quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Trabalhadores indicam greve na construção civil de Belém

Atnágoras Lopes
Por Atnágoras Lopes

Dirijo-me ao povo de Belém para dizer-lhes o estágio em que se encontra o impasse entre os trabalhadores da construção civil e os donos das construtoras de nossa cidade. Impasse esse que levou os operários a deliberarem, numa assembleia realizada no último dia 23, pelo indicativo de uma greve geral da categoria para o próximo dia 04 de setembro.
Baseado em uma análise da realidade de crescimento da indústria da construção me nosso país, dessa vez, os operários reivindicam uma pauta que toca, muito além das demandas salariais, em temas extremamente importantes para o avanço e perfil das relações de trabalho em nossa “Capital da Amazônia”.  

Eu diria que chega a ser uma vergonha, para nós, que nossa cidade seja uma das poucas capitais do país onde os operários da C. Civil não  têm direito a uma cesta básica mensal; onde não se tenha nenhuma política de qualificação, inclusão e promoção da mulher trabalhadora; Também é absurdo que, em meio ao visível crescimento e enriquecimento do setor, os empresários venham propor retrocessos como o impedimento do acesso do sindicato às obras, num momento onde próprio MPT recomenda que se avance para a eleição de delegados sindicais de base. Não satisfeitos os empresários propõem ainda o  corte de um benefício relacionado a saúde, segurança e aos acidentes de trabalho.

Esses são temas bastante enfatizados na campanha salarial desse ano. Quanto aos salários as reivindicações não chegam a 1,2 salários mínimos para os ajudantes, que representam cerca de 45% da categoria; Para os profissionais, que são também cerca de 45%, (Pedreiros, Carpinteiros, Ferreiros, Pintores, eletricistas...)a reivindicação não chega a dois salários mínimos. Ora em nossa cidade a comercialização de um metro quadrado de obra pronta é feita por um dos mais elevados preços do país. Tem apartamento vendido por mais de 1 milhão de reais.

É importante que se diga, especialmente para aqueles que não têm nenhuma relação direta com o setor que, basta observar os materiais divulgados pela imprensa de nosso sindicato e facilmente vê-se enorme disposição em buscar uma saída negociada, inclusive no que se refere aos valores de reajuste salariais solicitados. Infelizmente, embora os empresários tenham recebido a categoria, no último dia 23, e afirmado que vão buscar apresentar outra proposta, diferente dos míseros 5% “oferecidos” até agora, nada novo nos foi formalizado.

Não temos dúvida: Os patrões podem conceder um reajuste minimamente digno para nossa categoria e dar um passo adiante no que se refere a tema como: Cesta-básica, Mulher trabalhadora, delegado sindical, entre outras demandas. Sem esses elementos o mais provável é que tenhamos de ir greve, com a força e tradição de luta de nossos companheiros de obra; Com a palavra o SINDUSCON-PA.

Atnágoras Lopes
Coordenador do Sind. Dos Trab. Da Const. Civil de Belém-PA
Membro da Sec. Exec. Nacional da CSP-Conlutas

Foto: Rui Baiano Santana

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