Via Portal Terra - A ONU lembra que mais de 8 mil indígenas e ao menos 434 suspeitos de serem dissidentes políticos foram mortos ou desapareceram COMENTÁRIOS
Fabián Salvioli, relator especial sobre promoção da verdade, pede ao governo Bolsonaro que reconsidere celebrar a ditadura. É dever do Estado preservar as evidências de tais crimes horrendos, e não comemorá-los, afirma.O relator da ONU Fabián Salvioli exigiu nesta sexta-feira (29/03) que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro reconsidere seu plano de comemorar o aniversário de 55 anos do golpe militar. Segundo ele, celebrar um regime que cometeu "crimes horrendos" é "imoral e inadmissível".
"Tentativas de revisar a história e justificar ou relevar graves violações de direitos humanos do passado devem ser claramente rejeitadas por todas as autoridades e pela sociedade como um todo", afirmou o argentino, que é relator especial das Nações Unidas sobre promoção da verdade, justiça, reparação e garantias de não-repetição.
A ditadura militar, que se estendeu de 1964 a 1985, teve início com a derrubada do governo do então presidente democraticamente eleito, João Goulart, e foi marcada por censura à imprensa, fim das eleições diretas para presidente, fechamento do Congresso Nacional, tortura de dissidentes e cassação de direitos.
Segundo porta-voz, Bolsonaro aprovou a inclusão da comemoração da data na ordem do dia das Forças Armadas
Foto: DW / Deutsche Welle
Em comunicado, a ONU lembra que mais de 8 mil indígenas e ao menos 434 suspeitos de serem dissidentes políticos foram mortos ou desapareceram forçadamente durante o regime, segundo dados da Comissão Nacional da Verdade. Estima-se ainda que dezenas de milhares de pessoas foram arbitrariamente detidas e torturadas.
Contudo, a chamada Lei da Anistia, promulgada pelo governo militar em 1979, concedeu perdão a civis e militares envolvidos em crimes durante o regime, "impedindo a responsabilização pelos abusos", afirma a nota das Nações Unidas.
"Comemorar o aniversário de um regime que trouxe tamanho sofrimento à população brasileira é imoral e inadmissível em uma sociedade baseada no Estado de Direito. As autoridades têm a obrigação de garantir que tais crimes horrendos nunca sejam esquecidos, distorcidos ou deixados impunes", acrescentou Salvioli no comunicado


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