quarta-feira, 20 de março de 2013

Deputados vão à justiça pedir paz no campo em Igarapé-Açú

Deputado Edmilson Rodrigues

         Uma comissão externa da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), composta pelo deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL) e Augusto Pantoja (PPS) reuniu em audiência com o juiz da comarca de Igarapé-Açu, Maurício Pontes para tentar mediar uma solução pacífica para o conflito entre trabalhadores rurais e os proprietários da fazenda Dom Bosco. No início do mês, o judiciário decretou a prisão preventiva contra oito trabalhadores rurais que estariam participando da ocupação da fazenda. "O que queremos é tentar uma solução que restabeleça a paz. Para isso é necessário sensibilidade para não radicalizar em ações como a prisão de trabalhadores", destacou Edmilson.
         O juiz Maurício Pontes assegurou que não está sendo feita nenhuma perseguição política contra trabalhadores, mas que o caso já estaria se tornando "político", e não mais uma questão agrária. "A única coisa que eu quero garantir é que ninguém mais invada aquela fazenda e que cumpra a minha ordem", disse o juiz. Edmilson destacou que é preciso unir esforços e tentar buscar uma solução que leve a paz ao campo em nosso Estado, com o objetivo de evitar novos conflitos.
         O Pará já foi palco do assassinato de 19 trabalhadores sem-terra em 1996, no
episódio que ficou conhecido como o massacre de Eldorado dos Carajás. De lá para cá, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), até o ano passado, nada menos que 212 pessoas foram assassinadas em conflitos agrários, na média, desde 1996, foram 14 execuções por ano. Outras 809 sofreram ameaças de morte.
         Em fevereiro de 2011, mais de 100 famílias ocuparam a fazenda Dom Bosco, com o fim de residirem e produzirem para proverem seus sustentos. Ocorre que supostos donos da área ingressaram com uma ação de reintegração de posse, liminarmente concedida pelo juízo de Igarapé-Açu, que após entender que sua decisão não havia sido cumprida integralmente, resolveu por decretar a prisão preventiva de 9 (nove) pessoas que entende por lideranças e participantes do movimento de ocupação. Os trabalhadores rurais tiveram que fugir do município para não serem presos e a situação tem deixado as famílias apreensivas.
         Isabel Cristina Neves, de 45 anos, esteve ontem na sede da comarca judicial de Igarapé-Açú para tentar conseguir que a prisão preventiva decretada contra o seu marido, João Adailson Mergulhão, de 45 anos, seja revogada, pois a família está passando por dificuldades. "Meu marido não tem nada a ver com essa questão de terra da fazenda Dom Bosco. Ele tem uma oficina de grades e, agora, está foragido, sem poder trabalhar e estamos nervosos e passando dificuldades porque estamos sendo vítimas de uma injustiça", disse a mulher, que espera conseguir a sensibilidade do judiciário, no sentido de rever a decretação de prisão preventiva contra seu marido e os demais trabalhadores.
         De acordo com os trabalhadores, dos nove que tiveram a prisão preventiva decretada, somente dois estiveram no processo de ocupação, mas desocuparam a área imediatamente após o cumprimento do mandado de reintegração de posse. Enquanto que os outros nunca tiveram qualquer relação com o movimento; trata-se da proprietária de uma rádio comunitária da cidade, que só esteve na área para fazer matéria jornalística sobre o ocorrido, junto com seu irmão que também teve a prisão decretada; um antigo caseiro da fazenda; e vizinhos que moram em frente a área ocupada.

Nenhum comentário: