Salve Jorge! Salve o carnaval de Salvador!
Emiliano José*
*Faz anos que discuto o carnaval de Salvador, os recentes carnavais ao
menos. Desde vereador, no início dos anos 2000, faço a crítica do modelo
elitista, que exclui os negros e pobres, que se baseia na adoração do deus
mercado, que se baseia exclusivamente na acumulação de capital, que virou um
grande negócio para alguns poucos apaniguados. Não, não me venham com a
ladainha de que é assim mesmo, que não há jeito, que são as regras do jogo, que
o capitalismo é isso aí, não me venham com argumentos de naturalização da
exclusão. Fiquei feliz com a explosão de João Jorge, uma explosão
consciente, lúcida, que disse ser o carnaval de Salvador o carnaval de uma
artista só, Ivete Sangalo, a grande mãe branca, protagonista do ridículo
"Cansei" ali pelo agosto de 2007, orgulhosa ao lado da medrosa Regina
Duarte e de Ana Maria Braga, entre tantos cansados, como lembrou Altamiro
Borges, de O Vermelho, recentemente. Cansaram de falar, de bradar, e
recolheram-se para o bem de todos e felicidade geral da Nação. O "Cansei"
tornou-se ridículo. João Jorge, presidente do Olodum, um dos mais
respeitáveis e brilhantes blocos negros de Salvador, em entrevista à Folha de
S. Paulo, recentemente, disse que o carnaval da Bahia é discriminatório,
segregador, uma grande exclusão em benefício de uma minoria. Acertadamente,
lembra que há um pequeno grupo, de empresários e artistas brancos, que tem os
melhores patrocínios, maior visibilidade, todos os recursos. Negros e negras,
fora. E as cordas, com seguranças – cordeiros – separam os blocos do povo, do
folião pipoca, que constitui a grande maioria. O carnaval podia ser mais
generoso, incluir mais, tratar melhor o povo, e aqui, sem dúvida, o povo negro,
esmagadora maioria da população de Salvador. A ideia do Afródromo – um
circuito só com blocos negros, já sintomaticamente abençoado pelo prefeito ACM
Neto – parece a ele, João Jorge, como a mim, um equívoco. Os negros seriam
jogados para a Cidade Baixa, tirados do circuito central, e fariam a sua folia
particular, o que, me parece, como a João Jorge, poderia consagrar o apartheid,
e não derrotá-lo. Deixa-se os negros brincarem em paz, e os brancos ficam do
outro lado, no circuito central do carnaval. Por que não se garante o espaço
dos blocos negros no coração da folia, todos juntos? Pode ser que me convençam
de que essa ideia é boa, mas até agora compartilho do pensamento de João Jorge.
Como a Bahia virou a terra de um
artista só, como diz João Jorge, os artistas emergentes são sistematicamente
excluídos, e isso empobrece a cidade e o Estado. Claro que dizer festa de uma
pessoa só é uma metáfora, embora bem próxima da realidade. O repórter diz a
ele, na entrevista, "mas há Cláudia Leite". Sim, e daí? "São
cantoras brancas, que dominam todo o mercado de publicidade, todo o mercado de
shows, e que uma compete com a outra". E a Bahia, com ótimas cantoras
negras, numa cidade majoritariamente negra, não aproveita o simbolismo tão
forte de uma cultura enraizada, a cultura negra, parte essencial da vida
baiana. João Jorge diz que as cantoras negras da Bahia "seriam milionárias
nos EUA". Salve Jorge. Salve João Jorge. Ninguém há de negar que o
carnaval é também um negócio, uma festa que produz lucros. Mas será que o único
modelo é este, que vai matando a galinha dos ovos de ouro que é a participação
popular, a liberdade de o povo se divertir, se movimentar, pular, brincar,
folguedear? O lucro não vai acabar, mas só há este modelo, tão concentrador?
Não creio, sempre há alternativas, e melhores, se houver disposição para a
mudança. Falam muito depois que o carnaval acaba, falam em mudança de circuito,
no Afródromo.
Nada, no entanto, que vá à raiz das coisas, que enfrente a segregação que os blocos de trio encordados e encordeirados produzem na folia. Afora os camarotes, que se tornaram um espetáculo obsceno de ostentação, que tiram das ruas milhares de foliões que tenham algum dinheiro, engordando as burras dos que tocam o negócio, e que aprofundam a segregação.
E esse espírito segregacionista, elitista, que fortalece o apartheid, vai ganhando cores dramáticas, embora curiosamente vá sendo naturalizado. As cantoras, poucas, que controlam o carnaval, chegam ao requinte de dar ao turista a oportunidade de nem conhecer Salvador, isso mesmo, não pensem que exagero. O folião ou foliã paga uma exorbitância para garantir que ele chegue ao hotel alugado por uma delas, conviva com sua estrela, saia dali protegido por seguranças, negros naturalmente, e siga direto para o meio das cordas sem sequer passar pelo meio do povo suarento. All inclusive, alardeiam, nessa expressão horrível, própria de um servilismo cultural repulsivo. E depois do all inclusive, terminada a folia, ele segue para o aeroporto, e adeus Salvador, que ele não conheceu. Só conviveu com os outros foliões entre cordas, devidamente protegido pelos cordeiros, que receberam coisa de 43 reais por jornada, se me lembro bem. Durante o carnaval, saiu no jornal, Cláudia Leite deu um esporro num segurança porque ele batia muito num folião que resolveu invadir as cordas do bloco – o segurança deve ter sido mandado embora, malgrado estivesse seguindo as orientações da estrela.
O prefeito eleito é originário do negócio festa, reconhecidamente. Por isso, seguramente, em princípio, sua responsabilidade seria ainda maior, pois, não pode de modo nenhum confundir o público e o privado. Digo por dizer, porque, afinal, ele não é o responsável por esse modelo, que já perdura por alguns anos. Encontrou pronto. Mas, podia ter proibido o funcionamento de um camarote sobre um espaço público, gigantesco camarote, em Ondina. Ou outro sobre um posto de gasolina, no mesmo bairro. Ele terá tempo para refletir sobre tudo isso e desenhar o carnaval do próximo ano.
A entrevista de João Jorge não teve nenhuma repercussão. Os promotores desse carnaval elitista silenciaram, que é a melhor maneira de deixar tudo como está, de não dar importância ao debate. Coisas da vida, dirão alguns. É assim mesmo, dirão outros. Nada. Temos que nos insurgir contra isso, devolver o carnaval aos pipocas, restringir, regular o mercado, enfrentar a desigualdade odiosa que se manifesta nos dias de folia.
A praça é do povo como o céu é do avião, já se disse. Deixou de ser. E é preciso devolvê-la ao povo. Urgente. Será que é possível imaginar um dia em que se tenha abolido todas as cordas? Não sei. Só sei que do jeito que vai, e já disse isso em outras ocasiões, estão matando a galinha dos ovos de ouro, que é a participação popular. Os camarotes vão mais e mais se expandir, os blocos de trios vão engrossar sua receita, o pipoca ficará ao sabor da boa vontade de um ou outro trio, e la nave va, com a burra cheia. E o povo pobre e negro que se lasque. Não, é preciso reagir. Democratizar o carnaval da Bahia.
O povo já cantou Caetano e deve continuar a cantar não me amarra dinheiro não, mas formosura, dinheiro não, a pele escura, dinheiro não, a carne dura, dinheiro não. Salvar o carnaval da Bahia. Devolvê-lo ao povo.
*Texto publicado originalmente no site Brasil 247.
* Titulo do Blog Ananindeuadebates
* Titulo do Blog Ananindeuadebates

Um comentário:
O Diretor Administrativo e Financeiro da ADEPARÁ, Sr. ADENAIR VIEIRA SÁ, acaba de dar uma “pequena” batida no carro do órgão, uma L-200 TRITON recém-comprado por meio de convênio com MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
O sinistro, ocorrido na madrugada, ou seja, fora do horário de expediente, na cidade de REDENÇÃO, onde o veículo não deveria estar, vão custar ao erário público, à bagatela de 22 (VINTE E DOIS) MIL REAIS. O Mais cômico é que o Diretor Geral da ADEPARÁ Mário Moreira teve a ousadia de dizer que vai entregar 15 (quinze) L-200 TRITON para os escritórios regionais da ADEPARÁ. Pura ENDRÔMINA! Porque agora são no máximo 14. Uma ficou completamente destruída pelo Diretor ADENAIR VIEIRA SÁ, já conhecido do público paraense, por improbidade administrativa, quando secretário de Saúde do município de Redenção.
Pra quem não sabe a situação caótica rondando a ADEPARÁ, onde A DIRETORIA ADMINISTRATIVA FINANCEIRA é OCUPADA (?????) POR ADENAIR VIEIRA SÁ, mas respondem por ela: a coordenadora de finanças Sra. ROSE, o diretor operacional Sr. Sálvio Freire e agora um Sr. desconhecido ODENIR, que inclusiva assina como diretor, mas não foi nomeado pra isso.
Veja, é só um pedacinho do caos e da falta de gestão que sofrem na ADEPARÁ.
Quer mais?
A Sra. Rose, dublê de gerente, NEPOTISTA, coordenadora da Gerência Financeira, que abrigou como secretária de diretoria (administrativa e financeira) a sua irmã de prenome Maria, é ESPOSA e Mãe do filho do Sr. José Neto (FAVORITISTA ASSUMIDO), coordenador da gerência de serviços da ADEPARÁ, pau-mandado de MARIO MOREIRA, responsável por proferir as facínoras dentro do órgão, principalmente por ser a pessoa que faz a contratação das empresas, a compra dos produtos e sempre com margem de 15 a 25% a mais para que possa sobrar dinheiro para ele e sua equipe. Pra quem não sabe este José Neto, conhecido como Netão, foi defenestrado da gestão do DETRAN, por corrupção, e claro ‘re-abrigado’ na ADEPARÁ de onde havia saído para ir para o DETRAN. Descasca este abacaxi!
E como será pago o agravo da L-200 TRITON sem que o MAPA deslinde? Com dinheiro vivo, desviado com aquelas margens de corrupção feita nas contratações.
Corrupção, nepotismo, Incapacidade administrativa, abuso do poder econômico, gestão fraudulenta, dentre outros. Está é a ADEPARÁ que você (des)conhece.
Vamos falar sobre isso e outras coisas em nossa página no facebook: www.facebook.com/AdeparaDaDepressao
Por favor, divulgue o link e a notícia.
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