Via site Info Revolução por Douglas Diniz
Obra símbolo do governo Helder Barbalho/Hana Ghassan é marcada por denúncias de atropelamentos de animais, impactos sobre quilombolas e ribeirinhos, ações judiciais e questionamentos sobre seu modelo de desenvolvimento. Por Douglas Diniz – Repórter Sem Fronteiras (RSF)
BELÉM (PA) — Vendida como a maior obra de mobilidade urbana da história recente do Pará, a Avenida Liberdade passou a simbolizar também um dos maiores conflitos socioambientais da Região Metropolitana de Belém. Poucos meses após sua entrega, a rodovia acumula denúncias de mortes frequentes de animais silvestres e domésticos por atropelamento, reclamações de comunidades tradicionais atingidas pelo empreendimento, questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública e críticas de ambientalistas que afirmam que os impactos previstos durante o licenciamento continuam sem resposta adequada.
Ao longo dos cerca de 14 quilômetros da via, animais como capivaras, lontras, quatis, cobras, e cães são encontrados mortos com frequência. As imagens compartilhadas por moradores nas redes sociais e por protetores da fauna transformaram a avenida em um símbolo da dificuldade de conciliar grandes obras de infraestrutura com a preservação da biodiversidade amazônica.
A situação revela uma contradição. A mesma obra apresentada pelos governos de Helder Barbalho (MDB) e de sua sucessora, Hana Ghassan (MDB), como exemplo de desenvolvimento e modernização passou a ser associada por parte da população a um cenário de destruição ambiental, conflitos fundiários e perda de biodiversidade. A promessa de revolucionar a mobilidade
Planejada para ligar a Alça Viária à Avenida Perimetral, integrando Belém, Ananindeua e Marituba, a Avenida Liberdade foi anunciada como solução para reduzir congestionamentos históricos da BR-316 e facilitar o deslocamento entre a capital e o interior.
O Governo do Pará sustentou que mais de dois milhões de pessoas seriam beneficiadas pela nova ligação viária, além de destacar ganhos econômicos decorrentes da melhoria da logística regional.
A obra rapidamente tornou-se uma das principais vitrines da gestão Helder Barbalho/Hana Ghassan que concluiu e entregou o empreendimento mantendo o discurso de modernização da infraestrutura estadual.
Entretanto, desde o início das obras, organizações ambientais, pesquisadores e comunidades tradicionais alertavam para os impactos que poderiam ocorrer caso não fossem adotadas medidas robustas de mitigação ambiental.
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