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Wilton Junior/Estadão
Coronel é enterrado neste sábado, 26, em Nova Iguaçu
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RIO - Menos de 50 pessoas compareceram ao enterro do coronel da reserva do
Exército Paulo Malhães, na tarde deste sábado, 26, no cemitério municipal de
Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A Guia de Sepultamento de Malhães aponta
como causa da morte "edema pulmonar, isquemia do miocárdio, miocardiopatia
hipertrófica e evolução de estado mórbido (doença)". A Polícia Civil investiga a
possibilidade de a morte ter sido provocada por asfixia, causada por três
assaltantes que invadiram o sítio onde o militar morava, em Marpicu na zona
rural do município, na Baixada Fluminense.
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Mais velha dos cinco filhos do coronel, Karla Malhães, afirmou que o pai
tinha alguns problemas de saúde e inclusive era hipertenso "o que é normal para
a idade", destacou. Na quinta-feira, 24, quando foi encontrado no sítio em que
morava com a mulher Cristina Batista Malhães, o corpo de Malhães estava de
bruços, com o rosto contra o travesseiro e apresentava sinais de cianose,
característicos de sufocamento. Hà um mês, Malhães deu depoimentos nas Comissões
da Verdade Nacional e do Rio, nos quais assumiu ter torturado, assassinado e
sumido com corpos de opositores da ditadura civil-militar de 1964-85.
Karla disse que a família não tem acompanhado o andamento das investigações
conduzidas pelo delegado-adjunto da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense
(DHBF), Fábio Salvadoretti. As principais linhas de investigação são homicídio
por vingança e latrocínio (roubo seguido de morte). A hipótese de que a
motivação da morte tenha sido as declarações do coronel à Comissão da Verdade,
em abril, não foi descartada.
"Não pensamos em nada disso (investigação). Isso é com a polícia. Estamos nos
despedindo de nosso pai". Ela disse que os filhos não sabiam do papel exercido
pelo pai durante a ditadura. "Para nós ele era apenas pai. E um bom pai. Para
vocês, era um coronel da ditadura. É tudo muito doloroso", acrescentou a filha.
Irmão mais novo de Karla, Paulo Malhães Junior afirmou que o pai nunca falou
sobre possíveis ameaças. "(Ele) não chegou a comentar nada. Não sabemos de nada.
Estamos tão perdidos quanto vocês (sobre as motivações do assassinato)". O
bairro de Marapicu, onde o coronel morava, é considerado área de risco porque é
disputado por várias facções criminosas.

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