A governadora Hana Ghassan (MDB) tenta se apresentar, nas eleições de 2026, como fiscalizadora rigorosa da concessão da Águas do Pará. No debate da TV Liberal, afirmou que manterá o contrato, mas com “cobrança de metas” e ameaça de cassação em caso de descumprimento. O problema é que esse discurso não se sustenta diante de dois fatos objetivos: foi o seu governo que viabilizou a privatização; e, desde então, o serviço tem piorado em diversas regiões do estado.
A concessão da Águas do Pará foi estruturada e implementada sob a gestão de Hana, com contrato de longo prazo (água até 2033, esgoto até 2039) e abrangência de 126 municípios. Não se trata, portanto, de “herança” de governos anteriores, mas de opção política assumida por sua administração. Quando a governadora diz que vai “fiscalizar” e “cobrar metas”, está, na prática, tentando se descolar da responsabilidade por um modelo que ela própria adotou.
A realidade nas ruas contradiz a narrativa de “gestão responsável”. Em Belém, a Defensoria Pública já notificou a concessionária por falhas no abastecimento, diante de reclamações recorrentes de falta d’água e baixa pressão. No oeste, em Santarém, moradores relataram dias sem água em vários bairros, e a agência reguladora chegou a revogar aumento tarifário após a empresa falhar na comprovação de investimentos e diante das reclamações sobre o serviço. No sudeste, em Marabá e na região de Carajás, a população denuncia que, passados meses da concessão, o “padrão Cosanpa” de torneiras secas e manutenções emergenciais se manteve.
Matérias locais resumem o quadro: a crise da Águas do Pará não está restrita à capital, atingindo também o interior, com reclamações por falta d’água, baixa pressão e cobrança por serviço inadequado. Ou seja: o eleitor que abre a torneira e não encontra água não vê “fiscalização”, vê falha de prestação sob a gestão de quem defende o modelo.
Dizer que vai “fiscalizar” e “cobrar metas” soa, na prática, como tentativa de transformar um problema de opção política em questão meramente técnica. Mas a escolha de privatizar o saneamento foi política; a manutenção do contrato, mesmo diante de falhas generalizadas, também é política. Enquanto isso, adversários como Dr. DANIEL propõem romper o contrato e retomar o serviço para o poder público, bandeira que ressoa junto a quem vive a crise no dia a dia.
O posicionamento de Hana Ghassan sobre a Águas do Pará é contraditório: tenta se apresentar como fiscalizadora de um modelo que seu próprio governo implantou, enquanto o serviço se deteriora em Belém, Santarém, Marabá e em outras regiões. Para o eleitor que sofre com torneiras secas e contas altas, a promessa de “cobrar metas” soa menos como solução e mais como tentativa de adiar a conta política de uma privatização que, na prática, não entregou o que prometeu.




