O Blog Ananindeua Debates realiza
uma entrevista exclusiva com o primeiro operário da construção civil de Belém a
conquistar uma vaga na Câmara Municipal de Belém. e que está lançando na sexta feira- (14/03) sua pré candidatura ao governo do Estado pelo PSTU.
Cleber Rabelo Nasceu em Bacuri (MA),
e reside em Belém/PA há mais de 16 anos, casado, pai de 2 filhos, concluiu o ensino médio em 1993 na escola pública Bolivar Bordallo na cidade
de Bragança. Servente de ferreiro em Belém, iniciou a militância política no
movimento sindical em 1998 e em 2003 entrou para e direção do Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil de Belém – STICMB.
Em 2010 foi candidato a
governador pelo PSTU, obtendo 41.514 votos. Cleber é um dos principais
dirigentes políticos e sindicais da região metropolitana de Belém, atuando
ativamente nas lutas e greves das diversas categorias de nosso Estado.
Atualmente cumpre o mandato de vereador de Belém, conquistado nas eleições de
2012, que contou com um apoio maciço de sua categoria, sendo o terceiro
vereador mais votado em sua coligação PSTU/PSOL que elegeu 5 vereadores,
obtendo 4.691 votos.
Ele defende um programa
socialista e faz severas críticas aos governos burgueses que dirigem Belém
e o restante do Estado do Pará, seu mandato na Câmara de Vereadores de Belém (CMB), defende uma política de apoio irrestrito a luta dos
trabalhadores, contra os interesses das grandes empresas e bancos,
Ananindeua
Debates - 1 ano de Parlamento mudou o operário Cleber?
Cleber Rabelo - Em 1 ano de
atuação parlamentar aprendi muitas coisas novas e encarei novos desafios em minha
militância. Isso obviamente faz com que a gente amadureça. Mas a nova tarefa
que assumi, como vereador, não fez com que eu abandonasse minhas ideias e meus
princípios políticos e morais, nem fiz da política um meio de enriquecer e nem
me afastei do meu cotidiano, de lutar todo dia junto a classe trabalhadora
apoiando suas lutas na cidade e no estado, em especial da minha categoria da
construção civil. Neste sentido, posso dizer que não mudei após ter me tornado
vereador. Continuo tendo o mesmo padrão de vida que tinha antes, pois recebo o
mesmo salário que já recebia há dois anos antes de ser vereador quando me
tornei um profissional político do partido, e a maior parte dos recursos do
mandato são empregados na luta dos trabalhadores. Minhas idéias e convicções
socialistas e revolucionárias se consolidaram ainda mais após conhecer de perto
o funcionamento do parlamento burguês e reafirmar aos trabalhadores que suas
vidas só terão melhorias significativas através da luta e não dessa falsa
democracia.
AD - Qual o projeto mais
importante que o senhor apresentou na CMB, e qual o projeto que foi aprovado.
CR - Cada projeto tem uma especificidade e atende a
objetivos e públicos distintos. Apresentei o projeto do plano municipal de
habitação de interesse social, o projeto que torna o dia da consciência negra
feriado municipal, o projeto do passe-livre, entre outros. E um dos que
considero mais importante, que foi um "choque" para os vereadores,
foi o projeto que reduz o salário do prefeito, vice-prefeita, secretários e
vereadores para um teto de 8 salários mínimos. Este projeto ajudou a
desmascarar para a população, que a maioria dos vereadores disputam as eleições
para obter altos salários e privilégios, e não para melhorar a vida do povo,
que a câmara é uma instituição a serviço da burguesia, e não dos interesses da
maioria da população que sofre com o descaso do poder publico que não priorizar
os investimentos em saúde, educação saneamento e moradia.
Aprovamos um projeto de lei que reserva no
mínimo de 15% de vagas para as mulheres em obras habitacionais da prefeitura
(Lei 9.037/2013). Que foi fruto da luta das mulheres e homens de nossa
categoria que na greve da construção civil atenderam o nosso chamado e vieram
até à câmara exigir a aprovação desse projeto.
AD - O PSTU a nível nacional
está defendendo uma frente de esquerda, aqui no Pará vocês vão defender? e com
que partidos?
CR - Estamos fazendo um chamado ao PSOL e ao PCB, e
já iniciamos algumas conversas, com esses dois partidos que fazem oposição de esquerda
aos governos, para conformarmos uma frente de esquerda que seja uma alternativa
à falsa polarização entre as duas candidaturas majoritárias, a de Jatene do
bloco PSDB/DEM/PPS, e a de Helder do bloco PMDB/PT, que há muitos anos governam
o Pará e não resolveram os problemas históricos e estruturais do nosso Estado.
O povo do Pará precisa de um governo que defenda os interesses da maioria da
população, dos explorados e excluídos, dos trabalhadores urbanos, dos
ribeirinhos, pescadores, dos povos indígenas, dos trabalhadores rurais, dos
negros, LGBTs e mulheres, enfim de quem trabalha e produz a riqueza e não tem
seus direitos respeitados, é roubado pelos patrões e padece com o caos nos
serviços públicos oferecidos pelo Estado.
AD - O PSTU passou muitos
anos sem parlamentar, hoje o Partido prioriza eleger parlamentares? o
parlamento para o partido hoje é uma trincheira de Luta?
CR - Os cargos
parlamentares para os socialistas revolucionários são um ponto de apoio para a
luta de classes. Nós não abrimos mão de nossas ideias e princípios para eleger
parlamentares, não recebemos dinheiro de empresários e não fazemos alianças com
partidos burgueses. Não acreditamos que elegendo parlamentares e ocupando
cargos no executivo, por dentro do atual ordenamento jurídico-político-institucional
burguês seja possível mudar a sociedade. Para modificar a lógica de
funcionamento da sociedade e do Estado é preciso fazer uma revolução socialista
e só a luta e a organização direta da classe trabalhadora será capaz de
destruir o estado burguês e construir um Estado socialista, um estado dos
trabalhadores, completamente diferente de tudo o que existe. Por isso, para nós
do PSTU o parlamento é um instrumento a serviço da luta de classes e não o
contrário. Estamos no parlamento para mostrar para os trabalhadores que o
Estado burguês não irá garantir seus direitos, que é preciso lutar por outro
tipo de estado e sociedade e que isso não é uma utopia. Isso é possível se os
trabalhadores confiaram em suas forças e em sua capacidade de organização para
governar.
AD - O Senhor travou uma
luta ano passado para acabar com o ticket alimentação de R$ 14 mil reais para
vereadores, também como dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil, luta para que empresários do setor deem uma Cesta Básica para os
operários. Qual a luta mais difícil, acabar com tickets de 14 mil dos
vereadores ou conseguir a Cesta Básica para os operários?
CR - As duas são difíceis, pois tanto os
empresários da construção civil como a maioria dos vereadores defendem
interesses próprios, mas com a luta organizada dos trabalhadores diante de sua
conscientização é possível conquistar ambas e eu sou um porta voz dessa luta
política, pois sozinho não conquistarei nada.
AD - Que nota o Senhor dá à
atuação da Câmara de Belém e ao governo Zenaldo Coutinho?
CR - Nota 0. Em 2012, muitos trabalhadores votaram
em Zenaldo (PSDB) com a esperança de que ele cumprisse suas promessas de
campanha. A principal promessa era que em seu mandato a Saúde, o Saneamento e a
Segurança (Os 3’s) teriam mais investimentos e atenção. Mas infelizmente, o ano
de 2013 foi marcado pelo caos na saúde, o aumento da violência principalmente
contra as mulheres e a continuidade do descaso com o saneamento básico. Além do
abandono da educação municipal, novos escândalos na SEMEC, no saneamento, na
FUNBOSQUE, nas obras do BRT e tudo isso com a conivência da maioria dos
vereadores da câmara de Belém. Diversos projetos, que são de interesse da
população são vetados pela base aliada do governo Zenaldo e impedem que Belém
avance.
AD- Na mídia só se fala em
Jatene X Helder Barbalho para o governo, parece bipartidarismos, a imprensa
tradicional esquece que existe outros partidos e outras candidaturas, furar
esse bloqueio é possível?
CR - É difícil, mas não impossível. Os principais
veículos de comunicação do Pará são controlados por famílias tradicionais e
possuem ligação direta com esses partidos e por tanto atendem diretamente aos
interesses deles, seja PSDB ou PMDB. Mas nossas denúncias sobre as condições de
vida da classe trabalhadora e as injustiças sociais do estado refletem o
cotidiano da população e de quem realmente sente na pele essas injustiças e
portanto nos abre um canal de diálogo. Nós não temos medo disso, todos os dias
visitamos um canteiro de obra, fazemos uma panfletagem em um bairro,
participamos de uma entrevista em uma rádio comunitária e a quem nos ouve levamos
o nosso programa para conscientizar as pessoas de que esses partidos não
resolverão suas angustias, que é necessário ter uma alternativa para os
trabalhadores.
AD- O senhor é Candidato a
Governador
CR - Sou pré-candidato. Mas estamos discutindo a
conformação de uma frente de Esquerda com o PSOL e o PCB. Se as conversas não
avançarem, serei candidato ao governo. Se o PSOL e o PCB se dispuserem a
construir conosco uma campanha pautada pela independência de classe,
independência financeira, (sem financiamento patronal de campanha), um programa
socialista de oposição de esquerda ao governo Dilma, tempo de TV e composição
democrática das chapas, com certeza conformaremos uma FRENTE DE ESQUERDA para
enfrentar os candidatos da burguesia. E a minha localização poderá ser mudada
para candidato à deputado (estadual ou federal). Mas quem vai tomar essa
decisão é a militância do partido. Estou disposto a cumprir qualquer uma dessas
tarefas.
AD - Obrigado Vereador




Um comentário:
O operário Cleber mudou bastante mesmo, mais a categoria que o elegeu ficou na pior , entregue a própria sorte, hoje os trabalhadores da construção civil vivem de subemprego, com a terceirização dentro da própria terceirização, os camaradas da construção civil coitados o elegeram com esperança de mudança e qualidade de vida, mais foi apenas um sonho. A incompetência junto com o despreparo do sr.cleber levou os trabalhadores ao fundo do poço, perderam conquistas e dignidade por conta do terrorismo ditador do PSTU. hoje dia 21 /03, nós trabalhadores da Celpa estamos recebendo nossa PLR, sabes porque? temos um Sindicato responsável e qualificado, para sentar na mesa de negociação e negociar aquilo que é bom para o trabalhador e não o PT ou PSOL, PSTU, isso chama-se sindicato qualificado a responsabilidade de trabalhador não de mercenário-- olenilton goncalves
Postar um comentário