Conhecido como Clemente, ele participou de episódios como emboscada contra de Henning Boilesen, do grupo Ultra e amigo de Ustra
Carlos Eugênio da Paz, no Rio de Janeiro, ex-guerrilheiro da ALN (Ação Libertadora Nacional), envolvido no justiçamento de Márcio Leite de Toledo, no período da ditadura militar no Brasil (Inara Chayamiti/Folhapress)
Morreu no final da tarde deste sábado Carlos Eugênio Paz, ex-guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo que fez a luta armada contra a ditadura.
Eugênio adotou o nome fictício de Clemente durante o período que atuou contra o regime. Era uma referência ao antigo jogador de futebol Ari Clemente, que atuou no Corinthians e no Bangu.
Eugênio participou de passagens como a execução do empresário dinamarquês Hennin Albert Boilesen, do Grupo Ultra, numa emboscada em abril de 1971, em São Paulo. Deu o tiro de misericórdia contra Boilesen, que contribuiu financeiramente com a Operação Bandeirantes (Oban) e era levado pelo coronel Carlos Brilhante Ustra para assistir sessões de tortura no Doi-Codi.
Eugênio, ou Clemente, participou também de momentos polêmicos dentro da ALN, como justiçamento de colegas que não inspiravam confianças. Entre as ações contra militares, participou do cerco ao então II Comandante do Exército, general Humberto de Souza Melo. Mas Clemente, ou Eugênio, não se arrepende de nenhum de seus atos.
— Não me arrependo. Tenho profundo orgulho do que fiz. E faria de novo, tentando ser mais competente. Lutei pelo meu país — disse Eugênio, quatro anos atrás, em Brasília, numa bienal.
Ele conviveu com Carlos Marighella aos 15 anos e aos 17 estava na ALN.
“Virei um excelente guerrilheiro. E tinha 22 anos”.
Eugênio lutava contra um câncer na garganta e faleceu em Ribeirão Preto (SP).
Fonte: Rede Canal

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