Os passos incertos das eleições 2014

Em toda eleição presidencial, há dois tipos de derrotados: aqueles que jogam tudo na eleição e matam as chances em eleições futuras; e aqueles que, mesmo sabendo que serão derrotados, preparam o campo para as eleições seguintes.
Lula representa o segundo caso. Perdeu várias eleições, mas insistiu nos temas do combate à pobreza, extirpou o excesso de agressividade da retórica petista e teve paciência para aguardar o fim do apelo do combate à inflação - a bandeira central da candidatura de Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998.
José Serra é o primeiro caso típico. Em 2010 assumiu a radicalização, empalmou bandeiras moralistas, montou factoides, como o episódio da bolinha de papel, e não cuidou de plantar uma semente qualquer, um discurso propositivo sequer. Foi derrotado e varrido do mapa da política.
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O quadro atual é pouco claro.
Desde 1994, o PT e o PSDB se revezaram como os partidos hegemônicos.
Havia a promessa vaga de Lula de, em caso de vitória de Dilma, apostar no governador pernambucano Eduardo Campos para as eleições seguintes. Sabe que mandatos longos envelhecem e acomodam partidos.
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Esse quadro se rompeu por falta de tato do governo e por precipitação de Campos, que julgou que as manifestações de junho passado teriam trazido danos´irreversíveis à candidatura Dilma Dilma. Errou no cálculo.
A ideia de Campos era se apresentar como a terceira via, uma continuidade com aprimoramento do governo Dilma. Sem dispor de um partido com abrangência nacional, como Aécio, conseguiu um bom lance na parceria com Marina Silva. Mas não logrou ganhar dimensão.
Para conquistar espaço, Campos passou a radicalizar o discurso contra Dilma, na prática abrindo mão da ideia de terceira via. E, assim como qualquer partido que ambiciona o poder, está sendo obrigado a montar alianças esdrúxulas - que ele critica no PT, que o PT criticava no PSDB, que o PSDB criticava no PMDB etc.
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Por seu turno, Aécio também não logrou desenvolver um discurso político eficiente. Continua preso à síndrome de Fernando Henrique Cardoso. Em 1994 o PSDB conseguiu congregar um batalhão de intelectuais de peso. A fase FHC empobreceu o partido; a campanha de Serra promoveu a debandada final.
Em vez de investir em novos quadros, novas ideias, novos conceitos, o partido continua preso à simbologia e falta de ideias de FHC.
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Recentemente, FHC conseguiu desenvolver algumas críticas consistentes contra o governo Dilma, a principal delas em relação ao estilo autárquico da presidente, de insistir em medidas de gabinete sem ouvir ninguém. Ótimo! Mas o que o PSDB tem a oferecer? Nem no governo FHC, nem nos anos posteriores, logrou desenvolver ferramentas de gestão participativa.
As manifestações de junho deram o mote: a próxima etapa política será a do aprofundamento da democracia. Mas o PSDB parece não ter a menor ideia sobre o que fazer com esse mote.
Possivelmente, com o governador mineiro Antonio Anastasia assumindo a coordenação do programa de governo, consiga-se avançar além das generalidades.
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Mesmo assim, a falta de ideias alternativas eficazes fará com que a campanha - especialmente do lado da mídia - repita em parte 2010, com o ódio ao PT se constituindo no principal argumento.
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