domingo, 18 de fevereiro de 2018

Pará: Lula tem 43% mesmo após condenação

Via Dol Online                                    Presidência da República
Dois cenários de intenções de voto para presidente da República foram testados pela pesquisa IBOPE Inteligência: um com o candidato Luís Inácio Lula da Silva, e outro sem o ex-presidente do PT.
Na primeira simulação, Lula lidera ao ser mencionado por 43% dos paraenses, enquanto Jair Bolsonaro (PSL) fica em segundo com 16% das intenções dos entrevistados e Marina Silva (REDE) em terceiro com 9%.
Outros pré-candidatos - Ciro Gomes, do PDT, Geraldo Alckmin, do PSDB, Joaquim Barbosa, sem partido, Alvaro Dias, do PODEMOS, Fernando Collor de Melo, do PTC, Henrique Meirelles, do PSD, Paulo Rabello de Castro, do PSC, Rodrigo Maia, do DEM, e João Amôedo, do NOVO - têm até 4% de menções cada um.
Os pré-candidatos Levy Fidelix, do PRTB, e Manuela D’Ávila, do PCdoB, não atingem 1% das intenções de voto.
Eleitores paraenses que declararam intenção de votar em branco ou anular o voto são 11% e aqueles que preferem não opinar totalizam 6%.
No segundo cenário levantado, sem a presença de Lula, Marina Silva e Jair Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro da pesquisa, com 21% e 18% das intenções, respectivamente.
Em terceiro, aparece Ciro Gomes, com 10%, e Geraldo Alckmin, em quarto, com 6% das intenções. Em seguida são citados Joaquim Barbosa (5%), Fernando Collor de Melo (3%), Alvaro Dias (2%) e Rodrigo Maia (2%).
Henrique Meirelles, Levy Fidelix, Fernando Haddad e Manuela D´Ávila e João Amôedo aparecem com 1% das menções de voto, cada um. Já o candidato Paulo Rabello de Castro não atinge 1% das intenções de voto.
O percentual de eleitores paraenses que declaram a intenção de votar em branco ou anular o voto para Presidente é de 18%, enquanto 10% dos eleitores se declararam indecisos.
Voto espontâneo para a Presidência
Espontaneamente, Lula é mencionado por 26% dos entrevistados, enquanto Jair Bolsonaro é citado por 12%. Os demais pré-candidatos (Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin) têm até 2% das menções cada um.
Outros pré-candidatos com menos de 1% somam juntos 2% das menções. Eleitores com a intenção de votar branco ou anular o voto são 10% e quase metade dos entrevistados (45%) prefere não opinar.
Leia mais dados da pesquisa na edição de domingo do jornal DIÁRIO DO PARÁ.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Greve: Bancários do Pará param segunda (19)

   
 Via Sindibancarios-Pa
Com ou sem intervenção militar, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 287/2016 sobre a ‘reforma’ da Previdência deve ser votada ainda em fevereiro, na Câmara dos Deputados, já que segundo o próprio presidente da Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), ‘o prazo-limite para análise da ‘reforma’ é este mês’.
Por isso, lá em Brasília, a mobilização da base aliada segue em peso para conseguir os votos necessários (308), e por aqui, pelo Pará, bancários e bancárias aprovaram, por unanimidade, a adesão à greve geral contra o fim da aposentadoria, durante assembleia na noite da última quarta-feira (14) na sede do Sindicato em Belém.
“O total de votos necessários ainda não está garantido, graças ao enfrentamento que estamos fazendo em todo o país, por isso é importante parar no dia 19 para que possamos um dia ter o direito a nossa tão sonhada aposentadoria, ou do contrário, é capaz de morrermos e não conseguirmos nos aposentar”, destaca o presidente do Sindicato e bancário do BB, Gilmar Santos.
Nova alteração
O relator da ‘reforma’ da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA), apresentou, no último dia 7, um novo texto com mudanças na PEC 287-A. A emenda aglutinativa traz alterações na proposta nos itens sobre trabalhadores rurais, Benefício de Prestação Continuada (BPC), redução de tempo de contribuição e aposentadoria para cônjuges de policiais mortos em combate.
Essa não é a primeira alteração, uma proposta havia sido apresentada em dezembro do ano passado, porém, teve dificuldade para ser aprovado no plenário da Câmara. Isso fez com que o governo enxugasse a proposta mais uma vez.
Pontos de concentração
Belém: A partir das 8h no Banco do Brasil da Av. Presidente Vargas;
Marabá: Panfletagem em frente ao INSS a partir das 7h30. Em seguida, audiência na Câmara Municipal de Marabá;
Demais cidades: Se sua agência parar, manda foto para comunicacao@bancariospa.org.br. Não esqueça de baixar aqui o material para fixar na porta da sua  unidade e vamos à luta!

Fonte: Bancários PA com informações da CUT Nacional, Contraf-CUT e Câmara dos Deputados

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Militares no banco dos réus

Família Rubens Paiva


Via Agência Pública                            Enquanto o Carnaval ocupava corpos, mentes e as telas de TV a atitude da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, passou quase despercebida. Na terça-feira que antecedeu à folia, ela pediu à presidente do STF, Carmen Lúcia, para que derrube liminar suspendendo a ação penal na Justiça contra o general reformado José Antônio Nogueira Belham, ex-chefe do DOI/Codi do I Exército, e mais quatro oficiais envolvidos no assassinato e desaparecimento de Rubens Paiva, em janeiro de 1971. Ela também pediu que o STF volte a discutir o alcance da Lei da Anistia, reconhecendo a “imprescritibilidade dos crimes de tortura” e “a natureza permanente do crime de ocultação de cadáver”.
Na quarta-feira passada, o Estadão publicou uma nota dizendo que a alta cúpula do Exército reagiu mal à atitude de Dodge. Segundo o blog da colunista Andreza Matais, na avaliação do comando da Força, a procuradora “cria uma instabilidade desnecessária no momento em que o Brasil precisa da união”.  O que nos leva à pergunta: rever os crimes de um regime autoritário enquanto há culpados vivos não seria condição para essa união? Afinal, o candidato a presidente em segundo lugar nas pesquisas é apoiado por jovens, que desconhecem esse passado, e pedem a volta da ditadura militar.
Os militares foram os únicos a ficar de fora da famigerada – e quase morta – reforma previdenciária. Aqueles que participaram dos crimes que deixaram 434 mortos – dos quais 210 ainda estão desaparecidos – continuam recebendo suas aposentadorias – ou as receberam até a morte legando-as a mulheres e filhas – sem nenhum tipo de punição.
Enquanto isso, o país se arroga a julgar o regime da Venezuela como ditadura mas sem conceder a condição de refugiados aos que cruzam a fronteira. Até o momentotudo o que presidente Michel Temer fez foi enviar as Forças Armadas para Roraima, sob duras críticas dos órgãos de direitos humanos.
A democracia brasileira não passa ainda de fantasia, rasgada na avenida pelas campeãs do Carnaval do Rio.

Marina Amaral, co-diretora da Agência Pública

Eleições 2018: Google e Facebook, os vencedores

Por Dornélio Silva (*)


As eleições de 2018 já apontam os primeiros vencedores: Google e Facebook. Isso mesmo. O Congresso aprovou no final do ano passado a legislação sobre as eleições de 2018, proibindo a campanha paga na Internet. Mas, os deputados abriram duas exceções: uma para o Facebook e outra para o Google.


Pela legislação aprovada, comete crime eleitoral o candidato ou partido que colocar um banner ou um conteúdo pago nos portais, blogs e sites brasileiros.


O artigo 57-C da lei eleitoral diz o seguinte: “É vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdo, desde que identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos, coligações e candidatos e seus representantes”.


“Impulsionamento de conteúdo” é uma expressão já popularizada pelo Facebook. Quer dizer: pague que o Facebook se responsabiliza em massificar seu conteúdo pela rede.


Os portais ou blogs brasileiros não possuem mecanismo de impulsionamento de conteúdo. Mas o que, de fato, é esse tal de impulsionamento? É a distribuição de um conteúdo: escrito, sonoro ou um vídeo na rede social.


Entendendo melhor: o Facebook é gerenciado por algoritmos que não permitem que todos os seguidores de uma página visualizem o conteúdo que foi publicado. O algoritmo escolhe um percentual mínimo de pessoas que poderá ver um conteúdo publicado. No entanto, os responsáveis pela página ou pelo perfil podem pagar para que todos vejam. Vai mais além: podem escolher determinados públicos que receberão em sua timeline o conteúdo pago, ou seja, impulsionado. Deu pra entender?


Pois bem, os senhores deputados aprovaram uma lei que proíbe propaganda paga na televisão, no rádio, nos portais, nos blogs, menos no Facebook. O entendimento dos deputados em proibir propaganda paga na TV, por exemplo, segue aquele princípio de coibir ou reduzir o poder econômico. Entretanto, esse princípio foi abandonado no caso do Facebook.


O candidato que não tiver recursos para impulsionar seus conteúdos terá um freio algorítmico do que publicou. Na verdade, quem pagar terá seu conteúdo visto pelo público-alvo escolhido. Se não pagar, o algoritmo definirá o número de pessoas que poderá ver a publicação.


E o Google, como foi beneficiado pelo legislador? Veja o artigo feito para contemplar o Google: “Art. 26. (…) § 2o. Para os fins desta Lei, inclui-se entre as formas de impulsionamento de conteúdo a priorização paga de conteúdos resultantes de aplicações de busca na internet”.


Perceba-se que impulsionar conteúdos para o legislador brasileiro é também vender os resultados de uma busca ou “priorizar” o conteúdo que você verá primeiro na lista de resultados.


Veja a “amarração” que o legislador fez nesse parágrafo do artigo 57-B da lei em vigor: “§ 3o É vedada a utilização de impulsionamento de conteúdos e ferramentas digitais não disponibilizadas pelo provedor da aplicação de internet, ainda que gratuitas, para alterar o teor ou a repercussão de propaganda eleitoral, tanto próprios quanto de terceiros”. Se um candidato com apoio de amigos da computação, hackers, geeks e makers fizerem uma ferramenta de distribuição de conteúdo irão violar a lei. Isso quer dizer que você só pode usar ferramentas oferecidas pelo “provedor de aplicação da internet”, ou seja, pelas empresas que vendem impulsionamento.


O pesquisador digital e professor da UFABC, Sérgio Amadeu da Silveira, sugere que “se você tem um blog ou um site que você crie um mecanismo de circulação de conteúdos entre os seus leitores. Um site ou um blog é uma aplicação da Internet. Como não dava para dizer que nas eleições, só valeria fazer propaganda paga no Facebook e no Google, eles tiveram que falar ‘só é permitido impulsionar conteúdo e priorizar resultados de busca’. Isso é genérico. Vamos utilizar a boa técnica do hacking. Os blogs e sites de empresas nacionais de comunicação podem montar redes e chamar isso de impulsionamento de conteúdos”.


Sérgio Amadeu vai mais além, dizendo que “será necessário montar um sistema rigoroso e transparente de informação da Justiça Eleitoral para informar quem está impulsionando o conteúdo pago. Pronto, o hacking funciona. Não vamos permitir que apenas duas plataformas dominem a visualização de conteúdos e a propaganda na internet”.


“Acho que os deputados foram longe demais no entreguismo e na priorização do poder econômico invisibilizado pelos algoritmos”, conclui o pesquisador.


(*) Mestre em Ciência Política e diretor da Doxa Comunicação Integrada

O prefeito de Ananindeua vai aprovar a tarifa de R$ 3,30?

O Conselho Municipal de Transportes aprovou, nesta quinta-feira (15), o aumento da passagem do transporte coletivo de Belém. Com isso, a tarifa subirá para R$ 3,30. Agora saber se Ananindeua vai aprovar

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Câmara de Ananindeua inicia o período legislativo de 2018 na terça já (20)

A Câmara de Ananindeua  começa o ano Legislativo de 2018 na terça-feira (20). A casa de lei tendo  a frente o vereador Dr. Daniel Santos,  no ano passado debateu e aprovou Projetos de Lei,  requerimentos e realizou Audiências Públicas com temas de relevância municipal, estadual e nacional. 
Este ano a casa terá um grande debate, a revisão do Plano Diretor do Município.  A expectativa para o início dos trabalhos é que a casa de lei Ananin, mantenha o nível político, que a elevou a ser o melhor legislativo municipal do estado.

As críticas de Tuiuti e Beija-Flor vencem carnaval 2018

Jornal GGN - Beija-Flor e Tuiuti, cada uma abordando de uma forma a crítica, foram as vencedoras do carnaval no Rio de Janeiro. A Beija-Flor abordou a corrupção, ficando com 269,6 pontos. Em seguida veio a Paraíso do Tuiuti, com 269,5 pontos. A Paraíso do Tuiuti conseguiu um grande feito, levou consigo a preferência do público.

Paraíso do Tuiuti fez uma crítica contundente ao atual momento brasileiro. A escravidão que foi abolida é reeditada com as ações do governo Michel Temer. Uma apoteótica crítica social e um samba-enredo que vai entrar para o olimpo daqueles inesquecíveis.

Abaixo, artigo de Miguel MArtins, da CartaCapital, sobre as críticas potentes das duas escolas no carnaval do Rio 2018:

Por Miguel Martins


Da CartaCapital

A primeira escola elegeu a escravidão como raiz de nossos problemas. A segunda contou a história do Brasil a partir dos desvios morais

Os desfiles das escolas Paraíso do Tuiuti e Beija-Flor de Nilópolis na Sapucaí chamaram atenção pela dimensão política dos sambas-enredo e por referências nada sutis ao atual estado do País.
Em sua apresentação na madrugada da segunda 12, a primeira retratou manifestantes de verde e amarelo em trajes de pato e manipulados por um vampiro presidente inspirado em Michel Temer. Enalteceu ainda os "guerreiros da CLT", representados nas fantasias como uma espécie de deus Shiva dos trabalhadores, munido de martelo, foice e outros instrumentos em seus quatro braços. Os integrantes da ala carregavam ainda uma enorme carteira de trabalho avariada, uma crítica à reforma trabalhista aprovada no ano passado.  
Já a Beija-Flor "ergueu" o Congresso e o prédio-sede da Petrobras em um de seus carros alegóricos na madrugada desta terça-feira 13. Tomado pela criminalidade, o edifício da estatal transforma-se aos poucos em uma favela: a pobreza como consequência da corrupção. O saque à Petrobras é acompanhado de perto por corruptos com panos na cabeça, uma clara alusão à "farra dos guardanapos" do ex-governador  Sérgio Cabral, hoje preso, e de seus ex-secretários com o empreiteiro Fernando Cavendish.  
Vigorosos no carnaval de rua, os temas políticos ganham força na Sapucaí em reflexo do ano eleitoral e de um País dividido sobre diversos temas, a começar pela narrativa mais apropriada para explicar o atual drama brasileiro. Os desfiles da Paraíso do Tuiuti e da Beija-Flor não se resumiram aos fatos atuais, mas adotaram abordagens históricas distintas da formação brasileira.



O início do desfile da Beija Flor trouxe alegorias que remontam à história do doutor Frankenstein, escrita há 200 anos, e a relação entre o criador e sua criatura. O monstro de Frankenstein, no caso, é o próprio Brasil. 

Na sequência da apresentação, surgem as alas dos piratas e dos espólios, das santinhas do pau oco usadas para sonegar impostos da Coroa no ciclo da mineração, dos ratos e abutres que integram a "quadrilha da mamata" instalada no poder. O desfecho dessa parte é a ala dos roedores dos cofres públicos, que abre o caminho para a alegoria da Petrobras e dos corruptos atuais. 
O ponto de partida da Tuiuti é a escravidão. Chamada "Grito de Liberdade", a comissão de frente trouxe negros escravizados que libertam-se por meio da força dos seus ancestrais. Em seguida, o desfile traz temas da história geral e brasileira do cativeiro, até relacionar a perda de direitos trabalhistas na atualidade com a herança escravista de superexploração do trabalho no Brasil. 
As escolas optam por caminhos distintos, que estão por trás de um debate relevante sobre nossa história. A alegoria do País da corrupção trazida pela Beija-Flor é uma das interpretações mais antigas de nossa historiografia. Escrito nos anos 1920, "Retrato do Brasil" de Paulo Prado, buscava explicar a suposta tendência nativa ao desvio moral em razão do tipo imoral de europeu que nos colonizou.
"No Brasil, logo nos anos que se seguiram ao descobrimento, se fixaram aventureiros em feitorias esparsas pelo litoral. Eram degredados que abandonavam nas costas as primeiras frotas exploradas, ou náufragos, ou gente mais ousada desertando das naus, atraída pela fascinação das aventuras. Dessa gente, raros eram de origem superior e passado limpo", escreve Prado.
Mais à frente, intelectuais como Sergio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro também buscariam em nossa colonização razões para nossos desvios civilizatórios, embora com interpretações muito mais robustas. Rejeitado na academia atualmente, o argumento de Prado sobre a degeneração e nossa suposta essência corrupta por vezes se reproduz no senso comum, sendo tratado como verdade absoluta por grande parte da população em meio às investigações da Lava Jato. 
Se a Beija-Flor foi a porta-bandeira da tese do "País da corrupção" na Sapucaí, a Paraíso do Tuiuti alinhou-se com uma interpretação acadêmica que ganhou força nas últimas décadas: mais do que a corrupção, a preservação do sistema escravista e da superexploração do trabalho é a principal característica das elites econômicas da Colônia e do Império.
Nas últimas décadas, diversos historiadores buscaram consolidar a escravidão como tema definitivo de nossa formação social e cultural, a exemplo de Luiz Felipe de Alencastro, que aborda em "Trato dos Viventes" a construção do império ultramarino português a partir das redes comerciais no Atlântico Sul, notadamente às do tráfico negreiro. Um dos principais críticos atuais da tese do "País da corrupção", o sociólogo Jessé Souza costuma afirmar que a escravidão é o principal pilar da nossa formação histórica, e não os desvios éticos, comuns a todos os povos. 
Embora partam de pontos de vista distintos, as abordagens históricas das duas escolas também se entrecruzam. As alas destinadas a retratar a corrupção no início do desfile da Beija-Flor dão lugar a alegorias e fantasias contra a intolerância e o preconceito.
Temas como a xenofobia, a discriminação, o feminícidio e a apresentação do carnaval como espaço da redenção democrática ganham espaço. O abandono dos filhos "da pátria que os pariu", tema do desfile da escola de Nilópolis, não é apenas fruto da corrupção, mas também das violências simbólicas contra as minorias. 
Por outro lado, a corrupção não está ausente do desfile da Tuiuti. Pelo contrário: enquanto a comissão de frente aborda a escravidão, o último carro alegórico a passar pela Sapucaí não traz apenas um vampiro presidente. Rodeado de notas de dinheiro, o sangue-suga está a serviço do enriquecimento ilícito.
O combate à corrupção surge no desfile da Tuiuti não como ponto central de nossa formação histórica como povo, mas como um discurso muitas vezes utilizado por integrantes da elite, também corruptos, para manipular a opinião pública contra seus algozes. 

A discussão sobre o Brasil estar assentado principalmente na corrupção exposta pela Beija-Flor ou na exploração denunciada pela Paraíso do Tuiuti não se encerra em um simpósio de historiadores ou em um desfile de carnaval. O fato de duas escolas terem transformado esse debate em festa e música mostra, porém, que os problemas do País não são mais adiados para a quarta-feira de cinzas.