quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Opinião: Família que inventou o trio elétrico deve receber royalties no Carnaval?



Vi recentemente uma reivindicação do grande guitarrista Armandinho Macêdo, filho de Osmar Macêdo, um dos criadores do trio elétrico ao lado de Dodô (Adolfo Antônio Nascimento). Esses dois gênios dividiram a festa de Momo em antes e depois do trio elétrico.

A invenção surgiu em 1950, na Bahia, quando a dupla criou a lendária “Fobica”, um Ford 1929 adaptado com alto-falantes e instrumentos amplificados, revolucionando o Carnaval de Salvador e dando origem ao modelo de palco móvel que hoje domina a folia. O trio elétrico transformou não apenas o Carnaval da Bahia, mas o Carnaval do Brasil — e influenciou festas em várias partes do mundo.

Atualmente, trata-se da maior festa popular do planeta, movimentando uma indústria que fatura milhões durante o Carnaval e as micaretas. Prefeituras fecham contratos milionários de patrocínio com grandes marcas de cerveja; emissoras de televisão lucram alto com publicidade nas transmissões; empresários donos de blocos e camarotes acumulam receitas expressivas; artistas constroem fortunas. É impossível imaginar nomes como Bell Marques sem o trio elétrico como palco principal de suas carreiras.

Enquanto isso, Aroldo Macêdo, filho de Osmar e integrante do tradicional grupo Armandinho, Dodô & Osmar, enfrenta problemas graves de saúde e precisa recorrer a campanhas para custear despesas médicas.

Diante desse cenário, surge uma reflexão inevitável: não seria justo e necessário que a família dos criadores do trio elétrico recebesse royalties pela maior invenção do Carnaval moderno? Se há uma cadeia produtiva milionária sustentada por essa criação, é razoável discutir mecanismos de reconhecimento financeiro permanente a quem idealizou o conceito que move essa engrenagem.

Valorizar a memória e a contribuição de Dodô e Osmar não é apenas uma questão histórica — é uma questão de justiça cultural e econômica.

Rui Baiano Santana 

Autor do livro Memórias de um Gigolô Baiano

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