segunda-feira, 2 de novembro de 2026

A eleição de Lula e os desafios da esquerda: comunicação, alianças políticas e a disputa pelo poder nos estados, por Marcão Fonteles*

Marcão Fonteles

Uma análise sobre a eleição de Lula precisa começar por uma questão fundamental: como um presidente com expressivas realizações políticas, econômicas e sociais enfrenta tamanha resistência eleitoral, enquanto um candidato sem entregas relevantes à sociedade consegue mobilizar parcela significativa do eleitorado?

A resposta não pode ser reduzida a um único fator. O sentimento antipetista, a força de setores políticos e econômicos conservadores, a influência de grandes grupos de comunicação e o poder das plataformas digitais compõem parte importante desse cenário. Há, entretanto, outros elementos que precisam ser considerados, como a influência do neopentecostalismo na formação da opinião pública e na mobilização eleitoral.

Também merece investigação a atuação de setores do Judiciário e o papel de Kassio Nunes como presidente do TSE advogando em favor de Bolsonaro, especialmente diante das controvérsias envolvendo a condução do processo eleitoral e as decisões do Tribunal Superior Eleitoral. Os favorecimentos e desequilíbrios são demonstrados por fatos e decisões concretas, e não podem ser excluídos de uma análise abrangente.

Não podemos esquecer da interferência internacional do governo norte americano, através de Trump e Rubio e do Zukemberg e as manipulações das Big Techs.

Não creio que a retórica antissistema e o discurso anticorrupção utilizados pela direita, tenham tido maior impacto, até porque trazem as contradições do próprio campo bolsonarista, que não está imune a denúncias, questionamentos e práticas políticas que afirma combater.

A batalha das redes sociais e a necessidade de regulação

Um dos principais desafios da esquerda está na comunicação política. A eleição demonstrou, mais uma vez, que as redes sociais deixaram de ser apenas instrumentos de divulgação para se transformarem em espaços centrais de disputa política, formação de opinião e influência sobre o comportamento eleitoral.

O uso dessas ferramentas, inclusive por estruturas de atuação internacional, exige uma discussão séria sobre a soberania nacional e a proteção da democracia.

De forma inequívoca houve um desequilíbrio na aplicação das regras das plataformas digitais. Enquanto páginas, grupos e canais de apoio a Lula enfrentavam restrições, suspensões e dificuldades para ampliar seu alcance, estruturas de comunicação ligadas ao bolsonarismo conseguiam multiplicar conteúdos e mobilizar redes de maneira extraordinária.

A própria suspensão de canais vinculados à campanha de Lula e as controvérsias envolvendo e tentando derrubar o chamado “Exército do Lula” demonstraram a importância de discutir os critérios de moderação, alcance e funcionamento das plataformas.

O episódio envolvendo a tentativa de limitar a atuação desse movimento, por iniciativa do então presidente do TSE, também merece ser analisado à luz das decisões e dos acontecimentos daquele período.

O fato é que o “Exército do Lula” se consolidou como uma importante força de mobilização digital e ajudou a enfrentar a hegemonia conservadora nas redes.

Não podemos continuar tratando esse problema como uma simples disputa entre militantes. É necessária uma legislação abrangente, que estabeleça transparência, responsabilidade e regras democráticas para o funcionamento das plataformas, combatendo a manipulação artificial de informações, as redes de desinformação e a interferência indevida, inclusive estrangeira, nos processos políticos nacionais.

A liberdade de expressão precisa ser preservada, mas não pode servir de justificativa para a manipulação organizada da opinião pública.

A ausência de uma estrutura de comunicação comprometida com a democracia

Outro aspecto importante é a fragilidade dos setores progressistas na disputa pela comunicação de massa.

A grande imprensa brasileira, historicamente concentrada em poucas famílias e grupos empresariais, exerce influência desproporcional na formação da agenda política nacional. O chamado Partido da Imprensa Golpista (PIG), expressão que caracterizar essa atuação, representa uma crítica à linha editorial e ao comportamento político da grande mídia.

É preciso reconhecer que importantes jornalistas, artistas e intelectuais brasileiros manifestaram apoio à candidatura de Lula e à defesa da democracia. Entretanto, manifestações individuais, por mais relevantes que sejam, não substituem a existência de uma estrutura permanente de comunicação, e indicam ser possível a criação de um competitivo instrumento de comunicação de caráter democrático.

O Estado brasileiro, por meio da publicidade institucional e de outros mecanismos legais, destina recursos expressivos aos grandes veículos de comunicação. É legítimo discutir os critérios de distribuição desses recursos, considerando a pluralidade, o interesse público e o compromisso com a informação de qualidade.

Não se trata de defender uma imprensa estatal ou partidária, tampouco de subordinar veículos de comunicação ao governo. A proposta é estimular, com critérios transparentes e democráticos, o fortalecimento de uma estrutura de comunicação independente, comprometida com a cultura, a democracia, a diversidade e o interesse público.

Uma rede de comunicação com essas características poderia oferecer contrapontos qualificados à cobertura dos grandes grupos, ampliar o espaço para diferentes interpretações dos acontecimentos e contribuir para enfrentar a desinformação.

Para isso, é necessária vontade política e uma estratégia de longo prazo. A comunicação não pode ser tratada apenas como instrumento auxiliar das campanhas eleitorais.

O desgaste natural da liderança de Lula

Outro ponto que merece atenção é a chamada fadiga de material.

A presença de Lula em uma disputa presidencial representa, indiscutivelmente, uma vantagem para o campo progressista. Sua trajetória, sua capacidade de diálogo e o reconhecimento nacional e internacional de sua liderança são ativos políticos extraordinários.

Entretanto, essa mesma presença também produz efeitos negativos. São décadas de ataques, campanhas de desqualificação, preconceito social e tentativas de associar sua trajetória política a uma imagem permanentemente negativa.

Há também um componente histórico e social que não pode ser ignorado: a resistência de parcelas das elites brasileiras à presença de um trabalhador, um operário, na Presidência da República, ocupando um espaço de protagonismo político e participando das grandes discussões internacionais sobre os rumos do mundo.

Lula reúne características que dificilmente serão reproduzidas por outro dirigente político. Entretanto, a esquerda precisa compreender que sua força eleitoral não pode se transformar em dependência permanente de sua liderança.

É necessário formar novas lideranças, ampliar a presença política nos estados e municípios e construir uma geração capaz de dar continuidade a esse projeto.

A capacidade de fazer alianças e a dificuldade de reproduzir esse modelo

Uma das maiores qualidades políticas de Lula é sua capacidade de construir alianças com setores diferentes, sem necessariamente abandonar os compromissos fundamentais de seu campo político.

A composição de suas chapas presidenciais com José Alencar e, posteriormente, Geraldo Alckmin demonstra essa capacidade de compreender a realidade política e construir maiorias.

Em ambos os casos, setores da esquerda aceitaram alianças com representantes de segmentos econômicos e políticos diferentes de sua própria origem ideológica, reconhecendo que a disputa pelo poder exige diálogo, composição e capacidade de negociação.

Esse entendimento, entretanto, nem sempre se reproduz nas disputas estaduais e municipais.

É frequente encontrar, dentro do próprio campo progressista, resistências à formação de alianças e a defesa de candidaturas chamadas de “puro-sangue”, mesmo quando a realidade política aponta para a necessidade de composições mais amplas.

A consequência pode ser o isolamento eleitoral e a perda de espaços estratégicos.

A esquerda precisa compreender que unidade política não significa uniformidade ideológica. É possível preservar princípios, defender um programa de governo e, ao mesmo tempo, construir alianças com forças que não compartilham integralmente de sua visão de mundo.

O custo da governabilidade e a força política do Centrão

Existe, ainda, uma contradição que precisa ser enfrentada: como reduzir a rejeição política a um governo que, para conseguir governar e aprovar projetos de interesse social, precisa fazer concessões a setores que nem sempre compartilham seus compromissos programáticos?

A necessidade de construir maiorias no Congresso Nacional leva o Executivo a negociar cargos, espaços institucionais e recursos orçamentários. Nesse ambiente, partidos do Centrão ampliam seu poder de barganha e transformam sua participação parlamentar em instrumento de fortalecimento político e eleitoral.

É uma relação que frequentemente produz desgaste para o governo, especialmente quando a população não distingue as responsabilidades do Executivo das concessões necessárias à governabilidade.

O problema, entretanto, não está apenas na negociação parlamentar. Está também na fragilidade da representação progressista no Congresso Nacional.

A votação de Lula nas eleições presidenciais não se converte automaticamente em bancadas de deputados e senadores capazes de sustentar seu projeto político.

Esse é um dos maiores desafios estratégicos da esquerda brasileira.

A estratégia territorial do Centrão e a disputa pelos estados

Os partidos do Centrão compreenderam há muito tempo que a conquista do poder nacional começa pela construção de estruturas políticas nos estados e municípios.

Sua estratégia não depende exclusivamente da eleição de grandes lideranças nacionais. Ao contrário, privilegia a formação de bancadas numerosas, compostas por parlamentares com forte influência regional e capacidade de mobilização eleitoral.

Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste representam espaços importantes dessa disputa. Em muitos deles, a construção de bases eleitorais municipais e regionais permite eleger deputados, senadores, governadores, prefeitos e vereadores, formando estruturas de poder que se reproduzem ao longo do tempo.

Esses partidos são, em grande medida, pragmáticos. Suas alianças e posições políticas frequentemente se orientam menos por compromissos ideológicos e mais pela possibilidade de conquistar espaços institucionais, ministérios, comandos de empresas públicas e influência sobre a distribuição de emendas parlamentares.

A força do Centrão está justamente na capacidade de transformar uma quantidade expressiva de mandatos individuais em poder coletivo de negociação.


Partidos como PL, PP, Republicanos, União Brasil e PSD demonstram, com diferentes características, a importância dessa estratégia de ocupação territorial e construção de bancadas.


Enquanto isso, os partidos progressistas frequentemente concentram seus esforços na eleição de lideranças de maior expressão nacional, especialmente nos grandes centros políticos e econômicos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.


Essa escolha tem seu valor, mas não pode representar o abandono de outros territórios.


O resultado é uma assimetria: a esquerda pode conquistar uma expressiva votação presidencial e, ao mesmo tempo, continuar minoritária nas casas legislativas.


O problema não é a qualidade das lideranças eleitas nos grandes centros. É a ausência de uma estratégia igualmente consistente para ampliar a representação progressista nos demais estados.


*A necessidade de mudar o foco eleitoral*


É hora de rever essa estratégia.


A esquerda precisa ampliar sua presença nos estados onde o Centrão construiu suas principais bases eleitorais. Acre, Pará e outros estados do Norte e Nordeste, por exemplo, não podem ser tratados como espaços secundários na estratégia nacional dos partidos progressistas.


O voto de um deputado eleito nesses estados tem exatamente o mesmo peso institucional daquele conquistado nos maiores colégios eleitorais do país. Uma bancada mais numerosa, comprometida com um programa democrático e popular, pode fazer diferença decisiva na aprovação de projetos, na defesa do governo e na sustentação de políticas públicas.


Isso exige investimentos permanentes na formação de lideranças regionais, na organização partidária, na presença municipal e na construção de candidaturas competitivas para as assembleias legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.


Não basta aparecer nos estados durante o período eleitoral. É preciso construir presença política permanente, estabelecer vínculos com os movimentos sociais, compreender as realidades regionais e oferecer alternativas concretas à população.


A disputa pelo Congresso Nacional não pode começar apenas quando se aproxima uma eleição presidencial.


*Um projeto de poder que precisa ir além de Lula*


A vitória eleitoral de Lula, por maior que seja sua importância, não resolve os problemas estruturais da esquerda brasileira.


É necessário compreender que a disputa política ocorre simultaneamente em várias frentes: na comunicação, nas redes sociais, na cultura, nas igrejas, nos movimentos populares, nos governos estaduais e municipais e, principalmente, na representação parlamentar.


A esquerda precisa aprender com a estratégia de ocupação territorial do Centrão, sem reproduzir suas práticas políticas. Precisa ampliar alianças sem perder identidade, construir uma política de comunicação permanente e investir na formação de novas lideranças.


Lula demonstrou que é possível reunir forças diferentes em torno de um projeto nacional. O desafio agora é transformar essa capacidade individual em uma estratégia coletiva, capaz de sobreviver à sua liderança.

A questão central não é apenas como eleger Lula. É como construir uma força política e social suficientemente organizada para governar o Brasil, sustentar um projeto democrático e popular e disputar o poder em todas as instâncias da República.

Esse é o debate que a esquerda precisa enfrentar, com coragem, autocrítica e visão estratégica.

*José Marcos Araujo_ - Marcão Fonteles 

Bancário aposentado, sindicalista e filiado ao PT - PA

Governador eleito Dr. Daniel toma posse no dia 6 de janeiro


Com a mudança  (a posse era 1° de janeiro), governadores e vice-governadores eleitos tomam posse no dia 6 de janeiro de 2027.

Principais pontos sobre a mudança:

• Nova data: A posse de governadores e vice-governadores foi alterada para 6 de janeiro de 2027, conforme divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

• Presidente da República: Toma posse no dia anterior, em 5 de janeiro de 2027, em Brasília.

• Parlamentares: Deputados federais e senadores mantêm a posse em 1º de fevereiro de 2027.

• Motivo da alteração: A mudança foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111/2021 para separar os eventos do feriado de Ano-Novo e permitir que os governadores possam acompanhar a posse presidencial em Brasília antes de assumirem em seus estados.

• Prazo de diplomação: A diplomação dos eleitos pela Justiça Eleitoral deve ocorrer até 18 de dezembro de 2026.

Posse de Lula será em 5 de janeiro



Via Agência Brasil por Luiz Claudio Ferreira -
 A 
Mudança está prevista em emenda constitucional de 2021.

A posse para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin ocorrerá no dia 5 de janeiro de 2027, e não mais no primeiro dia do ano. Os governadores e vices vão assumir o mandato no dia seguinte.

Essa mudança de datas foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021. Trata-se de uma novidade na rotina da democracia brasileira. Desde a promulgação da Constituição de 1988, a data de posse ocorria sempre no dia 1º de janeiro. Antes de 1988, os chefes do Executivo tinham o evento de início de mandato no dia 15 de março.

Agenda

Com a mudança, os governadores eleitos conseguem participar da posse do presidente em Brasília. Antes, as cerimônias aconteciam no mesmo dia. O evento de posse do presidente tem a tradição de anteceder o desfile em carro aberto e a recepção na rampa do Congresso pelos chefes do Senado e da Câmara.

Legislativo

Na Câmara e no Senado, a data de posse dos novos senadores e deputados permanece inalterada: 1º de fevereiro. Na ocasião, os parlamentares eleitos prestam o compromisso regimental, sem discurso dos presentes. Neste mesmo dia, acontece a eleição das Mesas de cada Casa para mandato de dois anos.

André Janones diz que não será ministro do governo Lula


 O deputado federal por Minas Gerais, André Janones, afirmou, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida neste fim de semana, que não aceitaria ocupar um ministério no próximo governo Lula.

Segundo o parlamentar, sua preferência é permanecer no Congresso Nacional, onde pretende continuar representando os interesses do povo.

domingo, 1 de novembro de 2026

O vira-virou de LULA em Ananindeua


Por Luís Freitas*

A reeleição do Presidente LULA em 2026 é uma vitória épica e histórica do PT, dos Partidos Aliados, do Campo Progressista e dos Movimentos Sociais. Mas, especialmente, do povo brasileiro, que compreendeu a tempo o perigo que a Democracia, a República e a Soberania Nacional corriam e moveu-se para defendê-las.

Essa participação e esse engajamento político de um conjunto de forças da sociedade civil brasileira, manifestados de várias formas em todo o território nacional, contribuíram para alterar profundamente o cenário apresentado no 1º turno, quando Flávio Bolsonaro obteve 56.104.503 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 53.879.538 votos, ou 45,16%.

No 2º turno, o quadro se inverteu. Lula chegou a 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos de Flávio Bolsonaro, ou 48,21%, garantindo seu quarto mandato à Presidência da República.

 Aqui, uma pergunta importante precisa ser feita como reflexão: como um líder e um Governo com um conjunto de entregas políticas, econômicas e sociais relevantes chegaram ao 1º turno atrás de um adversário de trajetória política muito mais limitada, sustentado principalmente pelo sentimento anti-PT, por uma retórica antissistema e anticorrupção e pelo apoio de importantes setores políticos, econômicos, midiáticos e das plataformas digitais?

A resposta certamente exige uma análise mais ampla sobre comunicação política, percepção econômica, comportamento eleitoral, redes sociais, identidade partidária, rejeição política e capacidade de mobilização das diferentes forças em disputa.  No entanto, como fato político e eleitoral, talvez poucas eleições tenham demonstrado de forma tão clara que eleições em dois turnos constituem disputas distintas. Mudam as alianças, muda a agenda, muda o ambiente político e, principalmente, muda o comportamento de parcela significativa do eleitorado. Em Ananindeua não foi diferente.

No 1º turno, o município possuía 358.249 eleitores aptos. Flávio Bolsonaro obteve 130.954 votos, correspondentes a 46,17% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 127.573 votos, ou 44,98%. A diferença entre os dois candidatos foi de apenas 3.381 votos em favor de Flávio Bolsonaro.

Não compareceram às urnas 60.843 eleitores, representando 16,98% do eleitorado. Foram registrados ainda 4.896 votos brancos, equivalentes a 1,65%, e 8.861 votos nulos, ou 2,98%. No 2º turno, o eleitorado apto passou para 358.272 eleitores, diferença de apenas 23 eleitores em relação ao primeiro turno.

Lula alcançou então 152.008 votos, correspondentes a 52,61% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 136.916 votos, ou 47,39%. A situação havia se invertido completamente.

A desvantagem de 3.381 votos registrada por Lula no 1º turno transformou-se em uma vantagem de 15.092 votos no 2º turno. Isso significa que, entre os dois turnos, houve uma mudança líquida de 18.473 votos na diferença entre os dois candidatos em favor de Lula.

Mais importante ainda é observar o crescimento individual de cada candidatura. Lula passou de 127.573 para 152.008 votos, conquistando um crescimento bruto de 24.435 votos, equivalente a aproximadamente 19,2% sobre sua votação do primeiro turno. Flávio Bolsonaro também cresceu, porém em intensidade muito menor: passou de 130.954 para 136.916 votos, incremento de 5.962 votos, ou aproximadamente 4,6%. Portanto, Lula cresceu, em números absolutos, mais de quatro vezes o crescimento apresentado por Flávio Bolsonaro entre os dois turnos.

Outro aspecto importante é que essa virada não ocorreu pela ampliação do comparecimento às urnas, ao contrário, a abstenção passou de 60.843 eleitores no primeiro turno para 62.023 no segundo, crescimento de 1.180 eleitores, enquanto a taxa de abstenção subiu de 16,98% para 17,31%, aproximadamente 0,33%. O comparecimento, portanto, apresentou pequena redução entre os dois turnos.

A virada de Lula ocorreu fundamentalmente dentro da própria recomposição dos votos válidos. No primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro somavam juntos 258.527 votos. Como o total de votos válidos chegou a 283.649, os demais candidatos reuniram aproximadamente 25.122 votos. Esse contingente eleitoral tornou-se decisivo no segundo turno. Ao mesmo tempo, também houve expressiva redução dos votos brancos e nulos.  Os votos brancos caíram de 4.896 para 2.848, redução de 2.048 votos, equivalente a aproximadamente 41,8%, os votos nulos passaram de 8.861 para 4.477, redução de 4.384 votos, ou aproximadamente 49,5%. Somados, brancos e nulos caíram de 13.757 para 7.325 votos, uma redução de 6.432 votos, aproximadamente 46,8%.

Esses números revelam um processo importante de definição eleitoral entre os dois turnos, sendo expressa em uma relação contábil e direta: 6.432 votos a menos em brancos e nulos, 1.157 votantes a menos = 5.275 votos válidos a mais.

Assim, o segundo turno teve menor participação presencial, mas maior proporção de escolhas válidas entre os dois candidatos. Isso é compatível com maior definição eleitoral entre quem compareceu, embora os totais não mostrem quais pessoas mudaram de comportamento. Considerando a ideia de que o resultado no município ocorreu no universo de votos válidos, é importante ressaltar, que no primeiro turno, os outros candidatos receberam 25.122 votos válidos. No segundo, Lula e Flávio somaram 30.397 votos a mais que suas votações conjuntas anteriores. Esse acréscimo corresponde exatamente a: 25.122 votos dos demais candidatos somados aos 5.275 votos válidos adicionais.

A mudança também pode ser observada nas três principais zonas eleitorais apresentadas.

Na Zona 43, Lula passou de 44.138 para 52.660 votos, crescimento de 8.522 votos. Flávio Bolsonaro passou de 43.556 para 45.372, incremento de apenas 1.816 votos. O ganho líquido de Lula na diferença entre os dois candidatos nessa zona foi de 6.706 votos. Na Zona 107, Lula cresceu de 42.754 para 50.846 votos, aumento de 8.092 votos, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 42.571 para 44.258, crescimento de 1.687 votos. O ganho líquido de margem para Lula nessa zona foi de 6.405 votos.

Na Zona 72 no primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia obtido 44.827 votos, contra 40.681 votos de Lula, vantagem de 4.146 votos. No segundo turno, Lula chegou a 48.502 votos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 47.286 votos. Lula passou, portanto, a vencer a Zona 72 por 1.216 votos, nessa zona eleitoral ocorreu uma mudança de 5.362 votos na margem entre os candidatos em favor de Lula.

Assim, o fenômeno eleitoral de Ananindeua foi territorialmente amplo, com três padrões relevantes: Zona 43: apresentou o maior acréscimo absoluto de Lula e a maior vantagem final. Uma disputa inicialmente próxima passou a ter uma diferença de 7.288 votos.

Zona 72: foi a única em que houve mudança de vencedor. Também foi onde Flávio Bolsonaro mais cresceu, tanto em votos quanto proporcionalmente. Ainda assim, Lula cresceu o suficiente para reverter a desvantagem do primeiro turno.

Zona 107: Lula ampliou uma vantagem inicial de apenas 183 votos para 6.588, apesar da maior queda de comparecimento entre as zonas.

Em resumo, Lula ampliou sua votação nas três zonas eleitorais analisadas. Nas zonas 43 e 107, onde já havia terminado o primeiro turno ligeiramente à frente de Flávio Bolsonaro, ampliou significativamente sua vantagem. Na Zona 72, onde havia sido derrotado no primeiro turno, conseguiu efetivamente virar o resultado. O crescimento relativo de Lula foi muito semelhante nas três zonas, entre 18,93% e 19,31%. Isso aponta para um movimento territorialmente disseminado, sem depender de uma única zona. O conjunto dos números demonstra que o “vira-virou” de Ananindeua não foi apenas uma expressão política. Foi também um fenômeno quantitativamente identificável. Lula aumentou sua votação em 24.435 votos, enquanto seu adversário avançou apenas 5.962 votos. A diferença relativa entre ambos se deslocou em 18.473 votos em favor de Lula.

Mesmo com aumento da abstenção e pequena redução do comparecimento, houve forte concentração dos votos válidos em torno das duas candidaturas, redução expressiva de brancos e nulos e, principalmente, uma capacidade muito maior da candidatura de Lula de incorporar novos votos entre os dois turnos.

A virada estava consolidada. Ananindeua fez o L, participou do vira-virou nacional e ajudou a escrever mais um capítulo importante da História Política do Brasil.

*Luís Freitas é Professor, Jornalista, ex-Vereador do PT em Ananindeua e Dirigente do PT Pará.

sábado, 31 de outubro de 2026

Derrota de Éder Mauro e Flávio Bolsonaro enfraquece o bolsonarismo no Pará


O deputado federal Éder Mauro, principal liderança do bolsonarismo no Pará, saiu derrotado na eleição para o Senado. Apesar de o PL ter conquistado sete cadeiras na ALEPA e três para a Câmara Federal, o partido sofreu um revés político com a derrota de seu candidato ao Senado e de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Em Belém, Ananindeua e no Pará, Lula obteve a maioria dos votos.

Éder Mauro perde um de seus principais palanques políticos, a Câmara Federal. Agora, deverá tentar juntar os cacos da derrota para viabilizar uma possível candidatura à Prefeitura de Belém. Mas talvez não seja o nome de consenso dentro do bolsonarismo. O deputado Joaquim Passarinho, representante de uma ala mais moderada da extrema direita, também poderá entrar na disputa.

Éder Mauro tem o porrete do vereador Zezinho Lima no caminho

Nos calcanhares de Éder Mauro está o vereador Zezinho Lima, que vem denunciando supostos desvios de emendas parlamentares destinadas à saúde. Zezinho Lima chegou a alegar que, se tivesse sido candidato a deputado estadual (candidatura que, segundo ele, foi vetada por Éder Mauro), teria conseguido os votos que faltaram para o deputado se eleger ao Senado.

Zezinho Lima promete não parar. Seu porrete político poderá causar ainda mais estragos na trajetória do futuro ex-deputado federal.

O cenário aponta para uma tendência de enfraquecimento do bolsonarismo no Pará, que, além de enfrentar o resultado das urnas que derrotou seu candidato a presidente e ao Senado no Pará, terá de lidar com disputas internas e possíveis divisões na construção de seu projeto político para 2028.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Ex-dirigente do PDT, Gilberto Coimbra está internado após sofrer um infarto

Foto da assessoria 

Militante histórico do PDT de Ananindeua, Gilberto Coimbra sofreu um infarto na quinta  (29), e está internado no Hospital das Clínicas, onde recebe atendimento médico e realiza exames.

Segundo as informações da sua assessoria que entrou em contato com o Portal, ele está lúcido e segue em tratamento.

Desejamos ao companheiro Gilberto uma pronta e plena recuperação. Força, Gilberto!