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| Alan Marques 5.mar.2013/Folhapress |
Via Folha de São Paulo
DIMMI AMORA
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mandou à
Procuradoria-Geral da República (PGR) petição contra os senadores
Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e João Capiberibe (PSB-AP).
Randolfe é considerado o líder da bancada ética do Senado. Ele e
Capiberibe foram contra a eleição de Renan à presidência da Casa.
Na gestão de Renan, que começou no mês passado, o Senado já aprovou
requerimento para investigar o procurador-geral, Roberto Gurgel, que
denunciou o peemedebista pouco antes da eleição à presidência da Casa.
A petição foi entregue pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do
Amapá Fran Júnior. Segundo ele, o então governador João Capiberibe
pagou, em 1999 e 2000, "mensalão" de R$ 20 mil para todos os deputados
estaduais em troca de apoio político e da aprovação de suas contas pelo
Legislativo. A compra de apoio teria continuado na gestão de Fran.
Ele apresentou documentos que comprovariam os pagamentos --ilegais por
não estarem na lei orçamentária. Também foram anexadas gravações em que
supostamente o governador fala sobre compra de apoio político.
Foi a primeira queixa-crime contra um parlamentar recebida na gestão de
Renan no comando do Senado. De acordo com a assessoria do senador, a
praxe será encaminhar todas à PGR.
HISTÓRICO
Fran foi colega de Randolfe na assembleia de 1999 a 2002, quando
Capiberibe era governador. O senador fazia oposição ao governador.
Fran foi filiado ao PMDB, partido de Renan. No ano passado, tentou
disputar a eleição para prefeito de Mazagão pelo PP, mas foi barrado por
ter ficha suja: é condenado por improbidade administrativa durante sua
gestão na assembleia. Ele também foi indiciado pela CPI do narcotráfico
do Congresso.
"Parece que o país está ficando sério. Por isso, resolvi fazer a denúncia agora", afirmou o ex-deputado estadual.
Fran diz que, na época, o salário dos deputados aprovado era de R$ 5.300
mensais. Segundo ele, na gestão anterior à sua na assembleia, o então
governador Capiberibe começou a enviar ao Legislativo o recurso extra
para o pagamento aos parlamentares.
O ex-deputado anexou na petição ao Senado um contracheque que diz ter
sido assinado por Randolfe e afirma que em seis meses durante 1999 o
hoje senador recebeu R$ 120 mil além do salário.
A PGR, que não se manifestou sobre o assunto, pode pedir ao Supremo
Tribunal Federal a abertura de investigação sobre os senadores.
OUTRO LADO
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-PA) afirmou que não recebeu mensalão
quando era deputado estadual e que o recibo anexado à petição ao
Congresso é falso. "Não descarto que seja minha a assinatura. O que não
bate é que nunca existiu aquele recibo de R$ 20 mil", disse.
Randolfe afirmou que o assunto ressurgiu no ano passado, na época da
eleição, e que ele mesmo pediu investigação do Ministério Público e da
Polícia Federal.
O senador disse que também solicitou à Assembleia Legislativa que
encaminhasse cópia dos registros dos pagamentos que ele recebeu quando
era deputado, o que ainda não ocorreu.
"Parece-me que é uma clara atitude retaliatória do presidente Renan
porque ninguém deu credibilidade a essa denúncia. O denunciante não tem
credibilidade para fazer a denúncia."
De acordo com o senador, no período em que o ex-deputado Fran Júnior o
acusa de ter recebido o recursos, ele recorreu à Justiça para cobrar o
pagamento do seu salário que havia sido cortado por fazer oposição.
O senador Alberto Capiberibe também negou o mensalão. "É uma coisa
estranha ele assumir que cometeu um crime", disse, pelo fato de os
supostos pagamentos terem sido na gestão de Fran como presidente da
Assembleia. "São documentos absolutamente falsos."
As gravações, segundo o senador, são de entrevistas que ele deu à época.

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