Artigo de Franciorlis Viannza - Corram para Ananindeua nos dias 12 e 13 de setembro, das 8h às 14h, na Praça Tancredo Neves, para a 5ª edição da Feira do Livro de Ananindeua.
Segundo a organização, estarão presentes mais de 40 expositores, entre editoras, coletivos, sebos e autores. Haverá também espaço para troca de livros.
Até onde este cronista curiou, a Feira é promovida pelo Sebo Pasárgada. E aí mora um diferencial: a iniciativa mantém o poder de decisão nas mãos de quem vive o livro e a leitura. Deus livre esses entusiastas de caírem nas garras da Máquina pública quando ela chega com boas intenções de “inclusão” e, no fim, mantém os excluídos à margem e ainda empurra a leitura para segundo plano.
Então a Máquina não pode participar? Pode e deve. Como parceira, financiadora, apoiadora ou co-realizadora — em suma, como facilitadora do protagonismo da arte e do artista. Evento que tem a leitura como tema possui estrelas bem definidas: livro, leitores, autores, mediadores, contadores de histórias e educadores. O resto, muitas vezes, é invencionice de Professor Pardal.
A Máquina, porém, adora o papel principal e costuma relegar artistas a ornamento da programação. Recordo-me de uma reunião em que, ao lado de escritores-irmãos, pedi apoio para uma feira de livros. A resposta: o Estado poderia custeá-la, desde que a feira rezasse a cartilha oficial. Em bom português: fosse estatizada. Em bom franciorlês: virasse pau mandado.
Não, obrigado.
Quem entende mais de feira do livro do que escritores, leitores, pesquisadores, livreiros e profissionais do mercado editorial?
Tá, cheiroso, que eu vou chamar um dentista para me ensinar ciência da computação ou um psicólogo para me aplicar anestesia! Cada um no seu cada qual, já dizia Manelau.
Por essas e outras, vejo com bons olhos a Feira do Livro de Ananindeua: o próprio setor ocupando um espaço em que a Máquina fez pouco, não fez nada ou pretende fazer tudo — para si.
Claro, leitor, você pode ignorar minhas divagações e focar no evento. Ele tem cara alternativa, ambiente natural e lembra a Pan — a Pan de outros tempos. Sem tanto empetecamento, mas com o essencial: o livro como alma.
*Escritor e presidente das Academias de Letras (UFPA). Obs. Artigo publicado pelo autor no Instagram.

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