terça-feira, 22 de janeiro de 2019

BOLSONARO FAZ DISCURSO SUPERFICIAL E RECHEADO DE FAKE NEWS EM DAVOS

  


Via 247 - Foi um pequeno desastre de seis minutos o discurso de estreia de Jair Bolsonaro em eventos internacionais, ao abrir nesta terça-feira a sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça; não há precedente de um presidente brasileiro antes dele ter apresentado um discurso tão superficial e recheado de fake news como o de Bolsonaro; a estreia ainda foi ofuscada pela prisão na manhã desta terça de milicianos ligados a seu clã no Rio de Janeiro, com suspeita de estarem envolvidos no assassinato de Marielle Franco


Foi um pequeno desastre de seis minutos o discurso de estreia de Jair Bolsonaro em eventos internacionais, ao abrir nesta terça-feira (22) a sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Não há precedente de um presidente brasileiro antes dele ter apresentado um discurso tão superficial e recheado de fake news como o de Bolsonaro. A estreia ainda foi ofuscada pela prisão na manhã desta terça de milicianos ligados a seu clã no Rio de Janeiro, com suspeita de estarem envolvidos no assassinato de Marielle Franco (aqui).


Bolsonaro tentou apresentar ao mundo a versão de que teria sido eleito "sendo injustamente atacado a todo tempo", quando teve o apoio unânime de toda a imprensa conservadora do país e um esquema monumental nas redes sociais, financiado ilegalmente por um grupo de empresas.  

A seguir, afirmou: "Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados". A frase, além de ser uma agressão gratuita a todos os presidentes que o antecederam é chocante, pois há estupefação internacional com a desqualificação do ministério Bolsonaro.


Envolvido em seguidos escândalos que envolvem seu clã e são registrados pela imprensa internacional, Bolsonaro afirmou que ele e seu governo "Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós" -uma referência às reformas iniciadas por Temer e que pretender desmontar o Estado brasileiro colocando-o a serviço dos grandes grupos internacionais. Mais adiante, ao afirma que o país tem "riquezas minerais abundantes", sinalizou que elas continuarão a ser entregues ao apetite dos mesmos grupos.

Bolsonaro vendeu Sérgio Moro como um trunfo de seu governo como "homem certo como combate à corrupção" -pouco antes, numa mesa do Fórum, Moro recusou-se a responder sobre os escândalos que envolvem o clã Bolsonaro. 

Num dos momentos mais patéticos do discurso, o presidente afirmou que "nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir" -o chanceler atual está implementando uma política externa de viés ideológico de extrema direita que está isolando o país e abalando a imagem e a inserção global do Brasil.

Ao fim, Bolsonaro reafirmou o ideário conservador-fundamentalista, dizendo-se defensor da família, da propriedade privada e arrematando com seu bordão, "Deus acima de tudo". 

Veja abaixo a íntegra do discurso:

"Boa tarde a todos!

Muito obrigado, professor Schwab!

Agradeço, antes de mais nada, o convite para participar deste fórum e a oportunidade de falar a um público tão distinto.

Agradeço também a honra de me dirigir aos senhores já na abertura desta sessão plenária.

Esta é a primeira viagem internacional que realizo após minha eleição, prova da importância que atribuo às pautas que este fórum tem promovido e priorizado.


Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo.

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Nas eleições, gastando menos de 1 milhão de dólares e com 8 segundos de tempo de televisão, sendo injustamente atacado a todo tempo, conseguimos a vitória.

Assumi o Brasil em uma profunda crise ética, moral e econômica.


Temos o compromisso de mudar nossa história.

Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção.

Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós.

Aqui entre nós, meu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro.


Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso Pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido!

Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo.

Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis.

Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco.

Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.

Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos.

Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas.

O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste Governo.

Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios.

Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.


Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE.

Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais.

Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia.

Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos; proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria.


Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais.

Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos.

Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo.

Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia.


Tendo como lema "Deus acima de tudo", acredito que nossas relações trarão infindáveis progressos para todos.

Muito obrigado

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Bilhete premiado ou a família que rouba unida permanece unida por Armando Rodrigues Coelho Neto



Via GGN - Poucos sabem, mas eu tenho um alter ego, e muito do que escrevo é fruto de conversa com ele ou eles, a quem trato como meus botões. Numa dessas conversas lembrei:

- Aconteceu em 1983, na cidade de Ponta Porã/MS, onde trabalhei como delegado federal. Recebi a notícia de um “investimento” que rolava na cidade. As pessoas que possuíam um dinheirinho de reserva aplicavam num fundo, cujo nome não me lembro. Era uma tramoia coisa séria, como jogo do bicho, fio de bigode. Quem comprava aquele bilhete tinha um retorno garantido que banco algum pagaria. Os controladores da tramoia usavam o dinheiro para comprar droga em Pedro Juan Cabalero/Paraguai, separada de Ponta Porã (quase) por uma linha imaginária. Compravam droga barata, vendiam caro não se sabe pra quem, mas o lucro era suficiente para remunerar os “investidores”.

A notícia me chegou de forma confidencial por meio de um “corrupto de estimação”. Preservar a amizade com ele me era instrumental, era uma forma de saber bastidores da marginalidade. “Todo mundo compra o título, doutor”, dizia, SS, quase tentando me convencer a comprar também. Todos sabiam que comprar o título era financiar o tráfico. Mas, qualquer dondoca ou dondoco esclarecido criticava o tráfico, suas consequências, era destruir famílias, patati patatá. Fingiam. Em qualquer CTG (Centro de Tradição Gaucha), reunião de maçons ou churrasco de paca entre milicos, todo mundo era contra a droga, contra a corrupção, contra o contrabando. Eram contra tudo aquilo que eles próprios financiavam e que fingiam combater...

Pois bem. Até Sejumoro sabe que o ex-presidente Lula não é ladrão e o STF também. Qualquer político inteligente sabe que, corromper Lula seria matar a galinha dos ovos de ouro. Lula é patrimônio do Partido dos Trabalhadores, é também seu grande líder e arrebanhador de votos. Seria erro crasso do PT criar rabo para Lula. Eis a lógica primária que os barnabés da cortes de justiça, os falsos moralistas de plantão e a classe média (quase toda) fingem não saber. Do mesmo modo que fingem não saber que aquilo que arrogam contra Lula faz parte da cultura deles e até da dita corte suprema, seus adoradores, asseclas, acólitos e bolsopatas em geral.


Em 9/2/2017, o fotógrafo Lula Marques registrou imagem do celular do então deputado Coiso, na qual ele dizia ao filho que é deputado por São Paulo: “Mais ainda, compre merdas por aí. Não vou te visitar na Papuda” ... “Se a imprensa te descobrir aí, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu”. O que poderia levar o filho do Coiso pra Papuda? Mistério. Agora, em dias alternados e em coisa de minutos, 48 depósitos apareceram na conta do outro filho, eleito senador pelo Rio de Janeiro. O próprio Coiso deu um passeio no dinheiro que recebeu da JBS. A isso se soma o suspeito cheque em favor de sua esposa e os aparentes vínculos com um certo Queiróz (o único motorista quase rico do mundo a ganhar foro privilegiado do STF). “Carlos amava Dora, que amava Pedro, que amava ....toda a quadrilha” (Chico Buarque).

A cultura do Coiso é a cultura do Sejumoro, é a cultura da classe média. Todos sabem como ela funciona. A matéria “EXCELENTÍSSIMA FUX - Como a filha do ministro do STF se tornou desembargadora no Rio”, escrita por Malu Gaspar, ilustra bem esse fenômeno no judiciário (Revista Piauí). Os delegados federais “Mosca Azul” da PF também reforçam a tal cultura e a eles se somam os que vivem na Lei do Gerson, os compradores de “bilhetes premiados” que geram vítimas e falsas vítimas - seja de estelionatários ou vítimas de sua própria ganância. Na lista entram funcionários públicos que depositam dinheiro para ganhar verbas de ações judiciais onde nunca figuraram como partes. É a mesma cultura de quem burla o Código do Consumidor para tomar dinheiro de pobre. Qualquer semelhança com Ponta Porã...

Risível, não? Hoje, a TV Globo brinca de oposição buscando verba oficial por caminhos transversos, como se dissesse: “ou abre o caixa ou vou te detonar todos os dias”. Mas, foi ela quem abriu caminho para o Coiso, fingindo combater até sonegação que ela própria praticaria (as turmas recursais da Receita Federal que o diga). Foi ela que transformou o Coiso no “bilhete premiado” da classe média, que sabia ser falso, tinha tudo para ser falso, mas se viu nele e vislumbrou vantagem. Como diz meu alter ego, a classe média de tanto fingir, está a comer o próprio vômito chamando de caviar... 


Armando Rodrigues Coelho Neto - jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo

domingo, 20 de janeiro de 2019

Bolsonaro deu xeque-mate no ex-juiz Sérgio Moro

Ao levar Sérgio Moro para o ministério da justiça, Bolsonaro talvez tenha dado xeque-mate no ex-juiz e sua turma. O poderoso Dr. Moro,  não pode esquecer que Bolsonaro é seu chefe imediato, e as ações do Ministério precisam do aval do presidente. A questão do COAF onde Flávio Bolsonaro está todo enrolado,  o Ministro vai manter a liberação das informações das movimentações financeiras, ou vai colocar em segredo?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

COMO SE FAZ UM LÍDER QUILOMBOLA


João Batista, com a filha Rebeca (Foto: Smitson Oliveira - Seabra/Chapada)

De trabalhador rural e ajudante de pedreiro a dirigente sindical e da associação dos moradores do quilombo Vão das Palmeiras: a dura e exitosa trajetória dum militante comunitário.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor do Blog Evidentemente

Corria o ano de 2012. João Batista já tinha passado por muitos desafios na sua vida de negro pobre, quilombola, mas aquele lhe parecia maior, mais estranho, uma grande novidade: Tiago queria que ele se tornasse presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo do Vão das Palmeiras (município de Seabra, Chapada, interior da Bahia). Com um detalhe curioso: disse que era “só no nome, não é pra valer”. Como assim? Tiago explicou: é que ele era presidente da associação, mas ia ser candidato a vereador e achava que uma coisa podia impedir a outra. Então ele disputava a vereança, continuando presidente de fato, mas não oficialmente.

João Batista hesitava. Achava difícil falar em público, discursar numa reunião e ainda tinha aquele complicador, “só no nome”. Será que esse negócio ia dar certo? Já tinha se saído bem em muitas empreitadas na sua ainda curta existência, estava com 28 anos, sempre na labuta, lavrando a terra, conseguiu a duras penas estudar até o segundo grau, esteve em São Paulo trabalhando na construção de ajudante de pedreiro durante um ano, depois mais cinco, nesta altura já promovido a armador. Ao voltar à sua terra, pôde continuar na construção pois já havia por lá obras do projeto do governo federal Minha Casa Minha Vida.

Já carregava na carcunda, portanto, alguma experiência de vida e trabalho. Mas hesitava. Não era homem de se amofinar, mas hesitava, aquele negócio de ser presidente, tomar a palavra numa reunião, todo mundo olhando pra ele e se gaguejasse e as pessoas dessem risada? Mas tinha um precedente encorajador, talvez até tenha sido por isso que Tiago o escolhera: uma vez se discutia sobre a taxa que as famílias pagavam pela água e era arrecadada pela associação dos moradores do Velame (distrito vizinho ao quilombo). Acontece que a água é retirada da área do Vão das Palmeiras e fornecida inclusive aos usuários do Velame. Então o correto seria a associação do quilombo cobrar a taxa, inclusive do pessoal do Velame, e ficar com o dinheiro arrecadado.

Foi o que pensou João Batista, que estava lá espiando a reunião. Pensou e agiu. Pela primeira vez, passando por cima da timidez, pediu a palavra e falou numa reunião. “O salão estava cheio”, lembra ele. Feliz, viu a grande maioria dos presentes apoiar sua intervenção. Foi o seu batismo de fogo, e vitorioso. Os quilombolas, que eram “donos” da água, conquistaram o direito de arrecadar a taxa, graças à sua proposta. Estava nascendo ali uma nova liderança entre a comunidade.

Trocando em miúdos: João Batista acabou topando o plano de Tiago e, enquanto este se ocupava da campanha eleitoral, o que seria presidente “só no nome” começou a ser pressionado pelos associados. Havia, claro, muitas demandas e “você é ou não é o presidente?”, cobravam. E ele foi assumindo pouco a pouco o papel para o qual parecia estar destinado, conforme mostrou o desenrolar dos acontecimentos.

Foram dois mandatos de dois anos cada – de 2012 a 2016 -, com muitas lutas, dificuldades e também muitas realizações. João Batista relembra os passos dessa difícil e exitosa caminhada, fala do respeito obtido pela comunidade e pela entidade que a representa, exalta o apoio do grupo de jovens – Jovens em Ação - e dos moradores e também a participação ativa de sua mulher em toda sua trajetória.

E relata uma grande alegria: foi justamente num dia em que se comemorava o Dia da Consciência Negra – 20 de novembro de 2014. Ele estava chegando de Salvador onde, no dia anterior, tinha recebido o título de propriedade coletiva das terras do quilombo, em nome da associação. (Aí ele menciona a ajuda nas articulações políticas do então deputado federal baiano Luiz Alberto (PT), inclusive no processo de reconhecimento e certificação por parte da Fundação Palmares, órgão do Ministério da Cultura). Foi uma festa, um momento de felicidade do qual “a gente nunca esquece”, diria o próprio João Batista.

(Das cerca de 5.000 comunidades remanescentes de quilombo existentes no Brasil, apenas quase 300 conseguiram até hoje o título de propriedade da terra, apesar dela ter sido reconhecida oficialmente há 30 anos, expressa na Constituição de 1988, injustiça que atualmente parece mais difícil de ser reparada, já que o novo governo, presidido por Jair Bolsonaro, teve sua campanha eleitoral assentada na negação das políticas inclusivas. Aliás, neste particular, o município de Seabra deve ser um caso raro: dentre os 11 quilombos reconhecidos, 10 já obtiveram seus títulos de propriedade).

E também uma grande tristeza: foi “ter perdido” para São Paulo um jovem militante promissor. Alex Soares, pouco mais de 20 anos, teve que deixar sua gente e sua terra correndo atrás do sonho de ganhar dinheiro e construir uma casa para a família. João Batista se consola seguro de que ele voltará em breve, mesmo porque sua casa será, claro, em Vão das Palmeiras. E também porque, de fato, Alex nunca abandonou totalmente a militância: volta e meia ele aparece no grupo do Whatsapp opinando, sugerindo, participando.

Ele revela um sonho: entrar na universidade, fazer o curso de História. Concluiu o segundo grau em 2005 e lamenta ter sido obrigado a parar. “Não sei quando será possível, talvez quando os meninos aprenderem a tirar uma melancia na roça”, brinca João Batista. Ele foi o quarto jovem (o primeiro homem) da comunidade a completar o segundo grau. De lá para cá esse número aumentou, inclusive há alguns cursando em Seabra o IFBA (Instituto Federal da Bahia). Diz meio encabulado que aconselha tanto a juventude a estudar e entrar na universidade, porém ele próprio, infelizmente, não pôde ainda dar o exemplo completo. Mas o curso de História o espera, quem sabe?

PS: Além de agricultor e atualmente tesoureiro da associação, João Batista dos Santos, hoje com 34 anos, faz parte da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar de Seabra e dirige uma rádio comunitária. É casado com Magali Santos Cassimiro e tem quatro filhos.

Tiago José Cassimiro, a quem João Batista sucedeu, foi o terceiro presidente da associação. Antes dele, a entidade foi presidida por Eunápio Mendes da Silva (Naipinho). Hoje há uma presidenta: Selma Marques.

A associação tem 380 filiados. O quilombo mede 1.023 hectares, reúne 430 famílias, tendo em torno de 1.000 habitantes, levando em conta os moradores mais permanentes.

A maioria das informações é do próprio João Batista. Os dados sobre os 5.000 quilombos reconhecidos no país são de matéria do blog The Intercept Brasil – ‘Com mais de 4,8 mil comunidades sem títulos, quilombolas entrarão com ação por danos morais’.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Carlito Begot pode disputar prefeitura de Ananindeua

O vice-prefeito de Ananindeaua deve entrar na briga para disputar a prefeitura  em 2020. Carlito Begot tem se queixado de não ter maior participação na administração do prefeito Pioneiro. 

  VICE-PREFEITO REELEITO PODE DISPUTAR O CARGO DE PREFEITO?

Resposta: sim. O Vice de uma chapa vitoriosa por duas vezes pode disputar, em uma terceira eleição, a titularidade, já que, desta feita, não concorre ao cargo de vice, mas, sim, ao de titular. Para isso, não poderá substituir o titular nos seis meses anteriores à eleição. Essa substituição não seria mesmo possível, diante da necessidade de desincompatilização pelo mesmo prazo. A jurisprudência do TSE é nesse sentido.

Luiz Fux entra na dacinha do Queiroz


O Ministério Público do Rio de Janeiro divulgou um comunicado nesta quinta-feira, 17, afirmando que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o inquérito que investiga transações financeiras atípicas de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro.
A decisão liminar, em sigilo de Justiça, foi tomada pelo vice-presidente do STF, ministro Luiz Fux, nesta quarta-feira, 16, em uma reclamação impetrada por Flávio na Corte no mesmo dia. Conforme o MP-RJ, o ministro determinou que a apuração seja suspensa até que o relator da ação, ministro Marco Aurélio Mello, se pronuncie sobre a continuidade dela, após o recesso do Judiciário, a partir de 1º de fevereiro. Fux assumiu o plantão do STF na última segunda-feira, 14.

JUÍZA COMEMORA LIBERAÇÃO DE ARMAS INCITANDO ASSASSINATO DE BOULOS


Via 247 - O coordenador MTST, Guilherme Boulos, indicou que irá processar a desembargadora Marília Castro Neves, por ela ter publicado conteúdo incitando o assassinato dele; em uma de suas postagens, a desembargadora comemora o decreto da liberação posse de armas e diz que a partir de agora "Boulos será recebido com balas"; o ativista expôs que irá processar a desembargadora; "Um magistrado não pode incitar ao crime. Agora responderá mais uma ação judicial"; eleitora declarada de Bolsonaro, a desembargadora já afirmou anteriormente que "Marielle Franco era engajada com bandidos"
247 - O coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, indicou nesta quinta-feira (17) que irá processar a desembargadora Marília Castro Neves, por ela ter publicado conteúdo incitando o assassinato do líder do movimento de moradia. 

Em uma de suas postagens, a desembargadora comemora o decreto da liberação posse de armas e diz que a partir de agora "Boulos será recebido com balas". 
Boulos imediatamente rebateu Marília, e anunciou via Twitter que irá processá-la. "Esta é a desembargadora Marília Castro Neves, do TJ do Rio de Janeiro. Já responde judicialmente por ofensas a Marielle Franco e outras postagens inadequadas. Um magistrado tem que ter equilíbrio, não pode incitar ao crime. Agora responderá mais uma ação judicial", anunciou Boulos.