“Vou governar para todos”, disse Dr. Daniel após ser eleito governador do Pará.
Em um vídeo publicado nas redes sociais no dia 5 de outubro, um dia após a eleição, o governador eleito do Pará, Dr. Daniel, deu o tom do que poderá ser sua gestão ao afirmar que pretende governar para todos.
Identificado com a centro-direita, Dr. Daniel contou com o apoio de setores bolsonaristas, mas também de grupos democráticos e progressistas. Sua eleição, no entanto, também foi influenciada pelos resultados de sua administração em Ananindeua e pelo desejo de mudança manifestado pelo eleitorado. Sua vitória reuniu votos de diferentes campos ideológicos, colocando diante do novo governador o desafio de construir uma administração capaz de dialogar com as diversas forças políticas e sociais do Estado.
Tomando como referência sua experiência à frente da Prefeitura de Ananindeua, a expectativa é de que o governo busque interlocução com diferentes correntes políticas e ideológicas, embora as características da futura administração só possam ser avaliadas a partir de suas decisões e políticas públicas.
A relação com o governo Lula
Uma das questões que se colocam para o novo governo é como será a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Antes de se filiar ao Podemos, Dr. Daniel foi reeleito prefeito de Ananindeua pelo PSB, partido historicamente situado no campo da esquerda moderada. Durante sua trajetória na legenda, manteve uma relação política com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
A mudança no comando nacional do PSB e o rearranjo político no Pará alteraram esse cenário. O presidente nacional da legenda, João Campos, ex-prefeito do Recife e candidato derrotado ao governo de Pernambuco, referendou a mudança no comando partidário no Estado, afastando Dr. Daniel do controle político da sigla no Pará e abrindo espaço para uma nova configuração de alianças.
Na avaliação deste jornal, esse movimento, associado à saída de Dr. Daniel do PSB, contribuiu para ampliar sua articulação com diferentes setores políticos e eleitorais. O ex-governador Helder Barbalho, por sua vez, teria errado nessa estratégia, que contribuiu para que o PL não lançasse candidato próprio e acabou favorecendo a candidatura de Dr. Daniel.
O peso do Podemos no cenário nacional
A relação com o governo federal também deverá ser influenciada pela posição do Podemos no Congresso Nacional. Com uma bancada de 27 deputados federais e representação no Senado, o partido dispõe de instrumentos para negociar pautas e estabelecer interlocução com o Palácio do Planalto.
No Pará, a presença de três senadores de oposição ao governo de Dr. Daniel poderá acrescentar complexidade às relações políticas entre o Estado e a União. Ao mesmo tempo, a posição do governador eleito dentro do Podemos poderá ganhar relevância nacional, especialmente por ser o único governador eleito pela legenda.
Nesse cenário, o diálogo institucional com o governo federal poderá ser importante para a articulação de investimentos, a execução de políticas públicas e a defesa dos interesses do Pará.
A disposição anunciada por Dr. Daniel de governar para todos será colocada à prova na prática. A composição de seu governo, as relações com os municípios, a condução das políticas públicas e a interlocução com o governo Lula serão alguns dos elementos que permitirão avaliar como o governador eleito pretende transformar o discurso de unidade em ações concretas.
A composição da Assembleia Legislativa
Outro desafio será construir uma base de apoio na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), que conta com 41 deputados estaduais. Para aprovar projetos de interesse do governo e eleger o presidente da Casa, Dr. Daniel precisará articular o apoio dos parlamentares.
Segundo informações de algumas fontes, o governador eleito estaria próximo de reunir o número de aliados necessário para consolidar sua base parlamentar. A articulação política na Alepa será fundamental para garantir a governabilidade e viabilizar a aprovação dos projetos prioritários de sua gestão.

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