A invenção surgiu em 1950, na Bahia, quando a dupla criou a lendária “Fobica”, um Ford 1929 adaptado com alto-falantes e instrumentos amplificados, revolucionando o Carnaval de Salvador e dando origem ao modelo de palco móvel que hoje domina a folia. O trio elétrico transformou não apenas o Carnaval da Bahia, mas o Carnaval do Brasil — e influenciou festas em várias partes do mundo.
Atualmente, trata-se da maior festa popular do planeta, movimentando uma indústria que fatura milhões durante o Carnaval e as micaretas. Prefeituras fecham contratos milionários de patrocínio com grandes marcas de cerveja; emissoras de televisão lucram alto com publicidade nas transmissões; empresários donos de blocos e camarotes acumulam receitas expressivas; artistas constroem fortunas. É impossível imaginar nomes como Bell Marques sem o trio elétrico como palco principal de suas carreiras.
Enquanto isso, Aroldo Macêdo, filho de Osmar e integrante do tradicional grupo Armandinho, Dodô & Osmar, enfrenta problemas graves de saúde e precisa recorrer a campanhas para custear despesas médicas.
Diante desse cenário, surge uma reflexão inevitável: não seria justo e necessário que a família dos criadores do trio elétrico recebesse royalties pela maior invenção do Carnaval moderno? Se há uma cadeia produtiva milionária sustentada por essa criação, é razoável discutir mecanismos de reconhecimento financeiro permanente a quem idealizou o conceito que move essa engrenagem.
Valorizar a memória e a contribuição de Dodô e Osmar não é apenas uma questão histórica — é uma questão de justiça cultural e econômica.
Rui Baiano Santana
Autor do livro Memórias de um Gigolô Baiano

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