domingo, 29 de março de 2026

Colégio do Estado Luiz Nunes faz 46 anos e comunidade escolar expõe mazelas: alunos varrem salas e merendeiras estão sobrecarregadas


Carta de um anônimo da comunidade escolar- A Escola Estadual Luiz Nunes Direito acaba de completar 46 anos de existência em Ananindeua, mas sem muito o que comemorar.

O Luiz Nunes Direito é uma das escolas mais tradicionais do município. Já formou milhares de estudantes ao longo de sua história, mas vem enfrentando problemas como a falta de professores, coordenador pedagógico, servidores de limpeza e manipuladores de merenda.


A escola possui quase 1.500 alunos, distribuídos em três turnos: manhã, tarde e noite. Pela manhã, são 23 turmas de ensino fundamental maior e ensino médio. À tarde, são 13 turmas, sendo uma de 9º ano e 12 de ensino médio regular e integral, com carga de sete horas diárias. À noite, há quatro turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Ao todo, são 40 turmas. Para atender essa demanda, a escola conta com apenas cinco profissionais de limpeza, de uma empresa terceirizada, que se dividem entre os três turnos. Há também apenas três manipuladoras de merenda: duas no turno da manhã, que atende mais de 800 alunos, e uma para os turnos da tarde e noite, que somam quase 600 alunos.

As “tias merendeiras”, como são carinhosamente chamadas pelos alunos, estão sobrecarregadas. Elas preparam o lanche da manhã, limpam o ambiente para iniciar o preparo do almoço do tempo integral e, após o almoço, fazem nova limpeza para preparar o lanche da tarde. Em seguida, limpam novamente para preparar o jantar do ensino integral e o lanche do turno da noite.

“O trabalho das tias merendeiras é muito pesado para apenas três pessoas. Da tarde para a noite, piora, porque fica apenas uma profissional para preparar nosso lanche, nosso jantar e ainda deixar tudo limpo para o dia seguinte. A gente adora a comida delas e tem medo de que peçam transferência por causa da sobrecarga”, relata uma aluna de 16 anos do ensino integral.

Em relação à limpeza, os alunos afirmam que, devido à grande estrutura da escola — composta por sete blocos de salas de aula, além de banheiros e outros espaços —, nem sempre os funcionários conseguem dar conta de tudo.

“Às vezes, a gente chega e precisa varrer a própria sala, porque o funcionário da limpeza não consegue atender tudo entre o turno da manhã e da tarde. Eles têm apenas uma hora para limpar várias salas e os banheiros. Muitas vezes priorizam os banheiros mais críticos e não conseguem chegar às salas. Aí, a gente mesmo varre”, conta um aluno do ensino médio.

Além disso, há falta de professores de Física para o 3º ano do turno da tarde e de Língua Portuguesa para turmas da manhã.

“Tem dia em que minha filha chega à escola às 7h15 e sai às 9h30, porque não há professor de Português. A Seduc não permite que um professor de uma determinada DRE lecione em outra, mesmo havendo disponibilidade. Como mãe, considero isso um absurdo, porque a burocracia deixa nossos filhos sem aula. E isso é ainda mais grave no ano do Enem”, afirma uma mãe.

Diante desse cenário, alunos já consideram a possibilidade de realizar um protesto para cobrar providências da Secretaria de Educação.

“Gostamos da escola, dos funcionários, dos professores e das amizades que construímos aqui. Queremos continuar, mas alguns pais já falam em transferir seus filhos caso o problema persista. As provas já vão começar e ainda faltam professores, o que prejudica nossos estudos”, relata uma estudante.

Ela também destaca outros problemas: “A coordenadora do turno da manhã saiu da escola porque trabalhava sozinha e não deu conta da demanda. Ficamos no prejuízo. Também saiu a psicóloga, e muitos alunos precisam desse acompanhamento. Parece que a Seduc acha que não precisamos desses profissionais, mas precisamos, sim.”

A fonte pediu anonimato.

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