Segundo a publicação, o material, uma espécie de planilha manuscrita, associa os nomes dos parlamentares a valores que variam entre R$ 100 mil e R$ 538 mil. Os deputados citados são Raimundo Santos (PSD), Henderson Pinto (MDB), Keniston Braga (MDB) e Olival Marques (MDB), todos politicamente ligados ao governador Helder Barbalho (MDB). Não há, contudo, indicação no documento sobre a origem ou finalidade das quantias.
De acordo com a coluna, o maior valor registrado, de R$ 538 mil, aparece ao lado do nome de Raimundo Santos. Henderson Pinto surge com R$ 485 mil, enquanto Olival Marques e Keniston Braga estão associados a valores de R$ 139 mil e R$ 100 mil, respectivamente. O documento também menciona órgãos públicos, como a Secretaria de Turismo (Setur), além de municípios paraenses como Bagre, Curralinho, Bujaru e Muaná, igualmente vinculados a cifras.
Apesar de constarem na planilha apreendida, os parlamentares não aparecem, até o momento, como investigados no relatório da Polícia Federal. À coluna, Keniston Braga afirmou ter sido surpreendido com a informação e disse desconhecer tanto o documento quanto os envolvidos na operação. Raimundo Santos classificou a citação como “muito estranha” e negou ter destinado emendas parlamentares para eventos culturais no estado. Os demais deputados não haviam se manifestado até a publicação original.
A operação que deu origem à apreensão do documento foi desencadeada após a identificação de movimentações financeiras consideradas atípicas. Um dos presos, Ronaldy Rian Moreira Gomes, foi flagrado após sacar R$ 500 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil e se dirigir a um veículo blindado, onde estava o empresário Felipe Linhares Paes. Durante a abordagem, segundo a PF, o empresário tentou fugir e chegou a apontar uma arma contra os agentes.
As investigações apontam indícios de um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, com uso de “laranjas” para ocultação de patrimônio e movimentação de recursos. A empresa ligada ao empresário possui contratos que somam cerca de R$ 3,8 milhões com a Fundação Cultural do Pará (FCP), firmados por inexigibilidade de licitação. A presença de um servidor da Casa Civil no momento da abordagem também aponta suspeitas sobre possível conexão com agentes públicos.
Para a Polícia Federal, o caso reúne elementos que indicam crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de resistência à prisão e porte ilegal de arma de fogo. A planilha apreendida, embora ainda sem interpretação conclusiva, amplia o alcance político da investigação e pode se tornar peça-chave para o aprofundamento do caso.

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