Via site Jota por Lucas Mendes
TSE recebe sugestões até 17/7; iniciativa premia levantamento que tiver 'maior aderência' ao resultado oficial. A proposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para criar um “Selo de Acurácia Eleitoral" aos institutos de pesquisa gerou divergência entre representantes das empresas que participaram de reunião na manhã desta terça-feira (14/7) com representantes da Corte. “Alterações supervenientes das regras eleitorais depende de análise criteriosa do TSE além de somente serem levadas a feito quando absolutamente necessárias”, disse o magistrado, na abertura da reunião.
Segundo Nunes Marques, o objetivo do encontro é fortalecer o diálogo institucional e a troca de informações sobre metodologias usadas nas pesquisas de opinião.
Ao todo, participaram nomes de 16 institutos. O presidente do TSE, Nunes Marques, foi acompanhado dos ministros Antonio Carlos, Estela Aranha e Floriano de Azevedo, além do vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinoza.
Institutos filiados à Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) se posicionaram contra a proposta. Em nota, a associação disse que a proposta do selo “parte de uma premissa equivocada” sobre o que é uma pesquisa eleitoral. “Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, disse a entidade.
“Pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas. Não são previsões nem promessas de resultado. Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento”, afirmou a Abep.
Segundo a associação, a proposta também cria um incentivo “perverso” ao possibilitar que institutos “sem rigor metodológico” acompanhem as pesquisas dos institutos sérios e, na reta final da campanha, ajustem seus números para convergir ao consenso. Outras empresas, no entanto, apoiaram a iniciativa. Parte dos participantes viram a proposta como um passo inicial, que demandaria mais discussão. A AtlasIntel, por exemplo, disse ver com bons olhos a ideia, mas que é preciso definir os parâmetros, e que está disposta a colaborar com o TSE.
Entre os críticos, houve uma avaliação de que o TSE não teria compreendido a dinâmica dos levantamentos. Existe uma preocupação de que eventual aprovação do texto tal como proposto leve a um “apagão” de pesquisas na última semana da campanha, com as empresas evitando uma classificação ruim.
Conforme trecho de uma minuta de proposta, o selo seria concedido pela Justiça Eleitoral nos anos de eleições gerais e abrangeria as disputas a presidente e governador. A finalidade seria contribuir para a precisão dos dados levantados, premiando os institutos cujas estimativas “apresentem maior aderência aos resultados oficiais” da Justiça Eleitoral. Pela proposta, a entrega das premiações seria após o 2º turno das eleições. Seriam contempladas duas categorias: pesquisas feitas no dia do pleito e as realizadas nos sete dias anteriores à votação.
Os critérios de avaliação, indicadores estatísticos, metodologia de cálculo de aderência aos resultados oficiais e procedimentos de classificação seriam definidos por uma regulação específica.
Todas as empresas que atenderem aos critérios deste regulamento receberiam o selo.
A reunião com os institutos foi marcada pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques. O assunto ganhou relevância depois que o magistrado suspendeu, no começo de junho, a pesquisa do Instituto AtlasIntel que registrou queda nas intenções de voto do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) após revelação de áudios com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A questão do uso de áudios ou vídeos nas pesquisas e o potencial de induzimento do eleitor não foi alvo de debate na reunião desta terça (14/7). Na pesquisa suspensa, a AtlasIntel apresentou aos participantes, após as questões, o áudio da conversa entre Flávio e Vorcaro.
Participaram da reunião os seguintes institutos: Apex Partners, Atlasintel, Datafolha, Data Povo, Data Tempo, Direto Ao Ponto, Ipsos-Ipec, Quaest, MDA Pesquisa, Ipespe, Nexus, Paraná Pesquisas, Instituto De Pesquisas Perfil, Poderdata, Real Time Big Data e Vox Brasil.






