sábado, 20 de junho de 2026

Agência dos Correios do Centro de Ananindeua vai fechar?


Um leitor do Jornal Digital AnanindeuaDebates entrou em contato com a redação informando que a agência dos Correios localizada no Centro de Ananindeua poderá encerrar suas atividades.

A informação ainda está sendo apurada. A equipe do Jornal Digital AnanindeuaDebates está buscando confirmação junto aos Correios e acompanhará o caso para trazer informações oficiais aos leitores.

Até o momento, não há confirmação sobre o possível fechamento da unidade.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Ananindeua fortalece rede de atendimento e inclusão para pessoas com autismo

Foto Ricardo Amanajás

Via Ananews  -    No Dia do Autismo,   -Ananindeua celebra avanços históricos no atendimento especializado, com investimentos em saúde, inclusão e qualidade de vida para pessoas com TEA e suas famílias

Neste 18 de junho, data dedicada à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), Ananindeua se destaca pelos investimentos e ações desenvolvidos pela Prefeitura para ampliar o acesso à saúde, à reabilitação e à inclusão social das pessoas autistas e suas famílias.

O principal marco dessa política pública foi a implantação do Centro Especializado em Reabilitação e Referência em Transtorno do Espectro Autista (CERTEA), inaugurado em 2023. O espaço foi criado para oferecer atendimento especializado e multidisciplinar a crianças e adolescentes com TEA, tornando Ananindeua referência no atendimento público municipal voltado ao autismo no Pará.

O CERTEA conta com uma equipe formada por neuropediatra, psiquiatra, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, nutricionistas, pedagogos, psicopedagogos, enfermeiros e educadores físicos. A estrutura inclui salas de reabilitação física, psicomotricidade, estimulação intelectual infantil e adolescente, além de espaços para hidroterapia e hidroginástica.

As ações da gestão municipal também incluem atividades permanentes de inclusão, reabilitação e promoção da qualidade de vida. Recentemente, assistidos do CERTEA participaram de uma programação especial com atividades físicas, integração social e ações de bem-estar no Parque Vila Maguary, fortalecendo o desenvolvimento motor, emocional e social dos usuários atendidos pelo centro.

O trabalho desenvolvido em Ananindeua tem recebido reconhecimento externo. Em abril deste ano, o CERTEA recebeu o prêmio "Parceiro da Pessoa com TEA", concedido pela Universidade da Amazônia (UNAMA), em reconhecimento às ações de acolhimento, inclusão e atendimento especializado ofertadas à população autista do município.

Outro destaque foi a conquista do Prêmio Roma de Inovação e Sustentabilidade, que reconheceu o CERTEA como um case de sucesso na área da saúde pública. A premiação destacou o pioneirismo do município na criação do primeiro centro público municipal especializado em autismo no Estado do Pará.

Com investimentos em infraestrutura, equipes multiprofissionais, reabilitação especializada e ampliação da rede de saúde mental, Ananindeua consolida uma política pública voltada ao cuidado integral das pessoas com TEA. As iniciativas reforçam o compromisso da gestão municipal com a inclusão, a garantia de direitos e a melhoria da qualidade de vida das pessoas autistas e de suas famílias.

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Em reunião com líderes sindicais, o pré-candidato ao Governo do Pará, Dr. Daniel, defendeu o fim da escala 6x1



Durante reunião com lideranças sindicais, o pré-candidato ao Governo do Pará, Dr. Daniel, manifestou apoio ao fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de folga após seis dias consecutivos de atividade.

No encontro, que reuniu representantes de diversas categorias, Dr. Daniel destacou a necessidade de ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores e promover relações de trabalho mais equilibradas. Segundo ele, a discussão sobre a jornada de trabalho deve levar em consideração a saúde física e mental dos empregados, além de buscar alternativas que garantam produtividade e direitos trabalhistas.

As lideranças sindicais presentes defenderam a ampliação do debate sobre a redução da jornada e ressaltaram a importância da participação dos trabalhadores na construção de propostas voltadas à valorização do emprego e das condições de trabalho.

O tema do fim da escala 6x1 tem ganhado espaço no debate público e está entre as pautas defendidas por movimentos sindicais em todo o país.

Jornal Digital AnanindeuaDebates

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O que pesa contra líder do governo Lula no Senado alvo de nova fase de operação contra Banco Master


Via BBC por  Daniel Gallas Role,Da  e Londres por Author, Mariana Schreiber e Leandro PrazeresRole,Da BBC News Brasil em Brasília

Uma nova fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal — que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master — foi deflagrada nesta quinta-feira (18/06) e tem, entre os seus alvos, o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Outro alvo da operação é o banqueiro Augusto Ferreira Lima. Wagner é líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado.

"O senador Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais", afirma decisão assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que é relator do caso.

O senador teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio por medidas no Congresso que ajudariam o Banco Master — como a chamada "Emenda Master" (leia abaixo).

Já Augusto Ferreira Lima é descrito como "gestor ligado ao Banco Master, principal interlocutor privado de Jaques Wagner e figura central na suposta entrega de vantagens econômicas indevidas ao parlamentar e a pessoas de seu entorno". Esta é a 9ª fase da Compliance Zero, que foi iniciada em 2025.

A PF disse que agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF na Bahia, São Paulo e Distrito Federal.

"Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte", afirma a nota da polícia. "Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro."

Foram autorizadas buscas em endereços ligados ao senador — mas não dentro de seu gabinete no Senado.

A Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil dólares e outros € 33,5 mil na operação desta quinta-feira. Uma fonte que acompanha as investigações afirmou à BBC News Brasil em caráter reservado que o dinheiro foi encontrado em dois endereços ligados a Jaques Wagner. Um no Distrito Federal e outro na Bahia. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, emitiu uma nota na qual afirma que Wagner é "depositário de toda a nossa confiança".

"Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados", diz o presidente do PT.

"Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência".

A BBC News Brasil entrou em contato com representantes do senador Jaques Wagner e do banqueiro Augusto Ferreira Lima, mas não obteve retorno. Essa reportagem será atualizada quando houver manifestações.  Quais as suspeitas sobre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima?

A Operação Compliance apura a possível prática de crimes financeiros, de lavagem de dinheiro, de organização criminosa, de corrupção e de delitos conexos atribuídos a gestores e operadores ligados ao antigo Banco Master.

"No campo específico da presente representação, apura-se a possível relação ilícita entre gestores do Banco Master, notadamente Augusto Ferreira Lima e Daniel Bueno Vorcaro, e o Senador Jaques Wagner", diz a decisão de Mendonça.

As autoridades brasileiras investigam três eixos principais nessa fase da operação:

a possível "entrega de vantagens econômicas", com destaque para a compra de um apartamento em Salvador

a identificação de pagamentos e repasses a empresas "vinculadas ao núcleo familiar de Jaques Wagner"

a verificação de "indícios de atuação parlamentar, por parte do Senador, em temas de interesse do Banco Master", especialmente "em matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB".

A PF diz que Wagner teria encaminhado a Augusto Ferreira Lima dados de um apartamento do empreendimento Poème Horto avaliado em R$ 2,45 milhões. A compra final teria sido feita por outra empresa "em dinâmica que a autoridade policial reputa compatível com ocultação do beneficiário final", segundo a decisão.

Essas tratativas teriam acontecido mesmo depois da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.

A PF afirma que a BN Financeira Ltda. — uma "empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner" — teria recebido R$ 3,5 milhões de uma "pessoa jurídica vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima".

As autoridades também dizem que houve "atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master".

A PF diz que Wagner e Lima trataram diretamente de três temas relacionados ao Master:

à elevação da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores, aposentados e pensionistas, além de autorizar a realização de empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda;

à tentativa de aprovação da PEC 65/2023, com mudanças no limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos;

"atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB)".

Além disso, as autoridades afirmam que há outras questões "mais laterais" por parte de Wagner, como o "uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Ferreira Lima ou ao Banco Master"; e o "recebimento de ingressos para shows no exterior de elevado valor". A decisão cita ingressos à família do senador para shows de uma cantora que teriam acontecido em Los Angeles, em valor superior a R$ 63 mil. 'Emenda Master'

A decisão de Mendonça cita a chamada "Emenda Master", que já havia surgido em outras fases da Operação Compliance Zero.

No mês passado, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de uma fase da operação, suspeito de ter recebido vantagens financeiras para beneficiar o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.

Uma das acusações levantadas na investigação é que Nogueira teria apresentado uma proposta legislativa redigida pelo próprio Master, ampliando o limite de aplicações financeiras protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, por investidor.

Caso fosse aprovada, a mudança permitiria a bancos vender mais ativos financeiros com 100% de proteção.

A venda de aplicações financeiras com promessa de rendimentos exagerados alavancou o Banco Master e é uma das causas de sua liquidação em outubro pelo Banco Central.

O banco oferecia investimentos protegidos pelo FGC, mas prometia rentabilidade muito acima do normal no mercado. Depois, aplicava esses recursos em operações de alto risco ou mesmo fraudulentas, segundo investigações da PF.

Com a liquidação do Master, o FGC teve que devolver aos investidores do banco as aplicações até o limite de R$ 250 mil por CPF, o que provocou o maior rombo da história da instituição, de aproximadamente R$ 52 bilhões, considerando também outras instituições ligadas ao conglomerado, como Will Bank e Banco Pleno.

Ou seja, se o limite de proteção fosse ampliado, como propôs o senador, esse rombo poderia ter sido ainda maior.

O fundo é uma instituição privada, mantida por contribuições dos próprios bancos que operam no país, e tem como objetivo justamente atuar em eventuais quebras bancárias para evitar que a crise se espalhe pelo sistema financeiro.

O problema no caso do Master é que a instituição teria distorcido a finalidade do FGC ao aproveitar a garantia do fundo para vender aplicações irrealistas.

A tentativa de ampliar o limite de garantia foi feita por meio da emenda número 11, apresentada em 13 de agosto de 2024, dentro de uma proposta de alteração da constituição que busca mudar regras de funcionamento do Banco Central, a PEC 65/2023. A matéria está tramitando na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ainda não foi à votação.

O texto do senador ficou conhecido como "emenda Master" depois que a crise no banco explodiu.

O senador Jaques Wagner é citado em tratativas sobre a PEC 65/2023 na decisão de quarta-feira que levou à nova fase da Operação Compliance Zero.

"Em 13 de agosto de 2024, data da inclusão da emenda, Augusto [Ferreira Lima] realizou chamada de voz para Jaques Wagner, com duração de 9min19s, e logo depois encaminhou ao parlamentar o link da emenda. Posteriormente, em 27 de agosto de 2024, após encontro presencial, Augusto reencaminhou o link da emenda ao Senador."

A Polícia Federal afirma, no texto da decisão do relator do STF, que o senador "não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado". "Também merece destaque a mensagem de 29 de março de 2025, em que, ao explicar a Jaques Wagner os termos da operação de venda do Banco Master ao BRB, Augusto afirmou: 'Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!'", afirma a decisão.

"A autoridade policial também destaca que Augusto atuou como canal de interlocução com Jaques Wagner sobre temas de interesse do Banco Master. Enviou notícias sobre rating, estrutura acionária, Will Bank, PEC 65/2023, operação BRB/Master, requerimentos no Senado e CPI do Master."

"A constância desse fluxo informacional sugere, em juízo preliminar, relação funcionalmente direcionada e não meramente social."

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ananindeua tenta ampliar bancada na ALEPA



Pré-candidatos a deputado estadual ligados à base do pré-candidato ao governo do Pará, Dr. Daniel, vão disputar vagas na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA). O município de Ananindeua já chegou a ter seis deputados estaduais e há uma grande expectativa de que a cidade volte a eleger uma bancada expressiva.

Entre os pré-candidatos estão Alexandre Gomes, Braga, Douglas Marcos, Fabrício Miranda, Pará de e Rui Begot.

A expectativa entre lideranças políticas e apoiadores é de que Ananindeua fortaleça sua representação na ALEPA nas eleições de 2026.

Ananindeua ganha destaque internacional em articulação amazônica por sistemas alimentares sustentáveis


Via Ananews - Prefeitura de Ananindeua reforça protagonismo climático com adesão ao Cluster Plant Based Treaty.

A cidade de Ananindeua voltou a se destacar no cenário das políticas climáticas ao integrar uma aliança inédita de municípios amazônicos que defendem a inclusão dos sistemas alimentares nas negociações globais sobre mudanças climáticas. A iniciativa reúne cidades da Amazônia em torno de uma agenda que conecta segurança alimentar, sustentabilidade e enfrentamento da crise climática.

O movimento surgiu como um dos desdobramentos da COP30 e busca fortalecer a discussão sobre a relação entre produção de alimentos, agricultura sustentável, saúde pública e mudanças climáticas. A proposta é ampliar o debate internacional para além das emissões de gases de efeito estufa, destacando o papel dos sistemas alimentares na construção de comunidades mais resilientes.

Em Ananindeua, a adesão ao Cluster Plant Based Treaty reforça o trabalho desenvolvido pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal Extraordinária das Mudanças Climáticas (SEMC+), que vem ampliando ações voltadas à sustentabilidade, à educação ambiental e ao fortalecimento da agricultura urbana e periurbana.

Para o secretário municipal extraordinário das Mudanças Climáticas, Fellipe Bastos, a soberania alimentar será um dos pilares fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelo aquecimento global nos próximos anos.

"Na visão estratégica da Prefeitura de Ananindeua, a soberania alimentar é essencial para construir uma cidade resiliente às mudanças do clima. Enfrentaremos o verão mais quente da nossa história e a produção do nosso celeiro de hortaliças, nos bairros do Curuçambá e Parque das Águas, é essencial para que a população tenha acesso a produtos saudáveis de uma alimentação baseada em plantas. Participar do Cluster Plant Based Treaty no Pará significa estar alinhado com o consumo sustentável, mas, primeiramente, com a garantia de comida na mesa num momento em que a crise se avizinha", destacou o secretário.

A fala reforça a importância das políticas públicas voltadas à produção local de alimentos, especialmente em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. A estratégia municipal busca fortalecer a segurança alimentar da população ao mesmo tempo em que promove práticas sustentáveis de produção e consumo.

A participação de Ananindeua no movimento também fortalece a posição do município nas discussões ambientais da Amazônia, ampliando sua atuação em redes nacionais e internacionais voltadas ao desenvolvimento sustentável. Além dos benefícios ambientais, a iniciativa contribui para valorizar os produtores locais, incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e preparar a cidade para os impactos das mudanças climáticas.

Com a adesão ao Cluster Plant Based Treaty, Ananindeua reafirma seu compromisso com a construção de uma cidade mais sustentável, resiliente e preparada para os desafios do futuro, colocando a segurança alimentar e o bem-estar da população no centro das políticas climáticas municipais.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Por unanimidade, STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses por coação


Via InfoMoney por Marina Verenicz

Primeira Turma formou maioria para condenar ex-deputado por atuação voltada a influenciar processos ligados à trama golpista e ao julgamento de Jair Bolsonaro. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira (16) o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo.

Além de concluir que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tentou pressionar autoridades brasileiras por meio de articulações nos Estados Unidos, os ministros também acompanharam a fixação de pena de 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto, além da imposição de inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da condenação e a perda do cargo na polícia federal.

Por unanimidade, os ministros concluíram que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro utilizou sua articulação política nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e tentar interferir no andamento das ações penais relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro teria buscado apoio político dentro da administração de Donald Trump para estimular sanções contra ministros do STF, restrições de vistos e medidas econômicas contra o Brasil.

Com a condenação definida pela maioria da Primeira Turma, o julgamento avança agora para a fase de dosimetria da pena, quando os ministros definirão qual será a punição aplicada ao ex-deputado. O ministro Alexandre de Moraes votou pela condenação do ex-deputado federal. Moraes afirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro utilizou sua atuação política nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e interferir no andamento dos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Ao apresentar seu voto, o ministro rebateu um dos principais argumentos da defesa, segundo o qual Eduardo apenas exerceu sua liberdade de expressão. Para Moraes, as próprias manifestações públicas do ex-parlamentar servem como prova da acusação. 

Durante a sessão, o relator exibiu uma série de publicações em redes sociais, entrevistas e vídeos produzidos por Eduardo Bolsonaro e pelo empresário Paulo Figueiredo. Segundo Moraes, o material demonstra uma atuação contínua para estimular sanções contra autoridades brasileiras e criar constrangimentos ao Poder Judiciário. “Não há dúvida do total conhecimento da acusação. Só há o total desconhecimento do direito penal”, declarou o ministro ao comentar vídeos em que Eduardo reagiu à abertura da ação penal.

Entenda o caso

A origem do caso remonta a maio de 2025, quando a Procuradoria-Geral da República abriu investigação para apurar a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo a PGR, o então deputado buscou apoio junto a integrantes do governo Donald Trump para estimular medidas contra ministros do STF, delegados da Polícia Federal e procuradores envolvidos em investigações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre as ações mencionadas pela acusação estavam campanhas em favor da suspensão de vistos, bloqueio de ativos financeiros e outras sanções contra autoridades brasileiras.Ao longo da investigação, o Ministério Público apontou possíveis enquadramentos nos crimes de coação no curso do processo, embaraço à investigação envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Em novembro de 2025, a Primeira Turma aceitou por unanimidade a denúncia e transformou Eduardo Bolsonaro em réu. Voto de Alexandre de Moraes

Ao justificar a tipificação do crime de coação no curso do processo, Moraes afirmou que a vítima da conduta não é um magistrado específico, mas o próprio sistema de Justiça.

“Na coação no curso do processo, a vítima é a administração da Justiça, e não um determinado julgador”, disse.

Segundo o relator, a acusação não se limita a críticas ao STF ou a seus integrantes, mas envolve tentativas de influenciar decisões judiciais por meio de pressões externas.

Moraes também destacou que a atuação atribuída a Eduardo Bolsonaro extrapola as atribuições de um parlamentar brasileiro.

“Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país. Isso não consta, desde a Constituição do Império até a atual, como função de deputado federal”, afirmou.

Linha do tempo e novas manifestações

Ao longo da leitura do voto, Moraes apresentou uma cronologia relacionando declarações de Eduardo Bolsonaro às etapas do julgamento de Jair Bolsonaro e de outros réus condenados pela trama golpista.

Segundo o ministro, as ameaças de sanções internacionais se intensificaram à medida que avançavam os processos no Supremo.

O relator também afirmou que as condutas investigadas não ficaram restritas ao período coberto pela denúncia. De acordo com Moraes, Eduardo continua reproduzindo manifestações que, em sua avaliação, mantêm a estratégia de pressão sobre instituições brasileiras.

O ministro chegou a citar um vídeo publicado pelo ex-deputado na segunda-feira (15), além de uma entrevista concedida a um veículo norte-americano em que Eduardo teria defendido que os brasileiros aceitassem os efeitos econômicos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Voto de Cristiano Zanin

O ministro Cristiano Zanin acompanhou integralmente o voto de Alexandre de Moraes e se manifestou pela condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo.

Ao justificar sua posição, Zanin afirmou que o caso não envolve apenas manifestações políticas ou opiniões públicas, mas condutas que, em sua avaliação, buscaram pressionar autoridades brasileiras e influenciar investigações e ações penais em andamento.

“Uma coisa é liberdade de expressão, liberdade de manifestação de um posicionamento político. Outra coisa é enveredar para um caminho em que se fazem presentes elementos de condutas típicas penais definidas na legislação brasileira. E esse é o caso”, declarou o ministro.

Segundo Zanin, os atos atribuídos a Eduardo Bolsonaro extrapolaram os limites da atuação política e tiveram como finalidade interferir em processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.