quarta-feira, 3 de junho de 2020

RETOMA PARÁ: A FRÁGILIDADE DO SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICA E A PRESSÃO PARA A REABERTURA DA ECONOMIA, por Marcelo Bahia*


*Marcelo Bahia, cientista político ( UFPa)

Quando enfim a China informou o mundo que um novo tipo de vírus havia contaminado milhares de pessoas na cidade de Huwan e havia risco de pandemia global muitos não acreditaram, alguns acreditaram mas achavam que não atravessaria o Atlântico e muito menos chegaria à América do Sul.  Afinal outros vírus já haviam contaminado milhares de asiáticos e não afetou as populações de nosso continente. No entanto a rapidez com o qual o corona vírus chegou a Europa e dizimou milhares de vidas na Itália,  Espanha,  França  e outros países daquele continente impressionou o mundo;com a excessão de Portugal que a princípio decretou medidas de  confinamento social as quais salvaram milhares de vidas naquele Estado europeu.
Até então cá no lado brasileiro as autoridades observavam e algumas , as mais influentes chegaram a declarar ser apenas "gripezinha" ou " resfriadinho" em cadeia nacional. E a vida seguiu normalmente, o carnaval que anualmente reúne milhões de pessoas nas ruas em todo o Brasil ocorreu sem nenhum alerta de contaminação do corona vírus. Eis que a partir do final de fevereiro após a maior festa do país começaram a aparecer as primeiras notícias de que ja haviam pessoas contaminadas em solo brasileiro.  Após a constatação do primeiro caso em São Paulo foi questão de semanas para que o Brasil figurasse nas maiores estatísticas dos índices de contaminados e óbitos por COVID 19. 
Ainda assim com tudo o que a OMS informou, há no Brasil uma guerra de orientações entre o que pensa e determina o presidente  da República e o que ouve e executa os governadores dos Estados da federação.  Isso se deu por conta das muitas controvérsias advindas do Planalto e não creditadas pelas muitas autoridades públicas e da área de saúde brasileira.  No mundo inteiro ouvimos e assistimos as maiores autoridades dos países preocupadas com a saúde da população e seguindo as recomendações da OMS.  Aqui numa espécie de  contramão o governo brasileiro repetiu e repete todos os dias um mantra vindo do Norte da América de como se deve proceder na pandemia. Quanto ao estado do Pará especificamente podemos observar medidas tomadas pelo governo central de forma a estabelecer um padrão comportamental por parte de uma população que não obedeceu ou obedeceu apenas em parte os decretos assinados pela autoridade máxima do executivo paraense.  Percebe-se no Pará como a de resto na grande maioria dos estados brasileiros, um sistema de saúde pública sacateado e desprovido das básicas necessidades cuja população precisa nos centros de saúde. Viu-se  cidades médias e históricas sem nenhum respirador.  Qual a relação custo x benefício em não comprar um respirador para aquela unidade de saúde, mas ter que transferir de helicóptero os pacientes para a capital Belém onde não há mais nenhuma condição de receber e tratar decentemente os doentes, não somente de corona vírus mas das muitas enfermidades que acometem a população do estado? 
Como relaxar o distanciamento social se ainda estão chegando centenas de contaminados, muitos em estado muito grave aos centros de tratamento?
Como relaxar o confinamento se sequer o estado do Pará conseguiu realizar a testagem em massa de sua população? 
São questões diretas cujas autoridades sanitárias e o próprio governo do Pará devem responder com base nas estatísticas técnicas e através de um levantamento completo que pode com um pouco de competência e sensibilidade ser perfeitamente realizado para que a população possa confiar plenamente na palavra empenhada dessas autoridades é assim,  poder ir às ruas e restabelecer a normalidade das atividades econômicas como quer uma ou outra autoridade política ou como determina um ou outro decreto.

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