terça-feira, 20 de agosto de 2019

"Membros da Lava Jato são uma organização criminosa"



O ex-deputado federal Emiliano José (PT) fez, ontem, duras críticas à operação Lava Jato

Tribuna da Bahia, Salvador 

Por Rodrigo Daniel Silva

O ex-deputado federal Emiliano José (PT) fez, ontem, duras críticas à operação Lava Jato. Para ele, os procurados e o ex-juiz federal Sérgio Moro, que hoje é ministro da Justiça, agiram como uma organização criminosa. “É uma organização criminosa que seleciona quem eles quer atacar, quem eles não querem. Quem vão derrubar, querem definir para onde vai um ou outro. Querem acessar dados da Receita de maneira ilegal e criminosa. Está tudo revelado agora. Não tem jeito. O conluio para prender Lula e ser ministro”, atacou, em entrevista à Rádio Câmara Salvador.

Para o ex-parlamentar, é “evidente” para o “mundo todo” que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é “perseguido”. Emiliano justificou o motivo para o ex-chefe do Palácio do Planalto ser “perseguido”. “Lula virou um fenômeno nacional, uma liderança mundial da esquerda. Reconhecido pelos principais dirigentes do mundo, inclusive de direita. O seu governo promoveu mudanças únicas na história do mundo naquele período. É um sujeito que tirou 36 milhões de pessoas da miséria absoluta, Agora, nós voltamos ao mapa da fome que a gente tinha sido retirado”, pontuou.

Emiliano disse que o combate à corrupção é “essencial” e deve “servir para aperfeiçoar” a administração pública. “Não pode servir de arma e barganha para eleger Bolsonaro como presidente. Isso não cabe. O combate à corrupção continua presente e atual. Waldir (Pires) dizia que a corrupção não acaba, mas sim se combate diariamente construindo as instituições capazes de fazer”, ressaltou.

Biógrafo de Waldir Pires, o ex-deputado federal Emiliano disse que um traço marcante do ex-governador da Bahia era a “liderança inovadora”. O petista lançou na semana passada o segundo volume da obra que completa a narrativa sobre a trajetória de Waldir. No primeiro momento, há o relato desde o seu nascimento, em 1926, até a retomada de seus direitos políticos após o fim do AI-5, em 1978. O segundo volume retoma a narrativa desse ponto, até o ano de sua morte, em 2018, aos 91 anos. “Waldir foi uma liderança inovadora. Era firme e suave”, ressaltou Emiliano, durante entrevista à Rádio Câmara Salvador. O ex-deputado relembrou que conheceu o ex-governador no dia 12 de janeiro de 1979, quando Waldir Pires retornava à Bahia após o exílio no Uruguai, Paris e no Rio de Janeiro. “[Ele foi recebido com] um abraço das grandes personalidades, dos militantes da oposição. Tinha lá 200, 300 pessoas. O aeroporto estava lotado. Ali nós começamos a nos relacionar”, rememorou. “A minha relação com ele começa por uma empatia política”, acrescentou.

Emiliano recordou também as dificuldades que Waldir Pires teve para chegar ao cargo mais alto do Estado. Lembrou que o ex-governador discursava em praças vazias e “falava como se falava para uma multidão”. “Era como o apóstolo  no deserto. Era um sujeito da esperança. Na maior dificuldade, ele tinha certeza que chegaria lá”, declarou o biógrafo. O ex-deputado disse, ainda, que Waldir Pires só perdeu a campanha pelo governo da Bahia em 1962 por causa da Igreja Católica, que na época tinha forte influência no eleitorado. Foi o último pleito antes da ditadura militar. “Perdeu a eleição para Lomanto (Júnior) por causa de 5% dos votos. E só perdeu porque houve intervenção da Igreja Católica. O cardeal Augusto Alvares da Silva entrou com gás para cima porque ele (Waldir Pires) tinha o apoio dos comunistas. E Waldir sempre foi cristão. O pai era da igreja como a mãe”, pontuou. Waldir Pires seria eleito governador da Bahia em 1986.

O autor destaca a postura ética de Waldir à frente do cargo e a sua contribuição com obras importantes, a exemplo do Hospital Geral do Estado, que foi construído durante o mandato ocupado por 2 anos e 5 meses, até a renúncia para concorrer a vice-presidente na chapa formada com Ulysses Guimarães, nas primeiras eleições diretas para presidente do Brasil após o golpe militar. “A renúncia, do ponto de vista político, é o momento mais controverso em sua vida”, analisa o autor, que cita a pressão de outros governadores do PMDB para que Waldir concorresse nas eleições presidenciais, por entender que o seu nome fortaleceria a candidatura. “Foi uma atitude tomada com o propósito de enfrentar o cenário político complicado que o país estava atravessando naquele momento”.



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