quinta-feira, 1 de junho de 2023

Entrevista com Marcão Fonteles: "...o grupo majoritário, que controla o Partido (PCdoB), em nome de uma pretensa unidade proletária, o faz para benefícios pessoais do grupo dirigente”

Via Pará em Pauta 
 Entrevista com Marcão Fonteles exclusiva para o site Pará em Pauta:  "...o grupo majoritário, que controla o Partido (PCdoB), em nome de uma pretensa unidade proletária, o faz para benefícios pessoais do grupo dirigente”

   “Em primeiro lugar preciso esclarecer que optei por não divulgar minha carta de desfiliação fora do Partido, seja nas redes sociais ou em blogues.

Apenas enviei o texto para o PCdoB e para minha família (irmãos e cunhadas, filhos e sobrinhos, que sempre me deram suporte político, com o pedido de não divulgarem. Mandei também aos grupos partidários a que eu integrava (Comissão Política Estadual, Pleno Estadual e Pleno Sindical).

Porém, como chegou ao público externo, aceitei o pedido para esclarecer a respeito de minha saída do Partido” Marcão Fonteres.

Pará em Pauta - Marcão Fonteles, quando começou sua militância política?

Minha militância inicia no ano de 1976, na SDDH, jornal Resistência e na criação do Comitê Paraense pela Anistia da SDDH.

Em 1978, ao ingressar na faculdade, no CESEP, atual Unama, iniciei a militância no movimento estudantil, no Diretório Acadêmico do CESEP, junto com o João Batista e, depois chega o Arnaldo Jordy.

Em 1980 entro, por concurso, no Banco do Brasil e início a militância sindical e no PCDoB.

 

PP - Sua saída do PCdoB foi por que motivo?

Como escrevi em minha carta à direção do Partido, minha saída culmina o atual processo onde o grupo majoritário, que controla o Partido em nome de uma pretensa unidade proletária, o faz para benefícios pessoais do grupo dirigente.

A decisão articulada por esse grupo dirigente, de excluir o vereador de Belém, Altair Brandão e o secretário sindical municipal do Partido apenas deixaram evidente que o interesse é manter controle absoluto e vantagens particulares e familiares. Uma situação que leva ao apequenamento  do partido. Entendi que a atual direção do Partido no Pará perdeu a condição de se manter à frente de uma organização que preze o socialismo ou a democracia.

Não é uma decisão fácil ou sem dor. Entendo a importância e papel do PCdoB na construção de políticas em defesa da classe trabalhadora, da democracia, da soberania nacional e à conquista do Socialismo.

 

 

PP - Você é dirigente nacional da CTB, a central é vinculada ao PCdoB. Vai  também sair da Central?

Atualmente apenas íntegro a direção estadual da Central. Na CTB militam pessoas filiadas em diversos partidos (PCDoB, PSB, PDT e PT) e pessoas sem filiação partidária. Sem escamotear de que o PCDoB é hegemônico na CTB e tem nela uma orientação partidária.

Mas, não tenho ainda uma definição de sair ou permanecer na Central, precisamos ver como será a relação interna após essa mudança.

 

PP - Vai se filiar a outro partido?

A minha decisão, neste momento, foi da desfiliação do PCdoB e de seguir na defesa dos princípios que nortearam minha vida e de muitos camaradas, ao longo de anos de lutas, conquistas, derrotas e vitórias.

Vou te repetir o que me disse uma camarada da direção nacional do PCdoB, “Não tenha pressa, ela não é boa conselheira... “.

O momento é de reflexão. Tenho recebido muito carinho e apoio, de amigos pessoais, de parentes e de dirigentes do Partido e de outras organizações políticas. Isso torna mais leve o momento.

Não foi e nem é uma decisão simples ou fácil. E não preciso correr para uma filiação partidária, pode acontecer, acredito na política e que ela se faz nas organizações políticas.

Uma coisa é certa, estou firme para manter as minhas e nossas lutas e, com calma, decidir o que fazer, com a certeza de que o futuro será de liberdades e socialista.

Agradeço a tudo que aprendi no PCdob, entendo a sua importância na história do nosso país e das conquista do povo, em especial da classe trabalhadora. Mas, chegou o momento de superar esse tempo.


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