domingo, 19 de abril de 2026

Ananindeua: a cidade que não dorme mais


EDITORIAL | Jornal Digital AnanindeuaDebates

Aos 82 anos, Ananindeua consolidou uma transformação que, há poucos anos, parecia improvável. Em um intervalo relativamente curto de cinco anos, o município deixou de ocupar uma posição periférica para se inserir de forma consistente no mapa político do Brasil.

Nos últimos dias, a manifestação de um ex-prefeito em um podcast reacendeu um debate recorrente: o legado das gestões anteriores. Ao afirmar que a cidade estaria sendo apresentada como se “nada” tivesse sido feito, o ex-gestor revela mais sobre sua própria leitura administrativa do que necessariamente sobre a realidade histórica do município nos últimos cinco anos.

É fato que Ananindeua enfrentou, durante anos, índices preocupantes em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura, cultura e desenvolvimento econômico. Ao longo de 16 anos, grupos políticos que estiveram à frente da administração municipal não promoveram mudanças estruturais capazes de alterar, de forma significativa, esse cenário.

Durante muito tempo (meados de 2010), o município carregou o estigma de “cidade dormitório”. A baixa autoestima da população era perceptível — e, em muitos casos, acompanhada de um preconceito velado. Não eram raras as situações em que moradores, ao serem questionados, preferiam se identificar como residentes de Belém, mencionando, às vezes, o conjunto Cidade Nova, hoje consolidado como bairro.

Diante desse contexto, é necessário reconhecer: os últimos cinco anos representam um ponto de inflexão na trajetória do município. Admitir esse avanço não significa apagar o passado, mas compreender que houve, sim, um novo ritmo de desenvolvimento, com impactos diretos na percepção da população e na projeção política da cidade.

A atual gestão implementou uma agenda desenvolvimentista que reposicionou Ananindeua no cenário estadual, inclusive projetando o ex-prefeito Dr. Daniel para disputas majoritárias. A partir desse novo patamar, estabelece-se também um novo nível de exigência: a população tende a cobrar mais — e com razão.

O parâmetro de comparação para futuras administrações já foi elevado. A disputa política que se avizinha não será vencida apenas por sobrenomes ou estruturas tradicionais de poder. Será necessário apresentar resultados concretos, capacidade de gestão e compromisso com o avanço contínuo da cidade.

A experiência recente também deixou lições importantes. Em momentos críticos, como a pandemia da COVID-19, a postura dos gestores foi observada atentamente pela população. Lideranças que estiveram presentes e atuantes conquistaram respeito; já quem preferiu seu refúgio ficou longe do problema. Um ativo político que não se constrói apenas com discurso.

Ananindeua mudou. E, mais do que isso, passou a exigir mais.

A cidade não dorme mais e tampouco aceita retrocessos.

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