletrônicos do Banco do Brasil, foi explodido, isso na principal Av. da Cidade Nova (Ananindeaua-Pa). Não se tem informações quanto foi levado. Hoje o Banco não abriu para os clientes.