O
abandono de centenas de famílias que foram desalojadas ou estão á
espera de remanejamento devido à paralisação das obras de infraestrutura
e habitação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Belém,
desde 2010, será denunciado à Organização dos Estados Americanos (OEA).
Essa foi uma das deliberações da sessão especial ocorrida nesta
segunda-feira, 10, na Assembleia Legislativa do Pará, a pedido do
deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL).
As
sete obras iniciadas em Belém somam quase R$ 316 milhões, a maior parte
de recursos federais que poderão ser devolvidos à União, caso os
problemas de execução não sejam resolvidos pelo Estado e pela
Prefeitura, segundo o superintendente em exercício da Caixa Econômica
Federal, João Hugo Barral. Ele disse que, ao todo, está contratada a
construção de 2.385 unidades habitacionais pelo PAC em Belém. A ausência
da dirigente da Companhia de Habitação do Estado, Noêmia Jacob, órgão
responsável pela execução de grande parte dessas obras, foi bastante
criticada no evento. Também participaram o secretário municipal de
Habitação, Osvaldo Gonzaga, centenas de integrantes do Fórum de
Entidades e Moradores das Áreas do PAC-Belém (Fema-PAC) e os deputados
Márcio Miranda (DEM), Hilton Aguiar (PSC) e Edilson Moura (PT) e da
vereadora eleita Marinor Brito (PSOL).
"Estou
há três anos esperando a minha casa. Já fiz várias denúncias à Caixa de
moradores novos que estão chegando nas áreas das obras, das ocupações
dos imóveis inacabados, mas nada é feito", reclamou Maria de Suely
Almeida, da Taboquinha. "Nós estamos indignados. As pontes e as casas de
madeira estão caindo na cabeça das famílias. Ninguém pode pôr um prego
porque não sabe quando vai ser remanejado. A madeira está cara e para
meter no alagado, só serve madeira de lei. Há idosos em situação
delicada", acrescentou. Já Deusiane
da Silva, do Liberdade, reclamou que o baixo valor do auxílio-moradia,
pago às famílias que já foram retiradas de suas casas, é insuficiente
para pagar o aluguel, muitas famílias com a alimentação comprometida por
conta dessa despesa, famílias estão separadas ou vivendo de favor na
casa de parentes.
"Ano
passado fizemos uma sessão especial para debater o problema e reunimos
com o governo do Estado. Foi anunciado um cronograma de retomada das
obras, que não foi cumprido. Com a chegada das chuvas, ocorrerão os
alagamentos e aumento de riscos e doenças", destacou Edmilson. Com base
num relatório da própria Cohab, ele apontou o pequeno percentual de
execução das obras do PAC, que está na estaca zero no Riacho Doce I e na
segunda etapa da Vila da Barca, amarga 1,34% no Pantanal, 45% no Riacho
Doce III, e 41% no Taboquinha, entre outros.
Na
sessão também foi decidido que uma comissão de deputados e de
representantes das comunidades será constituída para reunir com o
secretário especial de estado de Infraestrutura e Logística de
Desenvolvimento Sustentável, Vilmos Grunvald, na próxima quarta-feira,
12, às 13 horas. O abandono também será denunciado ao Ministério Público
Estadual e ao Ministério Público Federal com o objetivo de serem
ajuizadas ações de dano moral coletivo.

Um comentário:
Não temos a quem recorrer o Ministério Público ta comprado estamos totalmente esquecidos e desamparadores pedindo socorro
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