“Em primeiro lugar preciso esclarecer que optei por não divulgar minha carta de desfiliação fora do Partido, seja nas redes sociais ou em blogues.
Apenas enviei o texto para o PCdoB e para minha família (irmãos e cunhadas, filhos e sobrinhos, que sempre me deram suporte político, com o pedido de não divulgarem. Mandei também aos grupos partidários a que eu integrava (Comissão Política Estadual, Pleno Estadual e Pleno Sindical).
Porém, como chegou ao público externo, aceitei o pedido para esclarecer a respeito de minha saída do Partido” Marcão Fonteres.
Pará em Pauta - Marcão Fonteles, quando começou sua militância política?
Minha militância inicia no ano de 1976, na SDDH, jornal Resistência e na criação do Comitê Paraense pela Anistia da SDDH.
Em 1978, ao ingressar na faculdade, no CESEP, atual Unama, iniciei a militância no movimento estudantil, no Diretório Acadêmico do CESEP, junto com o João Batista e, depois chega o Arnaldo Jordy.
Em 1980 entro, por concurso, no Banco do Brasil e início a militância sindical e no PCDoB.
PP - Sua saída do PCdoB foi por que motivo?
Como escrevi em minha carta à direção do Partido, minha saída culmina o atual processo onde o grupo majoritário, que controla o Partido em nome de uma pretensa unidade proletária, o faz para benefícios pessoais do grupo dirigente.
A decisão articulada por esse grupo dirigente, de excluir o vereador de Belém, Altair Brandão e o secretário sindical municipal do Partido apenas deixaram evidente que o interesse é manter controle absoluto e vantagens particulares e familiares. Uma situação que leva ao apequenamento do partido. Entendi que a atual direção do Partido no Pará perdeu a condição de se manter à frente de uma organização que preze o socialismo ou a democracia.
Não é uma decisão fácil ou sem dor. Entendo a importância e papel do PCdoB na construção de políticas em defesa da classe trabalhadora, da democracia, da soberania nacional e à conquista do Socialismo.
PP - Você é dirigente nacional da CTB, a central é vinculada ao PCdoB. Vai também sair da Central?
Atualmente apenas íntegro a direção estadual da Central. Na CTB militam pessoas filiadas em diversos partidos (PCDoB, PSB, PDT e PT) e pessoas sem filiação partidária. Sem escamotear de que o PCDoB é hegemônico na CTB e tem nela uma orientação partidária.
Mas, não tenho ainda uma definição de sair ou permanecer na Central, precisamos ver como será a relação interna após essa mudança.
PP - Vai se filiar a outro partido?
A minha decisão, neste momento, foi da desfiliação do PCdoB e de seguir na defesa dos princípios que nortearam minha vida e de muitos camaradas, ao longo de anos de lutas, conquistas, derrotas e vitórias.
Vou te repetir o que me disse uma camarada da direção nacional do PCdoB, “Não tenha pressa, ela não é boa conselheira... “.
O momento é de reflexão. Tenho recebido muito carinho e apoio, de amigos pessoais, de parentes e de dirigentes do Partido e de outras organizações políticas. Isso torna mais leve o momento.
Não foi e nem é uma decisão simples ou fácil. E não preciso correr para uma filiação partidária, pode acontecer, acredito na política e que ela se faz nas organizações políticas.
Uma coisa é certa, estou firme para manter as minhas e nossas lutas e, com calma, decidir o que fazer, com a certeza de que o futuro será de liberdades e socialista.
Agradeço a tudo que aprendi no PCdob, entendo a sua importância na história do nosso país e das conquista do povo, em especial da classe trabalhadora. Mas, chegou o momento de superar esse tempo.

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