quarta-feira, 11 de março de 2026

Dono do Master, Daniel Vorcaro patrocinou evento da Globo em Nova York

 



Via ICL por Rodrigo Viana - Em vídeo, executivo da Globo chama de “amigo” o banqueiro, que também ajudou a bancar camarote global no Carnaval do Rio. 

As Organizações Globo que nas últimas semanas se transformaram, mais uma vez, numa espécie de tribunal da inquisição midiática, decidindo quem merece ou não arder na fogueira por manter proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro – foram beneficiadas de forma generosa pelo dinheiro do fundador do Banco Master. Em maio de 2024, Vorcaro foi o principal patrocinador de um evento organizado em Nova York pelo jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, ao qual compareceram empresários, governadores e lideranças políticas variadas – entre eles, Cláudio Castro (PL-RJ) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).

O logotipo do Master aparecia em destaque no banner, ao fundo do palco onde os debates ocorriam, no luxuoso Hotel Plaza de Nova York, no momento em que o diretor da Editora Globo, Frederic Kachar, tomou a palavra para abrir o evento. Kachar deixou claro que entre Globo e Vorcaro havia algo mais do que dinheiro e patrocínio. Preste atenção nas palavras usadas pelo diretor de um dos braços das Organizações Globo:

“A gente tem alegria de ter patrocinadores de empresas que a gente admira e que eu tenho privilégio de ser amigo. Muito obrigado ao Banco Master [sorri e aponta para a plateia, onde estava o então banqueiro] na figura de seu presidente Daniel Vorcaro, que apresenta o seminário de hoje”. Em seguida, o preposto da família Marinho agradece também a Ricardo Magro, da Gulf Combustíveis, outra patrocinadora do evento novaiorquino. Magro é considerado o maior sonegador de impostos do Brasil, e vive hoje escondido nos Estados Unidos. No começo de 2026, o presidente Lula chegou a sugerir ao governo Trump a extradição do empresário, que é dono do Grupo Refit e foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga as relações do crime organizado com o setor de combustíveis.

O evento da Globo, portanto, tinha como patrocinadores um suspeito de integrar a maior rede de sonegação e lavagem de dinheiro do país e um banqueiro que está preso por, entre outras coisas, manter uma rede de mafiosos para intimidar os que ousavam desafiá-lo.

A Globo não integrava o grupo de zap batizado por Vorcaro de “A Turma”. Mas o evento de 2024 mostra que Vorcaro, naquela época, era da turma da Globo. Tudo isso foi revelado pelo site Correio da Manhã,  que expôs a íntegra do vídeo do evento transmitido pelo jornal Valor. O Correio da Manhã calcula que o patrocínio do banqueiro presidiário a um evento como esse das Organizações Globo “não sairia por menos de R$ 10 milhões”, ou seja, três meses do contrato do escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, com o Master.

O referido contrato seria indício de uma suposta “compra de acesso” do Master junto ao ministro do STF. É o que dizem ou insinuam colunistas e comentaristas da Globo, sendo que um deles (Fernando Gabeira) chegou a sugerir o fechamento do Supremo Tribunal Federal, que deveria arder na fogueira da inquisição global.

Mas será que a Globo – ao esconder as relações pecuniárias do grupo midiático com Vorcaro e as relações orgânicas da família Marinho com aqueles que protegeram o Master no Banco Central (veja mais abaixo como Roberto Campos Neto virou executivo de uma empresa da família Marinho) – tem independência para atuar como inquisidora nesse caso? Por que a Globo mira todos seus canhões contra o STF e poupa Campos Neto – que hoje é funcionário da família Marinho no Nubank? 


As Organizações Globo – que nas últimas semanas se transformaram, mais uma vez, numa espécie de tribunal da inquisição midiática, decidindo quem merece ou não arder na fogueira por manter proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro – foram beneficiadas de forma generosa pelo dinheiro do fundador do Banco Master. Em maio de 2024, Vorcaro foi o principal patrocinador de um evento organizado em Nova York pelo jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, ao qual compareceram empresários, governadores e lideranças políticas variadas – entre eles, Cláudio Castro (PL-RJ) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).

O logotipo do Master aparecia em destaque no banner, ao fundo do palco onde os debates ocorriam, no luxuoso Hotel Plaza de Nova York, no momento em que o diretor da Editora Globo, Frederic Kachar, tomou a palavra para abrir o evento. Kachar deixou claro que entre Globo e Vorcaro havia algo mais do que dinheiro e patrocínio. Preste atenção nas palavras usadas pelo diretor de um dos braços das Organizações Globo:

“A gente tem alegria de ter patrocinadores de empresas que a gente admira e que eu tenho privilégio de ser amigo. Muito obrigado ao Banco Master [sorri e aponta para a plateia, onde estava o então banqueiro] na figura de seu presidente Daniel Vorcaro, que apresenta o seminário de hoje”.

Em seguida, o preposto da família Marinho agradece também a Ricardo Magro, da Gulf Combustíveis, outra patrocinadora do evento novaiorquino. Magro é considerado o maior sonegador de impostos do Brasil, e vive hoje escondido nos Estados Unidos. No começo de 2026, o presidente Lula chegou a sugerir ao governo Trump a extradição do empresário, que é dono do Grupo Refit e foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga as relações do crime organizado com o setor de combustíveis.


O evento da Globo, portanto, tinha como patrocinadores um suspeito de integrar a maior rede de sonegação e lavagem de dinheiro do país e um banqueiro que está preso por, entre outras coisas, manter uma rede de mafiosos para intimidar os que ousavam desafiá-lo.


A Globo não integrava o grupo de zap batizado por Vorcaro de “A Turma”. Mas o evento de 2024 mostra que Vorcaro, naquela época, era da turma da Globo. Tudo isso foi revelado pelo site Correio da Manhã,  que expôs a íntegra do vídeo do evento transmitido pelo jornal Valor. O Correio da Manhã calcula que o patrocínio do banqueiro presidiário a um evento como esse das Organizações Globo “não sairia por menos de R$ 10 milhões”, ou seja, três meses do contrato do escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, com o Master.


O referido contrato seria indício de uma suposta “compra de acesso” do Master junto ao ministro do STF. É o que dizem ou insinuam colunistas e comentaristas da Globo, sendo que um deles (Fernando Gabeira) chegou a sugerir o fechamento do Supremo Tribunal Federal, que deveria arder na fogueira da inquisição global.


Mas será que a Globo – ao esconder as relações pecuniárias do grupo midiático com Vorcaro e as relações orgânicas da família Marinho com aqueles que protegeram o Master no Banco Central (veja mais abaixo como Roberto Campos Neto virou executivo de uma empresa da família Marinho) – tem independência para atuar como inquisidora nesse caso? Por que a Globo mira todos seus canhões contra o STF e poupa Campos Neto – que hoje é funcionário da família Marinho no Nubank?

Ao pagar o patrocínio no evento da Globo, Vorcaro comprou acesso à elite endinheirada. Tudo sob as bênçãos da família Marinho.

O mais saboroso – e assustador – é observar como Vorcaro se dirige à nata do capital brasileiro no evento em Nova York. Ao subir ao púlpito, ele é ouvido como se fosse um sábio, um empresário vencedor, autorizado a pontificar sobre a democracia e as instituições brasileiras, chegando a comentar os efeitos da Lava Jato no país. Mal sabia que estava falando de corda em casa de enforcado: a Globo ainda não se desgarrou do lavajatismo do qual foi sócia majoritária, ajudando a incensar Sergio Moro e outros malandros de Curitiba (a família Marinho, lembremos, chegou a entregar o prêmio “Juiz que faz a diferença” ao magistrado suspeito das araucárias).

Em Nova York, era Vorcaro quem ganhava o selo de aprovação da família Marinho: um banqueiro que faz a diferença. Amigo do poderoso Kachar, executivo da Globo famoso por participar de celebrações cafonas em que assumia o papel de DJ (jornalistas que frequentaram as tais festinhas dizem que a performance de Kachar era sofrível), Vorcaro pisou firme no palco e disse frases como as que transcrevo abaixo:

“Fiquei muito honrado com o convite do ‘Fred´. O [jornal] Valor tem sido um baluarte para nossa nação, ‘Fred’. O Valor tem sido uma referência e um norte para nós brasileiros, com informação sempre precisa e isenta. Cumprimento ao ‘Fred´ e toda a equipe que eu admiro bastante – Lauro, Maria Fernanda, Álvaro, Malu e todos demais pelos quais tenho uma admiração enorme”. Na sequência, elogia a democracia brasileira e louva a “segurança jurídica” proporcionada pelo desenho institucional brasileiro, advindo da Constituição de 1988:

“Tivemos crises institucionais, passamos por uma Lava Jato, mas saímos disso tudo mais fortes. Se tem uma democracia que foi forjada a ferro e fogo, é a democracia brasileira. Acredito que a gente tem Três poderes que são fortes, se complementam, se auditam, e é algo que a gente tem que bater no peito e se orgulhar. Nós temos sim segurança jurídica, todo esse passado recente mostra o quão forte é nossa democracia e o quanto a gente tem de segurança jurídica em nosso país”.

Vorcaro achava que a “segurança jurídica”, no caso do Master, seria construída garantindo acesso ao poderes da República e, claro, soltando um dinheirinho para o Grupo Globo, porque ninguém é de ferro. Vorcaro, rei do camarote no Rio

Menos de dois anos se passaram, entre ele ser tratado como sábio e amigo em Nova York… e depois ser escorraçado como banqueiro que corrompe as instituições, ajudando no roteiro usado sob encomenda para derrubar Xandão e soltar Bolsonaro.

Frederic Kachar, ou “Fred” para os íntimos, tinha relações tão próximas com Vorcaro que Globo e Master mantiveram um camarote conjunto no Carnaval carioca, pelo menos entre 2022 e 2024. A área vip do camarote ficava restrita ao banqueiro e seus amigos. E por ali circulavam artistas e influenciadores. Muitos vestiam camiseta carnavalesca que estampava logomarcas da revista Quem (editora Globo) e de O Globo, lado a lado com a do banco Master.

Matéria publicada no jornal carioca, em fevereiro de 2023, avisava que o Camarote Quem/O Globo tinha “ganho decoração em homenagem aos cartões postais do Rio”, e anunciava boca livre nos comes e bebes: “a ideia é que a galera coma mesmo, sem perrengue e sem filas”. Durante a festa, dizia o festivo jornal, “as marcas parceiras prepararam mimos para fazer o folião convidado ainda mais feliz”. E por fim contava que tudo era pago com “patrocínio máster de Fit Combustíveis, Cedae, Banco Master”, entre outros.

Quem paga os mimos tem preferência, claro! Pessoas que circularam pelo camarote naqueles anos contam que Vorcaro agia como anfitrião, como o verdadeiro dono da casa no camarote da Globo.

De novo, cabe a pergunta: ministro do STF tomar whisky, sob patrocínio de Vorcaro em Londres, é suspeito e questionável? Sim. Mas o que dizer de um grupo de mídia que ajudou a construir a figura de Vorcaro como alguém respeitável, abrindo as portas para que transitasse junto à elite brasileira – aceitando que ele patrocinasse eventos no Carnaval carioca e nos hotéis de luxo em Nova York? O banqueiro presidiário e o tal “Fred” da editora Globo aparentemente mantiveram até relacionamento amoroso com a mesma atriz: namoraram Monique Afradique. No caso de “Fred”, foi um namoro público, que circulou com ela por salões endinheirados Brasil afora. Já Vorcaro teria usado o codinome “Allan do TI” para esconder Monique em sua agenda de contatos, a que a PF teve acesso.

Tudo isso seria de natureza absolutamente íntima, não fosse um indício a mais de que Vorcaro, o banqueiro bandido, e “Fred”, o chefão na Globo, frequentavam os mesmos ambientes e se relacionavam com as mesmas pessoas.

Foi Frederic Kachar, aliás, quem transformou o polêmico e açodado Diego Escosteguy em diretor da revista Época, entre 2015 e 2018. Conhecido por ter sido um dos mais duros lavajatistas na época gloriosa de Moro, e por pressionar colegas jornalistas ao exigir que seguissem a mesma linha de jornalismo engajado com a direita, Escosteguy é acusado agora de algo mais grave: ter recebido R$ 2 milhões de reais, para publicar matérias favoráveis a Vorcaro no site O Bastidor, que ele criou depois de sair das Organizações Globo.

Escosteguy nega que seja um jornalista corrupto. E diz que recebeu os recursos de Vorcaro como pagamento por publicidade –  isso tudo num site que parece ser um fracasso de público mas um sucesso master no departamento comercial. Campos Neto e a família Marinho

A parceria entre a família Marinho e o banqueiro Roberto Campos Neto não é apenas ideológica. Isso talvez explique por que o ex-presidente do BC tem sido poupado no noticiário da Globo sobre o caso Master.

A família Marinho, cujos negócios midiáticos cresceram exponencialmente sob patrocínio da ditadura militar à qual serviu o avô de Campos Neto, é defensora radical de privatizações, de feroz ajuste fiscal, de nova “reforma previdenciária” que puna os trabalhadores ainda mais e de “autonomia” total para o Banco Central. Nisso tudo, Globo e Campos Neto são parceiros.

Há, no entanto, uma relação orgânica, pouco exposta ao grande público. Depois de sair do Banco Central, como herói da Faria Lima, e de usar a camisa amarela ao votar para mostrar que é um quadro do bolsonarismo, Campos Neto foi contratado como principal executivo do Nubank – instituição da nova geração financeira, que cresce sem parar.

Acontece que a família Marinho é sócia declarada do Nubank. Em julho de 2024, de forma discreta, o mercado foi informado em matérias da imprensa especializada que a Globo Ventures adquirira participação no Nubank: não comprou ações nem fez aporte de capital, mas foi construindo a sociedade na base da permuta. Ou seja: a Globo ofereceu espaço publicitário na TV, em troca de uma parcela crescente de ações do banco digital. O Nubank, por exemplo, surgiu com destaque em dezenas de comerciais no horário mais caro da publicidade global: o intervalo do Jornal Nacional (JN).

Roberto Marinho Neto, CEO da Globo Ventures, defendeu a estratégia comercial da família, numa entrevista em que afirmou, em julho de 2025: “o futuro será das marcas capazes de renovar estratégias, testar hipóteses e investir em parcerias inovadoras”. Entre as parcerias, Marinho Neto (conhecido por ser um empolgado torcedor do Flamengo, a ponto de fretar aviões com amigos para ver jogos do time no exterior) citou os casos do Nubank e do Quinto Andar como “duas marcas disruptivas, inovadoras e admiráveis”.

Não há como confirmar se uma das estratégias disruptivas de Marinho Neto foi sugerir o nome de Campos Neto para dirigir o Nubank, em julho de 2025. O ex-presidente do Banco Central é hoje o principal executivo do banco digital, que contratou também outro nome egresso do BC: Otávio Damaso foi diretor de Normas e Regulação do BC e, após cumprir a quarentena obrigatória, entrou pela porta giratória do Nubank, para cuidar exatamente da mesma área de regulação.

Ora, Otávio Damaso coordenou a fiscalização no BC justamente no período em que a autoridade monetária não parece ter visto nada de anormal nas ações de Vorcaro, permitindo a ele obter o registro oficial para operar o Master – isso depois de o banqueiro visitar a sede do BC por 24 vezes, na gestão Campos Neto – como mostrou reportagem exclusiva do ICL Noticias. Em relação a Damaso, diga-se, não há indícios de mal feitos. Mas o que fica é a impressão de uma regulação leniente, para dizer o mínimo.- O que temos aqui, em resumo?

1 – Campos Neto e seus diretores no BC jamais incomodaram Vorcaro, permitindo que ele cometesse barbaridades operacionais que levaram à liquidação do Master (e a liquidação só ocorreu pós Gabriel Galípolo assumir o BC), deixando um rastro de destruição em fundos de previdência pública e prejuízos para milhares de investidores.

2 – Campos Neto e um de seus diretores (justamente o Diretor de Normas e Regulação), ao sair do BC, refugiaram-se sob o guarda-chuva do Nubank – que foi um dos bancos a vender papéis do Master (CDBs com taxas fora do padrão).

3 – A Globo, sócia do Nubank, tenta transformar o escândalo do Master (que cresceu sob a batuta de Campos Neto no BC, e chegou a patrocinar ações da própria Globo), num “escândalo do STF”. A estratégia cai como uma luva para os bolsonaristas e seus aliados na Faria Lima.

4-  Ao agir assim, na prática, a Globo ajuda a blindar um executivo que trabalha em empresa da família Marinho: o bolsonarista Campos Neto.

As Organizações Globo parecem tão preocupadas em esconder essa teia de relações que nesta quarta-feira (11) publicaram uma “vacina” em forma de “apuração”, no blog de uma jornalista da casa. A notícia é que o Planalto estaria tentando “concentrar o foco da crise na atuação do Banco Central durante a gestão de Campos Neto”.

Ora, não é o Planalto que pode levar o caso para o colo de Campos Neto, mas a realidade. O Banco Master e sua quebra só existiram porque um quadro do bolsonarismo, que hoje é funcionário da família Marinho como executivo do Nubank, permitiu que isso ocorresse.

Mais que isso: Vorcaro só ganhou notoriedade e espaço junto à elite brasileira porque teve a chancela da família Marinho, ao patrocinar/apresentar evento em Nova York e ao bancar parte do camarote da Globo na Sapucaí.

Se faltava desenhar, aí está o quadro completo.

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