sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Eleição no Amapá: entrevista com o engenheiro e professor Jucicleber Castro


Jucicleber Castro é mestre em Telecomunicações, professor do ensino superior, ex-diretor da extinta estatal de energia do Amapá, militante político de esquerda e ativista cultural.

AnanindeuaDebates - A pesquisa Quaest, divulgada na semana passada, aponta o candidato Dr. Furlan com 55% das intenções de voto e o governador Clécio Luís com 35%. Com esse cenário, a eleição para o Governo do Amapá pode ser decidida já no primeiro turno? 

Jucicleber Castro - Esse cenário de larga vantagem do ex-prefeito Furlan vem se mantendo inalterado há mais de um ano, segundo diferentes institutos de pesquisa, como Paraná Pesquisas, Real Time Big Data e Veritá. É claro que, faltando menos de um mês para a eleição, fatores como o poderio econômico da coligação do atual governador, a influência de cargos comissionados e a atuação de segmentos fortes de instituições de Estado, em comportamentos estranhos, poderiam alterar esse cenário, configurando uma espécie de força oculta, como denunciado pelo candidato a senador e ex-governador/senador Capiberibe, que relatou, em vídeo publicado no sábado (29/08), o que ocorreu com ele e com a ex-deputada Janete Capiberibe nas eleições de 2018. Tais fatores exógenos parecem não ter eficácia diante da força popular de Dr. Furlan. Trata-se de uma eleição que apresenta fortes indícios estatísticos de definição já no primeiro turno, inclusive em função de estar altamente polarizada entre duas candidaturas e contar com outras três candidaturas sem relevância eleitoral.

AD -  O levantamento também mostra que 80% dos eleitores afirmam que a escolha do candidato é definitiva, enquanto 20% dizem que ainda podem mudar o voto até a eleição de 4 de outubro. Esse dado reforça a possibilidade de definição da disputa no primeiro turno?

JC-  Então! Não podemos ser conclusivos quanto a isso. Seria melhor afirmar que esses 80% dos eleitores declarando ter voto definitivo, o espaço para mudanças capazes de alterar substancialmente o atual cenário tende a ficar bastante reduzido, o que, somado à larga vantagem do líder nas pesquisas, Dr. Furlan,  reforçaria a possibilidade de uma definição da disputa já no primeiro turno. 

AD - A pesquisa traz uma simulação de segundo turno, em que Dr. Furlan (PSD) aparece com 54%, contra 36% de Clécio Luís (União Brasil), além de 4% de branco, nulo ou nenhum e 6% de indecisos. Esses números podem mudar em um eventual segundo turno?

JC - Esses números acabam confirmando o comportamento de todos os institutos citados anteriormente, onde Dr. Furlan navega em torno dos 60% de votos válidos.

 AD - Outro dado o levantamento aponta que 40% dos eleitores defendem que o próximo governador continue o trabalho que vem sendo feito, 25% querem mudar apenas o que não está funcionando e 32% consideram necessária uma mudança total. Como o senhor interpreta esse cenário?

  JC -  Eu interpretaria especialmente esses 40% como uma espécie de amadurecimento da população, demonstrado pela preocupação em estabelecer um freio a uma cultura política pequena e pouco republicana, que muitas vezes não prioriza a conclusão das obras iniciadas por um antecessor para evitar dividendos políticos a quem iniciou a obra, deixando todos os louros para quem a inaugurou.

É importante observar que defender a continuidade do trabalho que vem sendo feito não significa, necessariamente, defender a continuidade do atual governo. Significa reconhecer que aquilo que está funcionando deve ser preservado e que obras e políticas públicas importantes precisam ter continuidade, independentemente de quem as iniciou.

Vejo um exemplo muito inspirador no Pará, mais precisamente na Santa Casa de Misericórdia, onde, na placa de inauguração, estão registrados os nomes dos governadores que iniciaram a obra e daquele que a concluiu. É uma demonstração de que a obra pública pertence à sociedade, e não ao governante que a iniciou ou àquele que teve a oportunidade de inaugurá-la.

AD - A pesquisa também indica que 34% preferem um governador aliado do presidente Lula, 30% preferem um aliado de Flávio Bolsonaro e 31% defendem um governador independente. Como o senhor avalia esse equilíbrio entre os três perfis?

JC - É um equilíbrio esperado dentro do cenário de disputa das candidaturas a Presidente e dentro da margem de erro. Porém, o dado mais relevante, a meu ver, é que 31% dos eleitores defendem um governador independente, revelando um espaço bastante significativo para uma candidatura que consiga se posicionar fora da polarização nacional. Mas aqui no Amapá, isso não foi construído pelas lideranças de centro. 

AD -  Ser aliado do senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, ajuda ou prejudica os candidatos ao Governo do Amapá, ao Senado e às eleições para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados? 

JC - Ajuda o adversário e prejudica o aliado dele. (risos) Mas não é tão simples assim; vou tentar explicar.

Nas eleições majoritárias deste ano, como para o Governo do Estado e para o Senado, o apoio do senador Davi Alcolumbre pode representar um fardo político relevante. Isso ocorre, primeiro, pela maior exposição dessas disputas e, segundo, pelos elevados índices de rejeição que o senador apresenta. No cenário nacional, o levantamento da AtlasIntel de julho de 2026 aponta rejeição de 90%, índice que pode repercutir de fora para dentro do Estado. No Amapá, pesquisas realizadas para fins científicos em abril de 2026 apontam rejeição em torno de 79%.

Essa dificuldade, entretanto, pode ser menos percebida nas eleições proporcionais, para deputados estaduais e federais. Nessas disputas, a relação mais próxima dos candidatos com os eleitores e uma postura mais pragmática de determinados segmentos do eleitorado podem ter maior peso do que a rejeição associada à figura do apoiador.

Aliás, bem que poderíamos deixar essa pergunta e essa resposta congeladas para uma outra entrevista, depois da eleição. O que o Ananindeua Debates acha? (risos)

AD - Quando questionados sobre o principal problema do estado, os entrevistados apontaram: Saúde (43%), Desemprego (10%), Infraestrutura (9%), Corrupção (6%) e Violência (6%). Qual é a sua avaliação sobre esses desafios e as prioridades para o próximo governo?

JC - A saúde vem sendo um tema recorrente em eleições passadas. Seria necessário investigar melhor junto à população quais seriam as causas dessa percepção: seria o atendimento? O fornecimento de medicamentos? A celeridade nos diagnósticos? Os equipamentos hospitalares? Os plantões médicos? Ou seria a não conclusão do novo Hospital de Emergências do Estado?

Lembro que uma das promessas do atual governador era resolver o problema da saúde, e os números indicam que ele não conseguiu resolvê-lo. Sobre o desemprego, o dado da pesquisa vai ao encontro do índice de desemprego no Amapá, que é o maior do país, de acordo com o IBGE (9,8%). É mais uma demanda que não foi resolvida pelo atual governador.

Com respeito à infraestrutura (9%), esse percentual pode refletir principalmente a não conclusão da BR-156, o estado da BR-210, a não construção da ponte sobre o rio Jari, além de obras inacabadas, como o próprio novo Hospital de Emergências, pontes e outras.

Corrupção (6%) é até um número baixo diante de tantas historinhas que escutamos por aqui. (risos)

Por fim, há uma curiosidade quanto à violência (6%). De acordo com o Atlas da Violência 2026, o Amapá ocupa o primeiro lugar em homicídios por 100 mil habitantes, com uma taxa em torno de 42,5. Por que isso não se reflete na opinião da população?

Houve uma massiva campanha publicitária do Governo do Estado que mostra a contratação de mais policiais concursados, a compra de veículos, policiais nas ruas, compra de armas e equipamentos, etc., o que poderia interferir na percepção da população sobre a violência e contribuir para uma visão menos próxima dos indicadores objetivos.

AD - A pesquisa Quaest mostra um dado que chama atenção: Clécio Luís tem 50% de rejeição como candidato, mas seu governo registra 53% de aprovação. Como o explicar essa aparente diferença entre a avaliação do governo e a rejeição ao candidato?

JC -  Ver dade. Mas há uma explicação possível para essa aparente contradição. Aprovação de governo e rejeição de candidato não são necessariamente a mesma coisa. O eleitor pode avaliar positivamente determinados aspectos de uma administração e, ao mesmo tempo, rejeitar politicamente quem está à frente dela.

Isso, aliás, já apareceu em outros momentos da trajetória política de Clécio. Em 2016, quando disputou a reeleição para a Prefeitura de Macapá, sua rejeição era maior do que a atual e, durante a campanha, conseguiu reduzi-la. Ao chegar ao segundo turno, acabou enfrentando um adversário ainda mais rejeitado. Naquele ano, até um cãozinho caramelo o derrotaria. (risos) O problema é que o adversário conseguiu reunir uma rejeição ainda maior do que a do então prefeito Clécio.

Em 2026, minha leitura é que podemos estar diante de uma situação diferente. Uma série de fatores que, isoladamente, talvez não representasse uma ameaça significativa ao atual governador pode, quando somada, contribuir para a construção de uma rejeição pessoal.

Um desses fatores pode ser a percepção de falta de autonomia política. Parte significativa da população vê o governador como uma espécie de “preposto” do senador Davi Alcolumbre — e essa percepção, inclusive, pode ser encontrada entre alguns de seus próprios aliados.

Outro fator está relacionado à imagem pública. Algumas atitudes de Clécio, como tentar reproduzir características associadas ao seu principal adversário, Dr. Furlan — desde praticar corridas e dançar até utilizar determinadas peças de vestuário, como as camisas brancas — podem contribuir para a percepção de que ele estaria tentando imitar o adversário.

Há também uma dimensão relacionada à sua trajetória política. Clécio foi filiado ao PT, depois ao PSOL e, posteriormente, passou a adotar posições e alianças que, na minha avaliação, o aproximaram progressivamente de setores mais à direita. Em 2010, por exemplo, apoiou uma chapa ligada ao segmento empresarial local na disputa pelo Governo do Estado, enquanto a esquerda tinha candidatura própria. (risos)

Em 2014, houve também sua participação nas articulações políticas que acabaram favorecendo Davi Alcolumbre na disputa pelo Senado e derrotando Dora Nascimento (PT). Em 2018, já na REDE, novamente esteve inserido nas articulações que tinham como objetivo derrotar as candidaturas de João e Janete Capiberibe ao Governo e ao Senado.

Em 2022, disputou pelo Solidariedade e venceu em um cenário eleitoral no qual uma sequência de acontecimentos acabou favorecendo sua candidatura, inclusive o episódio envolvendo o debate com Gilvan Borges, que contribuiu para enfraquecer o principal adversário.

Agora, em 2026, ele encontra um adversário diferente dos que enfrentou anteriormente. Dr. Furlan se tornou, nos últimos seis anos, um fenômeno eleitoral e político no Amapá. Diferentemente dos adversários anteriores de Clécio, Furlan construiu uma relação muito próxima com a população e permanece fortemente associado, no imaginário popular, à imagem de tocador de obras e realizador.

Então, talvez essa seja a explicação para a aparente contradição entre os 53% de aprovação do governo e os 50% de rejeição ao candidato: uma coisa é avaliar a administração; outra é decidir se deseja que aquele governante continue no poder.

Situação difícil, né? (risos).

Prefeito Hugo Atayde "É mentira que o Pronto Socorro Municipal tenha leitos vazios"


Prefeito Hugo Atayde denuncia tentativa de criar narrativa contra Ananindeua vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito de Ananindeua,  denuncia o que classifica como mais uma tentativa de criar uma narrativa negativa contra o município. Segundo o Atayde, a iniciativa teria como objetivo atingir a imagem da administração municipal.

Dr. Daniel lidera disputa pelo governo do Pará com 43,9%, Hana Ghassan tem 30,7%

 


A Pesquisa Futura Inteligência sobre a disputa pelo governo do Pará mostra Dr. Daniel (Podemos) com 43,9% das intenções de voto no 1º turno. A governadora Hana Ghassan (MDB) com 30,7% A.  Futura Inteligência entrevistou 1.000 eleitores do Pará com 16 anos ou mais, de 17 a 19 de agosto de 2026. As entrevistas foram realizadas por telefone, por meio da metodologia CATI, em 108 cidades. A margem de erro é de 3,1 p.p, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº PA-00636/2026. O estudo custou R$ 80.000 e foi pago com recursos próprios. 

Acesse aqui a pesquisa completa 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Pesquisa Quaest: Candidatos ao governo ainda são desconhecidos pelos eleitores


A pesquisa Quaest perguntou aos entrevistados se eles conheciam os candidatos ao governo do Estado. : 
José Moita (Democrata): Não conhece: 92% - Gal Leite (UP): Não conhece: 93% - Well Macedo (PSTU): Não conhece: 90%. A pesquisa também aponta que somados eles tem 5% das intenções de votos: Gal Leite (UP): 2%

Well Macedo (PSTU): 2%

Jose Moita (Democrata): 1% - A Quaest ouviu 804 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 25 e 28 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é PA-07718/2026

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O fim da escala 6x1 avançou no Senado!

 


A PEC do fim da escala 6x1 avançou nesta quarta-feira (2) na CCJ do Senado. A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. Agora, segue para o Plenário.

Vale citar que a bancada de Flávio Bolsonaro registraram voto contrário à proposta: Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS). Uma vergonha! 

Reduzir a jornada significa garantir mais tempo para descanso, convivência, cuidado e vida. Seguimos lutando pelo fim da escala 6x1! 



Professora diz que edital da Seduc anunciado por Hana Ghassan é uma vergonha



A professora Sílvia Letícia, do Sindicato dos Professores, fez severas críticas ao edital para contratação de professores da rede pública. Segundo ela, o edital não contempla o número de vagas necessário para atender à demanda do estado e desvaloriza os futuros professores.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Vídeo: Concurso da Seduc-Pará traz muita frustração, diz professor


O professor Márcio Pinto publicou um vídeo comentando o edital do concurso da Seduc. Segundo ele, o concurso tem gerado muita frustração entre os candidatos.  Acesse aqui o  Instagram do Professor