sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Pré-candidato ao Governo do Pará nunca perdeu uma eleição. Confira os demais pré-candidatos
Meninas quilombolas rompem barreiras e ingressam no ensino superior: “A universidade também é nosso lugar”
Dia 11 de fevereiro, Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), por meio do seu Coletivo Nacional de Educação, celebra conquistas que nascem do sonho, da resistência e da luta coletiva do povo quilombola. Jovens que participaram da Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas e do Projeto Dandaras e Carolinas estão ingressando nas universidades brasileiras. Os projetos feitos para meninas quilombolas, com apoio do Fundo Malala, encorajam meninas a acreditarem no próprio potencial, fortalecerem suas identidades, ampliarem seus horizontes e ocuparem espaços historicamente negados ao nosso povo.
Foi assim com Juliany Carla da Silva, 18 anos. Ela é da comunidade quilombola de Trigueiros, distrito de Vicência (PE) e foi aprovada em Pedagogia por meio do Enem na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ela, a conquista tem dimensão histórica. “Um sonho conquistado, principalmente em uma universidade Federal com tanta concorrência e com apenas uma vaga para quilombola. Isso é a realização de um sonho.”
Juliany, que participou de várias atividades da Escola Nacional, disse que o projeto foi determinante em sua caminhada. “Me ajudou com bastante informação. Eu não tinha conhecimento suficiente e a Escola Nacional de Formação me trouxe bastante conhecimento e sabedoria.”
A jovem deixa um recado para outras meninas que também sonham em fazer uma graduação. “A universidade também é nosso lugar. Não deixem ninguém apagar seus sonhos. A gente carrega força, história e resistência. Quando uma chega, muitas chegam junto. Vocês podem, vocês merecem e vocês são capazes”, afirmou Juliany Carla.
No Paraná, Kailane Boeze da Silva Moreira, 18 anos, da Comunidade Quilombola Maria Adelaide da Trindade Batista, foi aprovada em Medicina duas vezes. Sua fala é um manifesto.
“Conquistar uma vaga em Medicina, como uma jovem quilombola, representa muito mais do que uma vitória pessoal. É a realização de um sonho que carrega a história e a luta do nosso povo por acesso a direitos que nos foram negados durante muito tempo. Para mim, é uma vitória coletiva.”
Kailane destaca o papel fundamental do Projeto Dandaras e Carolinas. “O projeto me fortaleceu enquanto mulher quilombola, me deu mais segurança para ocupar espaços e reforçou a importância da educação como ferramenta de transformação social.”
Sobre o futuro, ela afirma: “Pretendo usar a Medicina como ferramenta de cuidado, escuta e transformação social. A Medicina de Família e Comunidade me encanta, porque pode contribuir diretamente para a melhoria da saúde do povo quilombola.”
Sua mãe, Auriane Boeze da Silva Moreira, traduz o sentimento do quilombo. “Essa aprovação representa uma vitória muito grande, não só para nossa família, mas para todo o quilombo. É um símbolo de esperança, de resistência e de que nossos jovens podem ocupar lugares que antes pareciam distantes.”
Também no Paraná, Flavia Vitória Barbosa Batista, 17 anos, da comunidade quilombola do Feixo (Lapa), foi aprovada em Direito. Para ela, conquistar uma vaga na universidade, sendo uma jovem quilombola, significa romper barreiras históricas e ocupar um espaço que por muito tempo foi negado.
“É a realização de um sonho que não é só meu, mas da minha família e dos meus ancestrais.”
Ela reconhece a importância da formação política e identitária recebida. “A Escola Nacional me ajudou a acreditar no meu potencial e a entender que a minha história tem valor. Foi um espaço de aprendizado, acolhimento e construção de identidade.”
A jovem deseja usar os conhecimentos da graduação para ajudar a comunidade. “Quero usar o Direito para defender os direitos da minha comunidade e do povo quilombola, principalmente no acesso à educação, à saúde e à dignidade.”
Do Quilombo de Lagoa Fea, em Campos dos Goytacazes (RJ), Myllena Cruz Ricardo, 18 anos, foi aprovada em Tecnólogo em Telecomunicações. Para ela, estar na universidade é mais do que um projeto individual. “Conquistar uma vaga na universidade significa muito mais do que uma realização individual. É um ato de resistência e pertencimento. Finalmente estamos quebrando a barreira da desigualdade.”
A jovem reforça que a Escola Nacional fortaleceu sua identidade. “O projeto contribuiu para o fortalecimento da minha identidade. Ajudou a ampliar meus conhecimentos. Chegar até aqui é resultado desse apoio e do estímulo constante para acreditar que sonhar é realizar, é possível.”
Myllena já sabe como quer usar o conhecimento que vai adquirir. “Pretendo usar minha graduação em Tecnólogo em Telecomunicações como uma ferramenta de desenvolvimento e fortalecimento do povo quilombola”.
“A tecnologia, quando chega de forma justa aos territórios, pode transformar realidades.”
E reforça às outras meninas: “A universidade também é um lugar que nos pertence. Vocês carregam a força da ancestralidade. Quando vocês chegam à universidade, abrem portas para muitas outras que virão depois.”
A paraense Rhuanny Batista Albernas, 20 anos, da comunidade São Judas Tadeu, em Bujaru, conquistou vaga em Educação Física por meio de Processo Seletivo Específico para Quilombolas. “A minha aprovação é uma vitória. Uma grande conquista alcançar um lugar que foi sonhado há tanto tempo.”
Ela lembra que, na redação da prova, citou lideranças quilombolas e falou da luta coletiva pelo acesso às universidades. Rhuanny diz que depois de formada quer voltar para contribuir com sua comunidade. “Espero futuramente ajudar minha escola e minha comunidade com meus conhecimentos e poder transformar o ensino da Educação Física.”
Fortalecer meninas quilombolas é fortalecer a ciência brasileira
A CONAQ, por meio do seu Coletivo Nacional de Educação, celebra cada aprovação como uma conquista coletiva do povo quilombola. Cada jovem que ingressa na universidade reafirma que a ciência brasileira não pode continuar sendo produzida sem os territórios quilombolas, sem nossas experiências, sem nossos saberes ancestrais.
Projetos como a Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas e o Dandaras e Carolinas não são apenas iniciativas educacionais, mas também espaços de formação política, fortalecimento da identidade, incentivo à permanência e construção de consciência crítica. Eles demonstram, na prática, a importância de políticas e ações específicas para meninas quilombolas, que enfrentam desigualdades de raça, gênero e território.
Neste 11 de fevereiro, reafirmamos: meninas quilombolas pertencem aos espaços da ciência, das universidades e da produção de conhecimento. Pertencem aos laboratórios, às salas de aula, aos centros de pesquisa, às tecnologias, às políticas públicas e, futuramente, aos lugares de tomada de decisão
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Opinião: Família que inventou o trio elétrico deve receber royalties no Carnaval?
A invenção surgiu em 1950, na Bahia, quando a dupla criou a lendária “Fobica”, um Ford 1929 adaptado com alto-falantes e instrumentos amplificados, revolucionando o Carnaval de Salvador e dando origem ao modelo de palco móvel que hoje domina a folia. O trio elétrico transformou não apenas o Carnaval da Bahia, mas o Carnaval do Brasil — e influenciou festas em várias partes do mundo.
Atualmente, trata-se da maior festa popular do planeta, movimentando uma indústria que fatura milhões durante o Carnaval e as micaretas. Prefeituras fecham contratos milionários de patrocínio com grandes marcas de cerveja; emissoras de televisão lucram alto com publicidade nas transmissões; empresários donos de blocos e camarotes acumulam receitas expressivas; artistas constroem fortunas. É impossível imaginar nomes como Bell Marques sem o trio elétrico como palco principal de suas carreiras.
Enquanto isso, Aroldo Macêdo, filho de Osmar e integrante do tradicional grupo Armandinho, Dodô & Osmar, enfrenta problemas graves de saúde e precisa recorrer a campanhas para custear despesas médicas.
Diante desse cenário, surge uma reflexão inevitável: não seria justo e necessário que a família dos criadores do trio elétrico recebesse royalties pela maior invenção do Carnaval moderno? Se há uma cadeia produtiva milionária sustentada por essa criação, é razoável discutir mecanismos de reconhecimento financeiro permanente a quem idealizou o conceito que move essa engrenagem.
Valorizar a memória e a contribuição de Dodô e Osmar não é apenas uma questão histórica — é uma questão de justiça cultural e econômica.
Rui Baiano Santana
Autor do livro Memórias de um Gigolô Baiano
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Quem são os servidores investigados por vazar dados de ministros do STF
Via Jovem Pan
De acordo com a Receita, uma auditoria sobre o vazamento de dados fiscais envolve dezenas de sistemas e contribuintes. Servidores da Receita cedidos a outros órgãos foram alvo nesta terça-feira, 17, de operação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar violações de sigilo fiscal de parentes de ministros da Corte. Embora nem o Tribunal nem a Receita tenham informado quem são as vítimas, o Estadão apurou que uma delas é a esposa do ministro Alexandre de Moraes. O outro seria o filho de um também ministro do Supremo. De acordo com a Receita, uma auditoria sobre o vazamento de dados fiscais envolve dezenas de sistemas e contribuintes. O Supremo informou que “foram constatados diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguindo-se de posterior vazamento das informações sigilosas” (veja mais abaixo).
Os nomes dos investigados foi divulgado pelo STF, por meio de nota. São eles: os servidores públicos Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.
Até a publicação deste texto, o Estadão buscou contato com as defesas, mas sem sucesso. O espaço segue aberto.
O que se sabe sobre os alvos
Ricardo Mansano de Moraes
É auditor da Receita desde maio de 2007. Ele recebeu em dezembro R$ 51 mil em salários, segundo o Portal da Transparência. Mansano compõe a Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório (Eqrat) – braço técnico da Receita que faz análise, auditoria e gestão dos créditos que os contribuintes possuem a receber da União, e também o controle de créditos tributários devidos ao Fisco.
Mansano trabalha na Delegacia da Receita em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Ele mora em São José do Rio Preto, a 433 km da capital paulista. Ruth Machado dos Santos
No funcionalismo desde 1994, é técnica do Seguro Social em São Paulo. Ela exerce o cargo de agentes administrativo em um posto da Receita no Guarujá, litoral de São Paulo. Em dezembro, seu contracheque foi de R$ 11.664,79.
Luciano Pery Santos Nascimento
Também é técnico do Seguro Social e recebeu R$ 18.777,19. Lotado na Bahia, ele está no serviço público desde 1983.
Luiz Antônio Martins Nunes
É funcionário do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) no Rio de Janeiro. Ele está no órgão desde 2000.
Os quatro investigados foram afastados de suas funções e tiveram o sigilo quebrado (bancário, fiscal e telemático) por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Eles estão proibidos de saírem das cidades onde residem e obrigados ao recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana. Os suspeitos tiveram os passaportes retidos e estão proibidos de deixar o País e de ingressar nas dependências do Serpro (Serviço Federal de Porcessamento de Dados) e da Receita.
A operação
Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira de carnaval, 17, quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no âmbito de investigação que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal de ministros da Corte e de seus familiares.
A medida foi tomada após representação da Procuradoria-Geral da República.
Em nota, a Receita Federal reconheceu que dados foram acessados indevidamente e que as investigações seguem sendo aprofundadas. Os técnicos do Fisco fizeram questão de frisar que não toleram “desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”.
“Os sistemas da Receita Federal são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal. Desde 2023, foram ampliados os controles de acessos a dados, com forte restrição aos perfis de acesso e ampliação de alertas”, diz o comunicado.
Em janeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, abriu de ofício um inquérito para investigar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) quebraram de forma irregular o sigilo fiscal de ministros da Corte e familiares.
“Em 12 de janeiro, o STF solicitou à Receita Federal auditoria em seus sistemas para identificar desvios no acesso a dados de ministros da Corte, parentes e outros nos últimos três anos. O trabalho foi incluído em procedimento que já havia sido aberto no dia anterior pela Corregedoria da Receita Federal com base em notícias veiculadas pela imprensa”, segue o comunicado da Receita.
O órgão informou que “a auditoria, que envolve dezenas de sistemas e contribuintes, está em andamento, sendo que desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF”.
Segundo apurou o Estadão, a Receita questiona o inquérito, uma vez que, de acordo com interlocutores, o órgão não tem dados de contratos particulares e, além disso, o acesso a informações sigilosas sem procedimento fiscal aberto é uma prática sujeita a pena de demissão.
As suspeitas de que dados sigilosos de ministros e seus familiares foram vazados surgiu após o estouro da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
Em dezembro, o jornal O Globo revelou detalhes do contrato da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, para a defesa dos interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional.
De acordo com o contrato, assinado em janeiro de 2024, o escritório de Viviane receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso tivesse sido cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129 milhões até o início de 2027.
Quando o inquérito que apura possíveis vazamentos de dados fiscais de ministros do Supremo e de familiares foi aberto por Alexandre de Moraes, o Estadão apurou, sob reserva, que um grupo de ministros defende que a investigação esclareça se houve vazamento de informações sigilosas por parte de órgãos federais. Outra ala da Corte, no entanto, avalia que o novo inquérito pode ser interpretado como uma forma de pressão ou represália a órgãos de controle.
*Estadão Conteúdo
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Pesquisas eleitorais e a metodologia: debate com Dornélio Silva, da Doxa, terça (24)
Durante o encontro, serão discutidos os critérios técnicos utilizados nas pesquisas, como definição de amostragem, margem de erro, nível de confiança, coleta de dados e os desafios enfrentados pelos institutos no atual cenário político.
O debate promete esclarecer dúvidas frequentes da população sobre como são feitos os levantamentos eleitorais e qual o grau de confiabilidade dos resultados divulgados.
Terça-feira (24)
YouTube Ananindeuarebates
20h
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Vazamento expõe dados sensíveis de 537 mil filiados do PT em fórum cibercriminoso
A planilha apresentada como “prova” lista dezenas de colunas. Entre elas, aparecem dados eleitorais (título, zona e seção), identificação civil (CPF, RG e órgão emissor), filiação (nome do pai e da mãe), data de nascimento e endereço completo (incluindo número, complemento e CEP), além de telefones e e-mail. O cabeçalho também menciona campos de perfil, como profissão, religião, etnia, grau de instrução e faixa salarial. E vai além: inclui colunas que indicam identidade de gênero e orientação sexual, além de itens como “frequência de acesso à internet” e informações internas do partido, como cargos e setoriais de atuação. A Fórum não reproduz dados individuais exibidos na amostra para evitar amplificação de dano.
Violação da LGPD e risco de perfilamento político
A presença de campos como orientação sexual, identidade de gênero e religião, quando vinculados a CPF, endereço e telefone, configura um cenário de alta gravidade sob a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Em termos práticos, o pacote descrito permite perfilamento político e social e abre espaço para golpes por ligação e mensagem, engenharia social, tentativas de se passar por instituições e até intimidação direcionada, por tratar de filiação partidária.







