quinta-feira, 2 de julho de 2026

Bicicletas elétricas terão emplacamento obrigatório; veja as regras de identificação


  Via portal Novo Tempo por Gabriel Almeida

Lei quer criar uma espécie de emplacamento obrigatório para bicicletas elétricas.

As bicicletas elétricas podem ganhar uma espécie de identificação obrigatória no Brasil. A medida, que já movimenta discussões em Brasília, cria um cadastro nacional para esse tipo de veículo e pode mudar a rotina de quem usa e-bike para trabalhar, estudar, fazer entregas ou se deslocar pelas cidades. A proposta ficou conhecida popularmente como “emplacamento” das bicicletas elétricas. No entanto, o texto não prevê placa igual à de carros e motos. A ideia é criar um registro digital, gratuito, vinculado ao proprietário e acessado por QR Code.

O assunto aparece no Projeto de Lei 4920/2025, em análise na Câmara dos Deputados. O texto cria o Cadastro Nacional de Bicicletas Elétricas, chamado de CNBE, e estabelece regras para circulação, segurança, fiscalização e identificação desses veículos em todo o país.

Na prática, cada bicicleta elétrica cadastrada ficaria ligada ao CPF ou CNPJ do dono. Com isso, agentes de trânsito poderiam consultar as informações do veículo durante fiscalizações. Além disso, o cadastro ajudaria em casos de furto, roubo, venda irregular ou adulteração. Bicicletas elétricas vão precisar de placa?

A proposta não cria uma placa metálica obrigatória, como acontece com automóveis, caminhões e motocicletas, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. Portanto, o termo “emplacamento” funciona mais como uma comparação popular. Pelo projeto, a identificação aconteceria por meio de um QR Code. Esse código ficaria associado ao cadastro nacional e permitiria a consulta de dados do veículo e do proprietário.

Outro ponto importante: o texto prevê cadastro gratuito. Assim, a proposta não cria IPVA, licenciamento anual ou taxa para registrar a bicicleta elétrica.

Mesmo assim, a mudança representa um novo modelo de controle. Hoje, muitas bicicletas elétricas circulam sem qualquer identificação, o que dificulta a fiscalização e também complica a recuperação em caso de crime. O que muda com o cadastro nacional

O CNBE teria três objetivos principais: identificar bicicletas elétricas, responsabilizar condutores em caso de infrações e reunir dados nacionais sobre o uso desses veículos. Com o crescimento das e-bikes nas cidades, o Congresso tenta criar uma regra única para evitar que cada município adote um padrão diferente. Dessa forma, a proposta busca organizar a circulação e reduzir conflitos entre ciclistas, pedestres, motoristas e motociclistas.

O projeto também mira bicicletas elétricas adulteradas. O texto proíbe mudanças na potência, na velocidade máxima ou nas características originais do sistema de propulsão.

Quem circular com veículo adulterado poderá receber multa e perder a bicicleta por apreensão. Além disso, oficinas, lojas e empresas que fizerem esse tipo de alteração também poderão sofrer punições. Regras previstas para usar bicicletas elétricas

O projeto cria uma lista de exigências para quem pretende conduzir bicicletas elétricas e motorizadas. Entre as principais regras estão:

idade mínima de 15 anos para conduzir;

uso obrigatório de capacete;

capacete também para passageiro;

proibição de celular durante a condução;

proibição de fones de ouvido;

campainha obrigatória;

luz dianteira branca;

luz traseira vermelha;

refletores laterais;

veículo em boas condições de funcionamento.

A proposta também exige capacete certificado pelo Inmetro e com viseira ou óculos de proteção. Portanto, o texto trata a segurança como ponto central da regulamentação.

Velocidade terá limite conforme o local

As bicicletas elétricas também teriam limites de velocidade diferentes conforme o espaço de circulação. 

Em áreas de pedestres e calçadas, quando o uso for permitido, a velocidade máxima seria de 6 km/h. Além disso, o condutor teria que dar prioridade absoluta a quem está a pé.

Nas ciclovias e ciclofaixas, o limite previsto é de 25 km/h. Já em vias urbanas autorizadas, a velocidade poderia chegar a 32 km/h, conforme regras do Contran.

Essa divisão busca reduzir acidentes em locais com grande circulação de pessoas. Afinal, uma e-bike em alta velocidade pode oferecer risco tanto para o condutor quanto para pedestres. Delivery também entra nas novas regras

O projeto também atinge empresas de entrega por aplicativo que usam bicicletas elétricas. Pela proposta, as plataformas terão que orientar e treinar entregadores sobre segurança no trânsito.

Além disso, essas empresas deverão exigir o cumprimento das normas e manter cadastro atualizado de veículos e condutores. Caso descumpram as regras, poderão receber multa e até suspensão temporária das atividades. Esse ponto chama atenção porque as bicicletas elétricas ganharam espaço no delivery. Em muitas cidades, elas já aparecem em avenidas, ciclovias, calçadas e áreas comerciais movimentadas.

Serra discute regras próprias para bicicletas elétricas

Enquanto a Câmara dos Deputados analisa a proposta nacional, a Serra também debate regras para bicicletas elétricas no Espírito Santo. Um projeto em tramitação na Câmara Municipal prevê medidas mais rígidas para a circulação desses veículos na cidade. Entre os pontos em discussão estão idade mínima, uso obrigatório de capacete, limite de velocidade e possível cadastro municipal.

O debate ganhou força após o aumento de acidentes envolvendo bicicletas elétricas. Levantamento do Portal Tempo Novo aponta que o Espírito Santo já registrou 134 acidentes com esse tipo de veículo em 2026. Desse total, 62 ocorreram na Serra.

Além disso, sete mortes relacionadas a acidentes com bicicletas elétricas já entraram nas estatísticas do Estado neste ano. Nova regra ainda não está valendo

As mudanças ainda não valem. O projeto precisa avançar nas comissões da Câmara dos Deputados antes de virar lei.

Por isso, quem usa bicicleta elétrica deve acompanhar a tramitação, mas não precisa fazer nenhum cadastro nacional neste momento. Enquanto o Congresso discute a proposta, continuam valendo as regras atuais e as normas locais já existentes. Caso o texto avance, o Brasil poderá ter uma identificação nacional para bicicletas elétricas, com QR Code e vínculo ao dono do veículo. A medida não cria placa tradicional nem imposto, mas inaugura uma nova fase de fiscalização para as e-bikes.

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